Comportamento

População negra ainda enfrenta desigualdades no mercado de trabalho e na educação

Eles ocupam apenas 6,3% de cargos na gerência e 4,7% no quadro executivo

Texto por: Dyovana Koiwaski e Danilo Vieira

Entre a população mais pobre do Brasil, três em cada quatro pessoas são negras e, embora mais da metade da população brasileira (54%) seja formada por negros ou pardos, os índices demonstram que a desigualdade em relação às oportunidades é elevada. Os números são do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Nas organizações, a desigualdade entre brancos e negros é enorme. Dados de um estudo do Instituto Ethos, realizado no último ano, indicam que pessoas negras ocupam apenas 6,3% de cargos na gerência e 4,7% no quadro executivo, embora representem mais da metade dos moradores no país. Neste cenário, a presença de mulheres negras, em comparação aos homens, é ainda mais desfavorável: elas preenchem apenas 1,6% das posições na gerência e 0,4% no quadro executivo. A situação só se inverte nas vagas de início de carreira ou com baixa exigência de profissional, como em nível de aprendizes (57,5%) e trainees (58,2%).

A disparidade salarial é mais um desafio. Ainda que tenha diminuído nos últimos anos, os dados sobre desigualdade de renda continuam a registrar um desequilíbrio considerável entre brancos e negros no Brasil. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE indica isso. No início de sua série histórica, em 2003, um negro não ganhava nem metade do salário de um branco (48%). Atualmente, pouca coisa melhorou. Os dados atualizados mostram que o número se elevou para 55,53%.

Para a administradora financeira, Nathalia Borba, o preconceito ainda está muito camuflado no ambiente de trabalho. Ela conta que, durante os processos de contratação, não chegou a sentir essa diferenciação. “O preconceito vem no dia a dia, de pessoas que até convivem com você sem problemas, mas de vez em quando soltam declarações ou fazem comentários racistas. Quando percebem, dizem que não são preconceituosas”, relata. Ela ainda completa que não se incomoda com essas situações por avaliar que essas pessoas “têm pensamento pequeno e precisam evoluir”.

Na área da educação, os negros também enfrentam um mercado excludente e, inclusive, polêmico pelo sistema de quotas. Dados do IBGE, compilados entre 2005 e 2015, divulgados no ano passado, revelam que o percentual de afrodescendentes universitários saltou de 5,5% para 12,8%. Entretanto, esse crescimento positivo não é igual quando a análise é a ocupação de vagas no mercado formal de trabalho. Mesmo mais graduados, os negros continuam com baixa representatividade nas empresas.

Pedagoga com especialização em supervisão, orientação e gestão escolar, Cleonice de Oliveira Lorencini, 29 anos, acredita que, para haver igualdade, as diferenças precisam se complementar e é preciso oportunizar crescimento a todos. Na sua turma na faculdade, durante os quatro anos de graduação, foi a única aluna negra. Ao dar continuidade aos estudos, havia apenas duas alunas negras no curso de pós-graduação, conta ela. “Nunca me escondi, busquei o que queria, sou alegre, sou uma negra feliz. Quero que outros negros se sintam assim”, ressalta.

Cleonice destaca que se não houvesse racismo e preconceito, as pessoas negras estariam mais incluídas, em todas as camadas sociais . “Onde estão essas pessoas negras que buscam qualificação? Estão escondidas? Se você questionar, as empresas dirão que naquele ambiente não há preconceito, no entanto, em certos locais praticamente não existem funcionários negros”, diz.

 

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