Comportamento

A busca por uma vaga na repartição pública

Mensalmente acontecem concursos públicos em todo o país

Texto: Caroline de Borba e Paula Dagostin
Foto: Adenilson Nunes

A ideia de participar de concursos públicos veio após Silvana Castro se frustrar na área de trabalho em que atuava. Jornalista formada, ela atuava em jornais impressos. “Eu escolhi me dedicar a concursos porque o mercado de trabalho para jornalistas estava muito ruim, principalmente no tipo de veículo que eu trabalhei desde que me formei, o jornal impresso”.

A estabilidade é um dos principais atrativos para a busca por um cargo na repartição pública. Ao levar em consideração o cenário econômico e político atual, o concurso público pode ser uma boa alternativa, especialmente para àqueles que não se adaptam à instabilidade comercial. A carreira privada pode ser gratificante, mas os benefícios, tais como plano de cargos e salários, são o que atraem as pessoas pelo exercício da função pública.

Entre as vantagens que os cargos públicos oferecem, a carga horária de trabalho mais flexível é uma delas. Para Silvana, as empresas jornalísticas, principalmente as que trabalham com notícias diárias, cobram de seus funcionários uma atenção de 24h quanto ao que está acontecendo ao seu redor e no mundo. “Além de ser demitida nos mesmos moldes do setor privado, outra vantagem é você não ser explorada. Você pode exigir que seus direitos como trabalhadora sejam respeitados e não ser demitida por causa disso”.

Silvana fez seu primeiro concurso no final de 2014, tentou outras sete vezes em 2015, mesmo que não sendo em sua área. Em 2016, voltou a se inscrever e prestou concurso cinco vezes, mesmo já tendo sido chamada para uma das vagas.  “No ano passado, mesmo saindo a confirmação que eu havia conseguido a vaga, fiz outros quatro concursos. Porém, fiquei com a primeira vaga e fui empossada como analista de comunicação em abril de 2016”.

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Foto: Adenilson Nunes

Para o advogado e professor de direito Luiz Magno Bastos, tanto a persistência, como saber administrar as frustrações das tentativas sem sucesso, são fundamentais na busca por uma vaga como servidor público. Bastos acredita que a demora na publicação do edital da vaga almejada e manter o foco, deixando a ansiedade de lado, são os maiores desafios enfrentados pelos concurseiros.

Assim como Bastos, o sócio administrador da Morgado e Guto Concursos, Luís Gustavo dos Santos, salienta que o aparato intelectual do candidato e a persistência são importantes, mas uma preparação longa e bem-feita contribui para a aprovação. “Alguns candidatos levam anos para alcançar seu objetivo. Muitos concursos são extremamente concorridos, o que eleva as dificuldades dos concurseiros, beneficiando de algum modo aqueles que podem se dedicar aos estudos”.

Se dedicando exclusivamente aos concursos, já que estava trabalhando como freelancer, Silvana relembra sobre sua rotina de estudos. Para ajudar a memorizar, fazia resumos de livros e dos conteúdos à mão. Mesmo em viagens, ela menciona que estudava no caminho. “Para um concurso que fiz no Rio de Janeiro, fiz um curso virtual de informática. Comprei livros de lógica e assisti aulas disponíveis no Youtube.  Quanto à língua portuguesa, eu sempre estudei, independentemente de ter prova”.

Para quem deseja prestar concurso, Luiz Bastos afirma que algumas dicas são traçar metas de estudo passíveis de realização e ter em mente a consciência de que, para obter sucesso, o candidato precisa passar por um longo processo de preparação. Além disso, pondera que os cursinhos não são fundamentais na aprovação, apenas ajudam os concurseiros a se organizarem nos estudos. “É absolutamente fundamental estudar sozinho”, garante.

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Foto: Jazmin Quaynor

Assim como em vestibulares, os cursinhos podem contribuir na orientação dos concurseiros quanto aos conteúdos que podem cair nas provas. Entretanto, o fator preponderante é o candidato, sua dedicação e o compromisso com os estudos, fatos que são determinantes para sua aprovação. “O curso é um facilitador, ele dá o caminho, contudo, a trilha, só pode ser vencida pelo próprio estudante”, explica Luís Gustavo.

Segundo Luís Gustavo, o interesse por concursos públicos se inicia a partir dos 20 anos e se estende até os 35 anos, porém há exceções. Nessa faixa etária, ainda por vezes sem ter uma condição financeira estável, os concurseiros encontram alguns desafios. Além de problemas particulares, há ainda a necessidade de subsistência antes da aprovação, o que faz com que muitos tenham que se dividir entre os estudos e o trabalho.

Para Silvana Castro, os gastos também podem ser um problema. Como os concursos públicos acontecem em todo o Brasil, muitos prestam as provas em outras cidades. Com isso, há os gastos com passagem de ônibus ou avião e a hospedagem. Além dos gastos financeiros, os concurseiros podem encontrar erros nas provas, o que acaba comprometendo o resultado. “Me senti prejudicada pela falta de preparo de algumas bancas, principalmente na elaboração de provas de jornalismo. Tive que entrar com recursos para tentar reverter gabaritos”.

Mesmo que os concursos pareçam uma boa ideia, Bastos explica que na hora de optar por realizar um concurso, a pessoa deve ter em mente se o trabalho de um servidor público é compatível com seu estilo e meta de vida. “Em um primeiro momento, a remuneração e a relativa estabilidade que o servidor público possui são maiores do que, em geral, oferece a iniciativa privada. No entanto, há determinados limites tanto no crescimento profissional quanto nas atividades praticadas que podem gerar, a médio e longo prazo, frustração”.

De acordo com matéria veiculada no portal Correio Braziliense em 2016, o Brasil emprega mais de dois milhões de funcionários, isso somente em âmbito federal, segundo informações do Boletim Estatístico de Pessoal, do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Já no âmbito municipal, há mais de 6,5 milhões de servidores em 2015, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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