Comportamento

Parada LGBT causa polêmica, sofre resistência, mas acontece em BC

Parada LGBT movimentou o domingo de Balneário Camboriú

Texto: Danilo Vieira e Dyovana Koiwaski

Veto da prefeitura do município,  Justiça entrando em ação e determinando a realização do evento e muita polêmica. A Parada LGBT finalmente aconteceu em Balneário Camboriú no último domingo (12), mas segue envolvida em discussões entre alas conservadoras e liberais da política da cidade mais visitada do litoral sul de Santa Catarina

A parada de 2017, contudo, demorou para sair do papel. Isso porque a prefeitura da cidade, em setembro, vetou o evento. Na época, o secretário Miro Teixeira utilizou a seguinte justificativa para explicar. “Não apresenta apelo turístico e econômico para a cidade”, argumentou.

Encontrando dificuldades para realizar a parada desde 2012, a organização do evento, porém, recebeu boa notícia da Justiça de Balneário Camboriú, através de determinação da juiza Adriana Lisbôa, da Vara da Fazenda Pública, que determinou à prefeitura a “se abster de praticar qualquer ato, através de seus comandados que interfira no direito à realização da parada. E que auxilie no que for necessário”. Além disso, lembrou que “há sim tratamento diferenciado do caso, pois não se verifica qualquer proibição de outras manifestações públicas”.

O evento, apesar de todos os empecilhos, ocorreu com tranquilidade no último domingo. Percorrendo toda a Avenida Atlântica, um grupo com cerca de 300 pessoas, segundo a organização do evento, cantou gritos de ordem e manifestaram-se através de faixas e cartazes pedindo o fim da violência e o preconceito contra os LGBT.

A organização do evento foi procurada pela reportagem e explicou a finalidade da parada.

“A Parada de Balneário Camboriú tem por finalidade discutir, fomentar, vencer preconceitos e promover vida digna à comunidade LGBT (sigla que significa: lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros e é utilizado para identificar todas as orientações sexuais minoritárias e manifestações de identidades de gênero divergentes)”, explicou um dos organizadores.

O grupo Semear Diversidade também participou do evento e através de Ana Lodi falou sobre a luta acerca dos direitos LGBT. “Não estamos vivendo retrocesso. Já tivemos muitos avanços que os conservadores estão reagindo aos nossos avanços. Vamos falar mais alto para que os negros não votem pra senzala, para que as mulheres não voltem para a cozinha e que os gays não voltem para o armário”, disse.

Ricardo Medeiros, coordenador da parada, explicou a luta da comunidade LGBT e deixou seu recado aos governantes da cidade. “As pessoas que estão aqui são muito jovens, mas elas já entenderam que é preciso ter racionalidade para votar, para escolher quem vai direcionar o poder público na cidade delas. Temos que falar e discutir política com os LGBTs porque é nosso futuro que está em jogo”, argumentou.

LGBT’s OPINAM

Na Avenida Atlântica, principal local de tráfego da cidade litorânea e também da parada, a reportagem da Agência Prefixo preferiu dar voz aos manifestantes em vez de ouvir possíveis discursos contrários ao acontecimento. Nesse sentido, o jovem estudante Luiz Pena comemorou o evento.

“Houve resistência da prefeitura, mas vencemos. Eles (governantes) têm que nos ouvir mais, estamos na luta e queremos que ela seja reconhecida”, bradou.

Ao lado do jovem, uma atenta participante ouvia as declarações do companheiro de luta e nos procurou para dar sua opinião.

“Em metrópoles do Brasil não existe essa resistência conversadora que acontece aqui (Balneário Camboriú). Todo ano é a mesma coisa. Mas que eles saibam que não vamos desistir”, afirmou Juliana, que não quis ter o sobrenome revelado.

Divulgação

NÚMEROS CONTRARIAM VETO DA PREFEITURA

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a Parada LGBT movimenta a economia e gera lucros para comerciantes e empresários do ramo da hotelaria. Além de ser considerada a maior do mundo, recebe apoio da Prefeitura Municipal com um incentivo de R$ 1,5 milhão. Em 2017, por exemplo, o evento movimentou R$ 2,4 milhões por dia e teve apoio até de João Dória, prefeito da cidade.  “A parada é, ao lado da Fórmula 1, o maior evento de fluxo turístico da nossa cidade, tem um impacto econômico de grande expressão. Além da causa, contribui para a economia, gerando renda, empregos e imagem internacional”, disse.

PERIGOS DE PROIBIÇÃO RETRATADOS EM NÚMEROS DAS MORTES NO BRASIL

Se parece inofensivo uma proibição de uma prefeitura acerca da realização da Parada, os números de mortes por preconceito contra a comunidade LGBT provam o contrário. De acordo com recente pesquisa divulgada pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), mais antiga associação de defesa dos homossexuais e transexuais do Brasil, o país é o que mais mata lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Em 2016, ano com maior incidência de mortes, 172 gays perderam suas vidas no Brasil por crime de ódio. 144 transexuais, 10 lésbicas, 4 bissexuais e 12 T-lover (amantes de transexuais) também entraram para a triste estatística.

ENTENDA CADA SIGLA LGBT
Transexual
Termo genérico que caracteriza a pessoa que não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído quando de seu nascimento.

Mulher transexual
Pessoa que reivindica o reconhecimento como mulher

Homem transexual
Pessoa que reivindica o reconhecimento como homem

Travestis
São as pessoas que vivenciam papéis de gênero feminino, mas não se reconhecem como homens ou como mulheres, mas como integrantes de um terceiro gênero ou de um não gênero. Preferem ser tratadas no feminino.

 

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