Opinião

Jornalistas consagrados defendem racismo de William Waack

Texto: Danilo Vieira e Dyovana Koiwaski

“É preto. É coisa de preto”. As palavras racistas de William Waack, um dos principais jornalistas do país e figura consagrada na Rede Globo, em um vídeo de bastidores nas eleições americanas em 2016, viralizaram em todas as mídias na última semana e abalaram as estruturas do jornalismo da emissora mais poderosa do país. Seria conivente a TV Globo com um de seus melhores âncoras, ou o puniria, qual seria a medida adotada? A emissora carioca resolveu afastar Waack dos trabalhos por tempo indeterminado. O assunto poderia estar encerrado, mas eis que surgem jornalistas de todas as partes defendendo-o, ou tentando defende-lo, em seu discurso racista.

A principal voz defensora de Waack surgiu da emissora concorrente da TV Globo e é administrada pelo “patrão” Silvio Santos, o SBT. A apresentadora de telejornal Rachel Sheherazade decidiu, nas redes sociais, mostrar apoio ao jornalista, culpou setores da esquerda por uma suposta perseguição e condenou o que ela classifica de “hipocritamente correto”.

“Um dos jornalistas mais brilhantes da TV brasileira foi o último alvo dos fundamentalistas da moral seletiva. Caiu na armadilha pérfida dos coleguinhas invejosos, esquerdistas acéfalos e medíocres de todas as nuances. O ‘hipocritamente correto’ venceu mais uma vez. Feriu de morte o brilhante Paulo Francis, atropelou Boris Casoy, trapaceou Reinaldo Azevedo e agora condenou à execração pública William Waack. E o jornalismo brasileiro fica a poucos passos da total acefalia”, disse a apresentadora.

Reinaldo Azevedo, ex-colunista da Veja, também saiu em defesa do que ele classifica de “amigo”. “‘Ah, mas a piada foi infeliz…’ É estupefaciente que isso esteja em debate. Quantos dos que me leem ou dos que atacam William nas redes resistiram à exposição pública de falas privadas? Se disse aquilo, não o fez para que fosse ao ar. Não era matéria de interesse público”, argumentou o jornalista.

Apesar do apoio vindo de colegas de profissão, levando fatores ideológicos em consideração, Waack foi afastado pela emissora. A Rede Globo disse ser “visceralmente contra o racismo”. (Veja trecho da nota abaixo).

“A Globo é visceralmente contra o racismo em todas as suas formas e manifestações. Nenhuma circunstância pode servir de atenuante. Diante disso, a Globo está afastando o apresentador William Waack de suas funções em decorrência do vídeo que passou hoje a circular na internet, até que a situação esteja esclarecida.”

A emissora teve apoio do Sindicato dos Jornalistas que, em nota, lembrou que é papel do jornalista prezar pela diversidade e respeito.

“É papel dos jornalistas prezar pela diversidade e respeito à igualdade racial e os comentários feitos são incompatíveis com a continuidade do jornalista no exercício das suas funções atuais na emissora”, diz a nota. “Dessa forma, apoiamos o afastamento definitivo do apresentador, uma vez que reivindicamos a eliminação de todas as formas de manifestação e/ou representação de racismo e qualquer outro tipo de discriminação e intolerância.”

RACISMO EM ALTA?

Fato é que William Waack foi sim racista. Os números da violência contra o negro divulgados pela ONU na última terça-feira (7) refletem o racismo. De acordo com a Organização das Nações Unidas em parceria com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), um jovem negro morre no Brasil a cada 23 minutos.

No Rio de Janeiro, por exemplo, de acordo com números da Lei de Acesso à Informação, realizada entre janeiro de 2016 e março de 2017, constatou que de cada dez jovens mortos na capital carioca, nove são negros.

Em junho, números do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostraram ainda mais gravidade na alarmante situação de racismo instalada no Brasil: entre 2005 e 2015, o número de negros jovens mortos no país subiu 18,2%, enquanto de indivíduos considerados não negros diminuiu para 12,2%.

Os números mostram que a sociedade racista se reflete nos mais variados meios. Na situação de falta de ética e moral preocupante que o país atravessa, casos como o de William Waack evidenciam uma grave falha também no jornalismo, no qual o individuo é responsável por influenciar opiniões e disseminar ideias, e tendo por princípio prezar pela harmonia social. O oposto do ocorrido com o apresentador da TV Globo.

Já alertava Martin Luther King: “Temos de aprender a viver todos como irmãos ou morreremos todos como loucos.”

 

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