Comportamento

Um emaranhado de mapas

Com auxílio de agências especializadas, ou por conta própria, sempre há uma forma de se aventurar pelo mundo

Texto: Bruna Gonçalves e Tatiane Decker

A primeira viagem no estilo mochilão de Marcos Holtz foi cruzando a Bolívia no Trem da Morte. Seguiu para o deserto do Atacama, andou pela trilha Inca original em Machu Picchu, sobrevoou as Linhas de Nazca, dormiu na casa de locais no Lago Titicaca, percorreu a Estrada da Morte de bicicleta e foi acolhido pelos hooligans do maior clube de futebol boliviano, o The Strongest, de La Paz. Hoje, com 32 anos, Marcos conhece mais de 20 países.

Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela. Check. Na busca de novos desafios, partiu em direção à Ásia. Por lá, conheceu a Turquia, Índia, Nepal, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja, Mianmar, Malásia, Indonésia e Cingapura. Marcos é formado em jornalismo, seu maior talento é na escrita. Para ele seria um crime hediondo não compartilhar as vivências.  “Eu viajo pra viver e escrevo pra eternizar. É só o que posso oferecer ao mundo”. É através do Mochila Crônica que o jornalista eterniza essas vivências.  

A última janela de um boteco na esquina da Calle Córdoba com a Caseros é testemunha ocular da devoção. Do lado de dentro no máximo nove mesas; um senhorzinho boliviano com traços de ar rarefeito no rosto largo serve empanadas e cerveja Salta. Trouxe-me um copão fosco e gelado com o adesivo que exprime o orgulho dos povos originários nos quadrados coloridos de sua bandeira. Definitivamente, eu estava de volta aos Andes, com a minha garota escancarando suas pérolas pra fora de uma bocona curvada e feliz pelo primeiro contato junto à carne de uma cultura distinta de tudo que já havia vivido. Meu olhar carregava cansaço e uma gritante satisfação por tê-la arrastado até ali. Independente de uma vida eterna ao meu lado, aquilo a marcaria pelo resto de seus dias. E essa é minha definição para “legado”. Trecho do texto Salta, “la linda”. E muito gostosa.

Para aqueles que se sentem chamados a colocar a mochila nas costas, não existe fórmula secreta, mas é possível aprender com as histórias de quem já está mais tempo nessa estrada. Segundo o turismólogo Roberto Tomasoni, a preferência dos mochileiros é pelo continente europeu, devido à facilidade de locomoção entre os países e as várias culturas. O primeiro passo para planejar o roteiro da viagem é escolher a estação correta. Há uma grande diferença de preços de serviços. Depois, passa-se à pesquisa de interesses do viajante. Praias, montanhas, estações de Ski ou museus? Com base nestas informações a agência pode oferecer duas ou três opções diferenciadas.

Marcos tem um estilo mais relaxado de pensar (e viver). Não há grandes planejamentos. “Eu geralmente sei pra onde quero ir e como ir. O resto eu vou deixando acontecer”. Apesar de ter sido um dos piores alunos da escola em quase todas as disciplinas, geografia e história estão sob seu domínio. “Eu nasci num emaranhado de mapas”. E sobre a questão financeira, bem, ela não é um grande problema para alguém que abomina o consumismo. “Eu quase nunca preciso de coisas, então minha única preocupação é a tributação das cervejarias e a inflação no litrão de Brahma. Dá pra juntar uma grana se você não roubar o seu próprio dinheiro”. Se o seu maior problema for a questão financeira, a dica do mochileiro é: vá pra Bolívia e surpreenda-se com o 3º Mundo.

 

Em agências, a orientação é que o passageiro tenha em mente o quanto ele deseja gastar. “Com base no orçamento disponível, montamos um roteiro baseado no número de dias e do valor disponível”, explica Roberto. Ele ainda enumera alguns pontos-chave que, basicamente, fazem parte de um bom planejamento: custo, estação do ano, hospedagem, locomoção, alimentação e segurança.

Na mochila de Marcos,  não há muitas roupas e quantidades supérfluas de produtos de higiene. Apenas o suficiente. O item que está sempre presente é o saco de dormir. “Nunca se sabe quando dormir na rua”. Roberto aconselha procurar uma boa mochila que, além de caber todos os itens, seja aceita pelas companhias áreas e ferrovias. “É recomendável consultar estas empresas antes, pois muitas delas podem querer cobrar taxas para transporte de itens fora do tamanho padrão”.

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Fonte: Roberto Tomasoni

Existem diferentes estilos de viagem. Existem diferentes estilos de pessoas. São seis continentes, 194 países, aproximadamente sete mil línguas e dialetos, mais de 10 mil religiões. O mundo é gigante e isso é incrível. Anote as dicas, escolha o roteiro, decida fazer o que mais se encaixa com a sua personalidade. E vá viver.

 

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