Bem-Estar

Consumo de orgânicos: uma tendência que faz bem

“Comprando alimentos limpos, criamos menos impacto nos ecossistemas, não colocando resíduos químicos nas terras e nas águas”

Alunas: Bruna Gonçalves e Tatiane Decker

Maria Angélica tem 60 anos e não sabe exatamente o que seria uma alimentação orgânica. Não conceitualmente falando, mas na prática, sua alimentação é mais natural do que a de muita gente que vive na cidade grande. Moradora do interior, ela e seu marido sempre trabalharam com agricultura, assim como grande parte da família. A alimentação em casa não pode ser considerada 100% orgânica, pois muitos produtos não são encontrados no mercadinho da cidade. Porém, tudo que é feito por ela mesma veio da produção familiar ou de conhecidos. Ovos, queijo, leite, verduras, legumes, temperos e carne.

No interior é comum encontrar produtos cultivados por pequeno produtores, mas na cidade, a procura pode ser mais complicada.  A busca por uma alimentação saudável é uma tendência. O Brasil tem o quinto maior mercado de alimentos e bebidas saudáveis, segundo levantamento da Euromonitor feito em 2015. É possível observar uma crescente no número de estabelecimentos que estão investindo em cardápios deste seguimento. Em capitais ou metrópoles, há facilidade de encontrar produtos legitimamente orgânicos. Porém, em cidades menores a busca precisa ser maior. 

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Orgânicos são livres de agrotóxicos, adubos químicos, fertilizantes e sementes transgênicas

Aqui na região, Juliano Diniz é um dos responsáveis pelo projeto Feira Móvel. Essa é uma proposta diferente de levar os orgânicos à população.  A feira acontece em um ônibus, que passa pelos locais levando os produtos até os consumidores. Para Juliano, essa é uma forma de ajudar tanto as pessoas que consomem, quanto as famílias dos produtores. “Antigamente, quando trabalhávamos com produtos convencionais, nos intoxicamos com veneno. Só então tomamos consciência do mal que o agrotóxico, o adubo químico, os fertilizantes e as sementes transgênicas podem fazer às pessoas”. Há 17 anos a família trabalha somente com produtos orgânicos e tenta conscientizar cada vez mais as pessoas sobre melhor estilo de vida. As feiras acontecem nas quartas e sábados na rótula da Praia Brava, em Itajaí.

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O projeto Feira Móvel está em Itajaí nas quartas e sábados

Produto orgânico é todo produto, animal ou vegetal, obtido sem a utilização de químicos ou hormônios sintéticos que favoreçam o seu crescimento de forma não natural. Para ser classificado como orgânico, fiscais visitam plantações e fazendas que plantam e processam estes alimentos. Após a inspeção, se os locais estiverem dentro dos padrões pré-estabelecidos, recebem o certificado de orgânico. Uma das reclamações de pessoas que desejam consumir este tipo de alimento é seu preço. É comum ouvir que esse tipo de dieta é inviável financeiramente.

Para Bernardo Simões, os produtos orgânicos não necessariamente são mais caros. Caro é o alimento que não obedece a sazonalidade e/ou que não vem da região. “O discurso de que orgânicos custam caro é sustentado por supermercados, que compram insumos dos produtores orgânicos e não pagam pelos produtos que estragam, gerando perda que se reflete no preço do agricultor, que vende mais caro para o mercado, que por sua vez precisa ganhar em cima do preço que o produtor vende a eles”. No final, o preço de prateleira se torna bastante caro e por isso é aconselhável o modelo de compra direta, feira, compra coletiva e troca.

Optar por uma alimentação orgânica significa “ter opção”. Graças as condições que vive, para Graziela Venturin isso é possível. Porém, para a maioria da população brasileira não. Nosso país é o maior consumidor mundial de agrotóxicos e para a estudante de naturologia, essa é questão puramente de interesses econômicos, afinal agrotóxicos que são proibidos em vários países aqui não são. Além disso, também não existe incentivo do governo para o consumo de orgânicos e nem aos pequenos produtores. Assim, os orgânicos são  produzidos em menor escala e apenas para quem pode pagar. “Isso é um assunto de saúde pública, não se pensa em prevenir, cuidar do meio ambiente e das pessoas de uma maneira inteligente. Se pensa em tratar o mal causado da pior forma. Esperando as pessoas adoecerem para então consumir medicamentos de empresas. Só que a mesma  empresa que fabrica o agrotóxico também fábrica o medicamento.”

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Feiras locais e de pequenos produtores costumam ser as melhores opções para encontrar produtos de qualidade e custo um pouco mais baixo.

Bernardo é proprietário do Caverna Coletiva, em Florianópolis. Ele acredita que as escolhas que tomamos impactam diretamente no meio ambiente e na vida das pessoas do campo e da cidade. “Comprando alimentos limpos, criamos menos impacto nos ecossistemas, não colocando resíduos químicos nas terras e nas águas. Comercializando diretamente de quem produz, remunera-se melhor o produtor e pagamos menos por não depender de atravessadores que compram e revendem”. Os produtos do pub vêm, na maior parte, de produtores certificados pela Rede Ecovida nas localidades de Rio Fortuna, Chapadão do Lageado, Laguna, Seara, Grande Florianópolis e algumas poucas coisas do Rio Grande do Sul e Paraná.

No que diz respeito aos benefícios da saúde, a nutricionista Marina Goss explica que as vantagens estão principalmente em oferecer ao corpo mais nutrientes e menos toxinas, favorecendo o funcionamento do organismo. Infelizmente, a maioria da população sequer consome alimentos com alta densidade nutritiva, já que buscam maneiras mais “fáceis” de se alimentar. “Temos aqui um processo de reflexão de onde estamos e para onde estamos indo. Acredito que começando aos poucos, em nossos bairros, buscando feirinhas locais, estaremos sim estimulando esse tipo de agricultura, a qual deveria se chamar convencional”. Para Graziela,  algo a ser ensinado para as pessoas aqui no ocidente é: consuma alimentos da estação. “Nas culturas orientais é super comum. Você deve consumir o que é da estação, pois tem em abundância e é o que seu corpo precisa para estar forte naquele momento. Aqui do ocidente esquecemos dessa relação com a natureza, esquecemos que nosso corpo é composto pelas mesmas moléculas que se encontra no reino vegetal”.

Outra opção para quem deseja diminuir o consumo de agrotóxicos é a produção de uma horta caseira. É um pequeno passo para quem quer ter mais controle de sua alimentação. Na internet é possível encontrar vários materiais que ensinam como construir a sua própria horta.   

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Blog Saber para crescer

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