Economia

Produto agrícola catarinense é vendido para país africano

Grão geneticamente modificado será exportado pela Epagri para Angola

Texto: Gabriel Silva e Sérgio Augustin

Sementes de milho geneticamente produzidas em Santa Catarina serão plantadas em Angola. São três variedades, a SCS154 Fortuna, SCS156 Colorado e SCS155 Catarina. Quatro toneladas e meio do grão foram vendidas pela Epagri, que é a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina. Para chegar ao país africano, o milho vai embarcar no Aeroporto de Navegantes amanhã, 1 de dezembro.

O motivo de o produto agrícola catarinense viajar mais de sete mil milhas náuticas é que a legislação da Angola proíbe o cultivo de milho híbrido. “As sementes da Epagri são variedades de polinização aberta, ou seja, surgiram de um cruzamento de diferentes tipos de grãos cultivados, que foram melhorados”, explica Alberto Höfs, melhorista genético de milho da Epagri. Esse milho, por ser criado em laboratório, pode sofrer com oscilações climáticas, doenças e pragas. Mas, tem mais estabilidade, evitando grandes perdas em safras.

mapa
As sementes viajarão aproximadamente 12 mil quilômetros.
Pesquisa e negócios

Para chegar nesse produto, foram 12 anos de pesquisa, desenvolvida no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar, em Chapecó. O tipo Fortuna foi lançado em 2006, o Catarina, em 2009, e o tipo Colorado, em 2010.

Eventos agrícolas, muitas vezes não levados a sério por terem exposições de porcos e competições de gado leiteiro, foram essenciais para o acordo entre Brasil e Angola. Genival Corrêa, sócio da empresa Merina Intercommerce Services, que intermediou a venda do milho, diz que “o proprietário da fazenda (que comprou o produto) conheceu os milhos da Epagri em eventos agrícolas no Brasil e fez a encomenda”. A Epagri comercializou o milho por R$ 6,00 o quilo, faturando, ao todo, R$ 27.600,00. Os grãos foram vendidos para os angolanos pelo mesmo preço que é vendido para os catarinenses. A Epagri não falou sobre o assunto, mas é bem provável que a venda do milho híbrido não tenha coberto o investimento em pesquisas.

O milho vai para a fazenda Kambonbo, que é conhecida por empregar alta tecnologia para a produção de soja, feijão e batata inglesa. Serão 230 hectares de terra semeados com o milho catarinense.

Cerca de 150 famílias de Santa Catarina sobrevivem do que plantam. Aqui, 87% das propriedades rurais se encaixam nas características que definem agricultura familiar. O milho esta presente na maioria das pequenas propriedades, servindo de alimento para animais, consumo próprio e comércio.

 Você pode conhecer mais sobre essa produção aqui.

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