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O preço do lixo de cada dia

Recolhimento, descarte e reaproveitamento do entulho em Balneário Camboriú

Texto Samara Michele e Patrícia Barbosa

Em diversos pontos de Balneário Camboriú são encontrados entulhos. Desde materiais de construção até móveis jogados sobre as calçadas. Muitos desses objetos são recicláveis e poderiam ser descartados de forma correta. Só em Balneário existem mais de 20 empresas de disk entulho cadastrados na Prefeitura, recolhendo os resíduos e depositando em local apropriado.

O empresário Leodir José Gasperi (57) trabalha na área há 16 anos e conta que, apenas na cidade de Balneário Camboriú, são transportadas mais de 25 caçambas diariamente, o que dá em média 350 a 400 por mês. No entanto, cada caçamba varia de preço dependendo do entulho. “Eu recebo para recolher e pago para depositar, por isso que tem um preço determinado, e os lugares são diferenciados”.

Os valores mudam de acordo com o tipo de entulho e seguem uma tabela variando de R$ 130 até R$ 150 para alugar uma caçamba por três dias. O material é classificado em entulho limpo (caliça, tijolo, telha, areia), móveis domésticos e entulho sujo (final de obra, limpeza de terreno, construção civil), custando até R$ 350 quando se trata de gesso, metais e concreto.

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Chegando ao local de descarte, a caçamba é identificada através do tipo de resíduo e logo após depositado no pátio. Todo material passa por um detector de metais. Se for demolição, vai para a pedreira. Através de uma peneira vibratória, é possível classificar os produtos de pequeno, médio e grande porte. Os resíduos mais pesados são triturados na pedreira por aparelhos específicos, e os mais finos são usados para preenchimento de vigas. Os mais grossos transformam-se em brita para reutilização na construção civil. As britas são classificadas em três produtos, tornando-se praticamente areia brita e cimento que servem como base para o asfalto.

Se for móvel ou objetos de origem doméstica é feito uma seleção manual. Os materiais são separados e vendidos para indústrias sucateiras, sendo tudo reaproveitado, reutilizável e reciclado.

“Reciclar é praticar a logística reversa, é colocar na cadeia produtiva aquilo que era jogado na natureza. Com isso, nós temos um ganho ambiental, social e econômico”. Paulo Caseca, Engenheiro e Diretor Técnico da empresa Recibrás

 TIPOS DE CAÇAMBAS

O tamanho da caçamba é medido em metros cúbicos (m³) e pode variar de 3m³ até 30m³.

Caçamba 3m³ = 4,8 toneladas = 270 sacos de entulho de 10 litros = 61 carrinhos de mão de terra;

Caçamba 4m³ = 6,4 toneladas = 360 sacos de entulho de 10 litros = 82 carrinhos de mão de terra;

Caçamba 5m³ = 8,0 toneladas = 450 sacos de entulho de 10 litros = 103 carrinhos de mão de terra.

 As caçambas de entulho acima de 9m³ são destinadas para resíduos mais leves, pois caso sejam despejados materiais mais pesados, o caminhão não conseguirá realizar a retirada da caçamba devido ao peso total que suporta. As de entulho de 15m³ e 30m³ possuem uma capacidade maior de peso e tamanho dos entulhos. Esse tipo é utilizada para transportar madeiras e material pesado.

Processo burocrático

Naiara Meltuir, coordenadora de Projetos Especiais da Secretaria do Meio Ambiente (SEMAM) de Balneário Camboriú, ressalta que a cidade está avançada, mas ainda é precária em relação às políticas públicas de resíduos sólidos. Baseada na Lei municipal 2508/2005 regulamentada pelo decreto 5125/2008 que estabelece o sistema de gestão sustentável, Naiara chama atenção que a Lei prevê a criação de um núcleo permanente de acompanhamento, na qual deveria existir, desde 2008, quando saiu o decreto regulamentador. Porém, até os dias atuais, ainda não foi criada. “É um núcleo que precisa urgentemente ser elaborado para dar mais eficácia à essa Lei e ao regulamento”.

Para a coordenadora, o plano é bem elaborado e de fácil aplicabilidade, estabelecendo uma responsabilidade que conhecida de tripartite, pois envolve a responsabilidade do poder público, dos transportadores e dos recebedores desses resíduos.

Em 2012, a gestão administrativa elaborou o Plano Municipal de Saneamento Básico, criando o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS). A questão é que a Lei e a Política Nacional preveem que isso seja possível desde que cumpridos os requisitos das diretrizes, ações, metas, princípios e instrumentos que a política nacional determina. Balneário Camboriú, por sua vez, não cumpriu com o plano de resíduos que fora integrado ao Plano de Saneamento Básico. Por isso, não teve validade perante os olhos do Ministério do Meio Ambiente, o que pode ser verificado através de consulta pública feita no Sistema Nacional de Informação de Resíduos Sólidos (SNIS), onde consta uma tabela de todos os municípios do Brasil.

A elaboração de uma Política Municipal é uma das propostas da gestão atual, junto com a responsabilidade de revisar o Plano de Saneamento, revisto a cada quatro anos.

Enquanto isso os principais bairros da cidade como Nações, Vila Real e Municípios sofrem com o acúmulo de entulhos que até então só a Prefeitura tem a obrigação de recolher.

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