Esportes

Do Havaí para BC: Surf e Stant Up como estilo de vida

Foi-se o tempo em que o surf era um esporte associado a drogas e vida fácil

Texto: Patrícia Barbosa e Samara Michele

Verão lembra sol, férias e para muita gente isso é sinônimo de praia. Mas para a família Teixeira o clima praieiro preenche não apenas uma temporada, e sim uma vida. Ana Paula e Mozart, casados há 11 anos, são donos da primeira escola de surf do Brasil e vivem única e exclusivamente do esporte.

Ana conta que aprendeu a surfar depois de casada. Hoje, professora da Escola de Surf North Shore, comenta: “Esse é nosso trabalho e mais do que isso, é a nossa vida”. A escola oferece cursos com pacotes fechados, recebe excursões e vendem e alugam equipamentos relacionado ao surf e ao stand up.

Há muito tempo o futebol era considerado o esporte número um do Brasil, mas o surf tem crescido a cada dia. Antigamente o surf era muito associado a drogas e vida boa, mas na atualidade, com o advento de vários nomes que representam o Brasil internacionalmente no surf, o esporte começou a ser valorizado.

Ana e Mozart também competem nacionalmente, mas afirmam que mesmo com a popularidade que o surf tem recebido, o esporte mais comum é o Stand up por sua facilidade de aprendizado e pela viabilidade de poder ser competido em qualquer ambiente que tenha água. “É um esporte que tem crescido ano após ano, mais do que o surf inclusive”, conta Ana.

Hoje em dia o atleta de surf ou stand up é totalmente focado, não usa drogas, se alimenta corretamente, dorme as horas de sono corretas que o corpo dele precisa para se recuperar, cuida da aparência e está ativo nas mídias sociais. Servindo de exemplo e influenciando o público jovem, por serem esportes que estão em foco.

Para aprender a surfar ou praticar stand up não precisa de experiência. A professora Ana conta que recebe alunos a partir de cinco anos, salvo situações em que a criança tenha muita afinidade com o mar, como suas filhas que foram criadas na praia. Ela ressalva que o primordial é a segurança, antes de saber surfar é preciso estar vivo. É preciso respeitar o limite de cada pessoa.

Fonte: Arquivo Pessoal Mozart Teixeira
Hoje, com 55 anos, 7 filhos, e uma vida de surf, Mozart vive do esporte

“Água no umbigo, sinal de perigo” Mozart Teixiera.

Primeira escola de surf do Brasil

Mãe advogada e pai juiz, queriam que o filho seguisse a lida dos pais, mas Mozart fugia da escola pra ir surfar. Com apenas uma prancha de surf de isopor, já se aventurava nos campeonatos. Começou sua história no surf com apenas 12 anos. Ele conta que usava uma prancha de isopor na época, pois as pranchas de fibras não eram muito acessíveis financeiramente. Mozart comenta que a maioria dos atletas profissionais de hoje, antigamente eram meros adolescentes que se escondiam dos pais para ir surfar.

Foi com 23 anos que ele largou tudo e foi embora do Brasil. Morou dois anos na Califórnia e depois migrou para o Havaí em busca de ondas maiores. Depois de 15 anos morando no Havaí, Mozart voltou para o Brasil. Aos 38 anos de idade, ele já tinha experiência para viver do surf aqui. Hoje a Escola North Shore tem 19 anos de história, é a primeira de Balneário Camboriú e do Brasil, e foi a partir dela que muitas outras escolas surgiram.

Fonte: Arquivo pessoal

Uma aventura no Havaí

“Uma vez, eu entrei e o mar estava gigante. Ninguém tinha coragem, mas eu sim. Veio uma onda enorme, quebrou a prancha ao meio, e fiquei na roubada. Os havaianos não queriam entrar para me salvar, porque eu era brasileiro. Os havaianos têm muita rixa contra estrangeiros que vão morar lá. Um havaiano estava a meio metro de jet sky chamando “vem, vem”, mas eu não conseguia sair do lugar. Vinha uma onda atrás da outra e eu mergulhava e tentava rebater, quando finalmente consegui sair e chegar até o jet sky, mas isso demorou um tempo. Catei a duas  metades da prancha e sai. Um amigo meu que fazia as pranchas falou: vai pra casa, descansa. Sim, voltei pra casa, mas foi para pegar outra prancha e entrar no mesmo mar de novo. Eu acreditava que se saísse daquele jeito eu ia ficar com medo do mar e não ia querer mais entrar. Acreditava que tinha que entrar de novo para mostrar que podia surfar, e que por fim tudo acabaria bem.”

No Havaí Mozart teve uma pousada e uma empresa de táxi para atender estrangeiros. A maioria dos grandes nomes do surf de hoje em dia e turistas brasileiros, que passavam pelo Havaí, se hospedavam lá. Ele e mais três amigos foram os primeiros brasileiros que foram para o Havaí e fizeram residência. A cultura havaiana preza muito pela família, muitos desses valores foram passados para o Mozart, que hoje possui 7 filhos, 4 do primeiro casamento e três meninas com a Ana.

“Gosto de surfar porque me traz uma alegria na alma, um empoderamento. Não sou profissional, mas tenho coragem. Surfar pra mim me traz um poder, desafio, adrenalina, e acreditar que você pode, independente da idade, fazer aquilo que mais gosta”. Edna Oliveira tem 48 anos, surfa há 15 anos, ficou um tempo parada mas há três anos voltou a surfar.

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Família Teixeira

Nunca almejei outra coisa, a não ser surfar. O surf pra mim não era trabalho, era um estilo de vida”. Mozart Teixeira

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