Comportamento

Profissionalização e tecnologia motivam jovens a permanecer no campo

Capacitações buscam fortalecer a atividade rural e transformar o campo em uma alternativa viável para este público

Texto por: Dyovana Koiwaski e Danilo Vieira

Manter os jovens determinados a seguir no trabalho com a terra por meio da capacitação técnica, do desenvolvimento de liderança, associativismo e empreendedorismo. Esse é o objetivo do programa Jovens Rurais, promovido pela Epagri em algumas cidades catarinenses.

Em cada uma delas, são promovidos de oito a dez encontros anuais, direcionados a temas específicos que incluem visitas de campo. De acordo com o gerente regional da Epagri de Joinville, Hector Sílvio Haverroth, estão entre os temas abordados o cooperativismo, análise de mercado, custos de produção, agroindústria, rotulagem de produtos, impostos e turismo rural.

“Trabalhamos liderança, gestão e empreendedorismo, com cursos profissionais voltados para cada atividade”, esclarece. Ainda de acordo com Haverroth, o cultivo do arroz, banana, palmeiras, assim como a piscicultura são dominantes em Santa Catarina. “A olericultura e o turismo rural têm crescido bastante”, assinala.

A extensionista rural do escritório da Epagri em Jaraguá do Sul, no Planalto Norte, Josiane de Souza Passos, destaca que os cursos, as palestras e as dicas estão voltados aos jovens que tiram o sustento do campo e fazem parte de um universo aproximado de 1.100 famílias.

Parte das capacitações promovidas ao longo do ano acontece no Centro de Treinamento de Joinville. Para o evento, os participantes sugeriram dicas de como tornar mais eficaz a comunicação no meio rural, por meio de ferramentas como Whatsapp.

Segundo Josiane, as capacitações buscam fortalecer a atividade rural e a transformar o campo em uma alternativa viável para este público. “Ainda temos o jovem que fica parte do dia na indústria e outro na agricultura, os que se dedicam somente à propriedade, e aqueles que estão voltando para o campo por causa das dificuldades do mercado de trabalho”, comenta.

Uma das características da nova geração é levar novidades para a atividade agrícola. “Alguns jovens se identificam e vêm com ideias novas, bem mais informados”, complementa. Josiane destaca que os participantes são desafiados a escolher uma área para especialização e a buscar recursos por meio de projetos para investir nas propriedades.

Com o intuito de contribuir para a sucessão familiar, desde 2013, a Epagri também passou a reunir os pais dos jovens agricultores. Os cursos são bancados pelo programa SC Rural e em parte subsidiados pela CooperJuriti.

Programa incentiva implantação de melhorias em diferentes atividades agrícolas

O jovem produtor rural Adélcio Kniss, 26 anos, é quem está assumindo a propriedade da família, localizada em Luiz Alves, região do Vale do Itajaí. Nos 24 hectares de terra já é possível ver algumas inovações colocadas em prática nos últimos anos. “A nossa principal atividade é a bananicultura, mas agora também diversificamos em palmeira pupunha, gado de corte, produzimos biofertilizantes e temos cultivo protegido para consumo próprio”, explica Kniss.

Adélcio participou do curso de alternância para jovens rurais em 2015. De lá pra cá, com apoio e incentivo do pai, Plásio Kniss, ele implantou melhorias importantes nas terras graças às ideias que surgiram durante o treinamento. “O curso foi muito bom, pois tivemos acesso a outras realidades, culturas e formas de manejo. Gostei muito da ideia do abrigo protegido”, lembra o jovem agricultor.

O produtor rural Luan Scheibel, 25 anos, que vem de uma família dedicada à produção leiteira e à bananicultura no bairro Rio da Luz, em Jaraguá do Sul, também garante estar feliz em se dedicar ao meio rural. São mil pés de banana caturra e prata e 15 cabeças de gado. Ainda são produzidos mousse de banana e melado de cana. “Já trabalhei em fábrica por sete anos, mas há dois anos voltei para a agricultura”, conta.

A guinada ocorreu depois do curso de empreendedorismo rural. “Esses cursos dão mais visão para administrar a propriedade”, opina. Como inovação, levou a ideia de melhorar a pastagem para aumentar a produtividade e promover a rotação de culturas na propriedade. Luan entende que para crescer na atividade é preciso “aplicar novas tecnologias”.

 

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