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A importância do brincar livre na infância

A brincadeira é um tempo em que a criança se descobre e conhece o mundo. É um fator importante no desenvolvimento intelectual, social, emocional, físico e ético

Texto: Patrícia Barbosa e Samara Michele

A infância é um tempo único na vida de qualquer pessoa. É natural a brincadeira fazer parte desse momento quase que em tempo integral. Para a criança não nem hora nem lugar que impeça a criatividade e o faz de conta acontecer, a não ser… o adulto.

O brincar livre é um tempo em que a criança se descobre e conhece o mundo de uma forma objetiva e subjetiva ao mesmo tempo. Para a pedagoga Fernanda Benvenuti, a atividade de brincar satisfaz por si só e é um fator importante no desenvolvimento intelectual, social, emocional, físico e ético.

“Não podemos impedir que a criança usufrua do seu momento, pois estão se tornando adultos cedo demais e podem desenvolver neuras, bipolaridades e infelizmente se tornarem pessoas tristes e depressivas”.

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A tecnologia

Para a pedagoga, muitos recursos tecnológicos existentes hoje não passam de entretenimento, uma vez que a tecnologia não ajuda a criança a construir, elaborar conflitos e lidar com sentimentos, por ser um brinquedo pronto que pode trazer prejuízos na vida adulta. É através das brincadeiras que se exerce a negociação, exercícios de habilidades sociais, ensina a criança a lidar com as emoções e formar valores e conceitos que vão ser levados para a vida. A infância é o momento de criar vivências que não podem ser dissociadas do indivíduo. O ser humano não é feito apenas para receber informação e reproduzi-la, e sim um ser que interpreta e cria a realidade onde vive.

Joana Darc é mãe em tempo integral, e defende que nesse mundo virtual as crianças perdem o momento mágico de crescer em meio a natureza. “Não sabem o que é tirar uma fruta do pé e chupar, subir em uma árvore, brincar de pega-pega, esconde-esconde, cobra cega, polícia e ladrão, andar descalça, tomar banho de chuva. Criança precisa ser criança”, argumenta.

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O importante na atividade é o brincar e não o brinquedo

Uma das dicas para desenvolver o brincar livre é sobre a atitude dos pais. A função essencial do adulto não é a presença física e sim a participação nas brincadeiras, mostrando as possibilidades existentes e estimulando a criatividade.

Ter uma agenda lotada não faz da criança uma pessoa melhor. Fernanda cita que isso causa um efeito contrário que gera estresse por não ser do mundo dela. Crianças que brincam com os pais têm boas lembranças, sabem se colocar no lugar do outro, têm sabedoria para lidar com suas emoções e se tornam adultos saudáveis que vão ter facilidade na vida social. São essas lembranças que normalmente ficam registradas na memória de um adulto, o tempo que os pais dedicaram para sentar do lado dele, brincar, mostrar os caminhos e possibilidades.

Para a pedagoga, a sociedade de hoje está criando um modelo familiar prático, mas calculista. A correria que a vida adulta exige muitas vezes reflete na agenda dos filhos, que acabam por ter uma rotina de excessos. Enquanto os pais trabalham, as crianças vão para escola e a atividade familiar fica cada vez mais anulada. Mas o que muita gente negligencia é que desde os primeiros anos de vida a atividade de brincar livre favorece várias áreas da vida da criança, e barrar isso pode repercutir na vida adulta muitas vezes de forma drástica.

“Eu diria que isso é um crime porque as crianças precisam desse tempo para brincar e, principalmente, brincar em família. O que temos visto como resultado disso são crianças doentes, apáticas, tristes e frustradas. Porque fazem atividades que são desnecessárias para a faixa etária delas. Não são tratadas como crianças que estão vivendo a infância e sim como mini adultos que acompanham agenda dos pais. Causando danos que vão se alastrar na vida adulta e prejuízos que mais tarde podem ser recuperados ou não”, Fernanda Benvenuti.

Joana D’arc, mãe de Sophia, 7 anos, também entende que privar sua filha de brincar não é saudável, pois a criança precisa correr, suar, interagir, ser livre para adquirir também alguns anticorpos. “O corpo necessita dessa defesa, e criar o filho em uma redoma vai fazer com que ele fique doente, antissocial e egoísta. Sou mãe de uma menina linda, e não me importo de vê-la brincar livremente”.

Por fim, Joana conta sobre um amigo que passou a infância lendo livros, hoje julga ser um homem culto e inteligente, mas veio conhecer o brinquedo Lego aos 34 anos e infelizmente tornou-se uma pessoa egoísta.

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