Bem-Estar

Aumento no diagnóstico positivo de AIDS preocupa Santa Catarina

Itajaí realizou mais de 20 mil exames em 2017, indicando uma elevação de quase 30% no número de casos

Texto: Gabriel Silva e Sérgio Augustin

O estado de Santa Catarina está em alerta sobre a incidência de AIDS. O número de infectados aumentou 43%, principalmente em jovens com idades entre 20 e 34 anos. Ao contrário do que foi registrado décadas atrás, hoje as maioria dos casos são em homens heterossexuais.

Em Camboriú, foram 93 novos casos confirmados neste ano. O Centro de Diagnóstico e Tratamento (CEDIT) da cidade intensificou ações, com testes rápidos, entregas de informativos e distribuição de camisinhas. A coordenadora Gabriela Garcia Pereira orienta que todas as pessoas, que já tiveram ao menos uma relação sexual sem uso do preservativo, devem realizar o teste rápido.

Em Balneário Camboriú, cidade litorânea – que deve, segundo o Governo do Estado, vai receber mais de 1,5 milhão de turistas nesta temporada – 140 casos de HIV foram confirmados neste ano. Porém, como a cidade é turística o ano todo, a Secretaria de Saúde investe em prevenção regularmente. De acordo com a coordenadora do Centro de Testagem e Aconselhamento, Jacheline Hoffmann, ao todo são realizados cerca de 500 testes por mês sendo que, destes, uma média de 15 pacientes são diagnosticados com HIV. Em Balneário Camboriú, a maioria são homens entre os 25 e 29 anos de idade.

 Cidade acima da média nacional

Itajaí já foi destaque por ser a cidade brasileira com o maior número de infectados por HIV. Muitos dizem que o responsável era o porto, que trazia marinheiros semanalmente e, por isso, concentrava grande número de prostitutas. Em 2014, a cidade era a 19ª colocada no ranking nacional. Em 2017, passou para a quinta posição.

Atualmente, as campanhas da Secretaria de Saúde aumentaram, sendo realizadas até por instituições como a Univali. Mesmo assim, em comparação ao ano passado, o número de casos subiu 29%, sendo 282 novos registros. Mas, o número de testes também aumentou: foram 21 mil exames feitos em 2017.

Jacqueline Koch, gerente de Infecções Sexualmente Transmissíveis, diz que nem todas as pessoas com o HIV terão AIDS, pois a doença pode demorar alguns anos para se manifestar. Porém, mesmo sem desenvolver a doença, a pessoa que tem vírus poderá transmiti-lo. “Por isso, é tão importante o trabalho de orientação e testagem rápida para diagnóstico”, afirma.

A doença pode demorar até dez anos para se manifestar. O vírus HIV destrói os linfócitos, que são tipos de glóbulos brancos. “A pessoa fica desprotegida e várias doenças oportunistas podem surgir e complicar a saúde da pessoa, e que serão responsáveis pela morte do paciente não tratado”, detalha o infectologista Eduardo Campos de Oliveira, técnico da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE).

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Balneário Camboriú realiza ações voltadas à prevenção das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). O Educa Vida atua no contexto educacional, promovendo capacitação e orientações a professores e alunos da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. O principal objetivo é diminuir o contato de jovens e adolescentes com as ISTs. (Foto: Sérgio Augustin)
 Dezembro Vermelho

O município realizou algumas ações para o Dezembro Vermelho, mês em que campanhas de combate à AIDS são feitas em todo o mundo. Em 2017, o Brasil participou pela primeira vez. No dia 2, a Vigilância Epidemiológica em Itajaí realizou um evento especial na praça Beira-Rio: Música Contra AIDS. Enquanto o público curtia shows gratuitos, agentes de saúde orientaram a comunidade e distribuíram fôlderes, preservativos e géis lubrificantes.

O artista João Ramos, conhecido por JC Ramos, participa anualmente das campanhas de prevenção. Ele cria e distribui as chamadas “Camisinhas Poéticas”. O item vem com uma poesia que João escreveu e uma imagem. As peças exclusivas são distribuídas pela Secretaria de Saúde e motoristas de Ubers.

Capacitação Teste Rápido Fotos Tamiris Schlegel (62)
Foto: Arquivo PMBC
 Notificação obrigatória

Em 2014, as redes de saúde dos municípios foram obrigadas a notificar casos de infecção pelo HIV, com dados sendo enviados para a Diretoria de Vigilância Epidemiológica, a DIVE. Com a catalogação, foi possível criar um banco de dados para saber quais municípios e estados precisam de maior atenção quanto à epidemia.

A gerente de Vigilância de DST/AIDS e hepatites virais da DIVE, diz que as notificações apresentam dois importantes pontos: “Estamos ampliando o diagnóstico precoce do HIV, mas comprovamos que a maioria das pessoas continua se descuidando da prevenção, ou seja, não está usando preservativo nas relações sexuais”, reflete Dulce Quevedo. Uma pesquisa do Ministério da Saúde reafirma o que diz Dulce: de 7600 entrevistados, somente metade diz usar camisinha rotineiramente.

A Anvisa aprovou um teste de HIV que pode ser comprado em farmácias. O produto pode ser adquirido ao preço médio de R$ 80,00. Mais informações são fornecidas por esta reportagem da RIC Record.

 

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