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A arte de rua como forma de viver

É necessária a atenção do poder público para com os artistas de rua que, assim como os outros, precisam de incentivos para suas aparições

Texto: Bruna Souza e Roberta Ribeiro

O encontro da vida com a arte. A Arte Urbana, em inglês street art, surgiu nos Estados Unidos na década de 70 e normalmente possui caráter crítico relacionado à sociedade, política e economia.  No Brasil, a arte de rua surgiu na mesma época em meio a ditadura militar. Apesar de alguns terem conquistado espaço nos meios de comunicação de massa fazendo representações do momento político, poucos artistas foram conhecidos porque eram marginalizados pelos seus trabalhos – o que ainda acontece muito nos dias de hoje.

Em pesquisa encomendada pelo observatório do turismo de São Paulo, o principal motivo dos paulistanos fazerem arte de rua é a geração de fonte de renda (33%), seguido de paixão (22%), difundir arte e cultura (19%), contato com o público (14%), alavancar carreira e divulgação (6%), liberdade (4%), incentivo de outros (4%) e outros motivos (9%). Além disso, a pesquisa aponta que 62% possuem outra ocupação e 38% vivem apenas do trabalho artístico.

20785781_1659066894105135_3302054273965489217_oFoto: Divulgação

Segundo João de Castro, artista de rua, morando atualmente em Balneário Camboriú, “é possível sim viver da arte e as pessoas procuram cada vez mais consumir aquilo que a rua proporciona”. João é estudante de gastronomia, vive em uma Kombi e faz artesanatos, suas mãos delicadas indicam sua sensibilidade, é apaixonado pelo que faz e encontrou no seu trabalho e no curso universitário uma forma de desabafar e ganhar seu sustento.

O jovem se encontra todos os dias com os amigos que também usam suas habilidades com a arte para ganharem a vida em lugares estratégicos de Balneário Camboriú. Marcelo Dias é malabarista e afirma que sempre busca novas técnicas para surpreender as pessoas que o assistem no semáforo ou em outros locais. “Preciso surpreendê-los porque são essas pessoas que de moeda em moeda me ajudam a sobreviver”.

Os trabalhos não são necessariamente apresentados em museus ou exposições. Podem ser encontrados em lugares alternativos e de diversas maneiras, como: intervenções artísticas, grafite, dança, poemas, circo, colagens e estátuas vivas.

Para os artistas de rua, suas manifestações artísticas públicas são maneiras de apresentar a identidade de cada um, mas cada indivíduo precisa exercer seu papel social 

Como exemplo de sucesso na arte de rua podemos citar Eduardo Kobra que começou a exibir suas obras desde 1987 na periferia de São Paulo. Logo espalhou seus trabalhos pela cidade, e hoje ganhou destaque no mundo todo pelas suas ilustrações. O muralista cria novas técnicas e expõe dentro e fora do país dando mais cores aos muros das cidades.

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Embora haja resistência tanto do poder público quanto da sociedade para aceitar estes artistas, é necessário maior visibilidade dos poderes já que os artistas não possuam local fixo para suas aparições. Algumas proibições de manifestações públicas vão contra o que diz a Constituição Federal. “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;”

Para o poeta de rua Adrian Moraes, a escrita é uma forma de representação da sociedade a partir daquilo que ele vê e este é o jeito mais bonito de ilustrar este mundo triste.

Abaixo um poema de Adrian:

Punhos e Rosas

A violência assusta,
Mas também fascina
A busca paz em
Tempos loucos, alucina,
Escorrendo pelos dedos
A verdade ninguém vê,
O corpo acidentado, o
Corpo esfaqueado, todos
Param para ver, até você;
E as flores no jardim;
Ninguém vai regar;
E por falta de esperança
É que elas vão murchar.

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