Tecnologia

Tecnologia x aprendizado: até quando eletrônicos serão proibidos em sala de aula?

Escolas de Itajaí e Balneário Camboriú já se adéquam às modernidades para atrair a atenção dos estudantes

Texto: Gabriel Silva e Sérgio Augustin

Foto: Divulgação Secom – Itajaí

“Combater a tecnologia em sala de aula é quase uma guerra perdida”, relata Helena Cristina, professora de educação artística numa escola de ensino médio de Itajaí. Ela, assim como outros professores, até tentou proibir o uso de aparelhos celulares ou outros meios eletrônicos, mas não vê resultado em tanto pedir. “Acabamos nos aliando a este inimigo”, afirma.

Helena fez um exercício de fotografia com o celular. “Os alunos precisavam tirar fotos de coisas dentro da escola, que fizessem uma releitura das obras de arte clássicas. Eles poderiam também posar nas fotos para imitar O Grito, de Edvard Munch, por exemplo”. Os alunos gostaram. “Foi uma das melhores atividades que fizemos na aula de arte”, comenta Rafael Teixeira, de 16 anos. Porém, a iniciativa gerou polêmica. “Outros professores e até alunos de outras turmas vieram reclamar que tinha uma sala de aula zanzando pelo pátio externo com o celular na mão. Precisei conversar com a professora, entender a atividade, e explicar para quem reclamava”, explicar Thiago Azambuja, diretor. “Eu defendi a Helena e ainda sugeri que os outros professores utilizassem a tecnologia em favor das aulas”!

Para a aluna do segundo ano do ensino médio, Bruna de Serqueira, os professores poderiam usar os celulares como ferramenta de estudo também: “Nós fazemos pesquisa na internet, nos comunicamos pelos telefones celulares, então poderíamos aprender algo também. É uma forma de usar a tecnologia em favor das pessoas, não contra elas”.

Estudantes da Escola Aníbal César fazem simulado da Prova Brasil_74800-Fotógrafo(a) - Divulgação
Estudantes da Escola Aníbal César em Itajaí (SC) fazem simulado da Prova Brasil

Em Itajaí, a Secretaria de Educação está se rendendo a estes aparelhos eletrônicos. As escolas da rede municipal de ensino estão aplicando provas pela internet, por meio da plataforma Google For Education. Duas escolas já aderiram ao sistema: a Escola Básica Mansueto Três, no bairro Bambuzal, e a Escola Básica Gaspar da Costa Moraes, no bairro Fazenda. Os computadores ficam na própria unidade de ensino e, com a supervisão do professor, os alunos realizam testes online. “Este método facilita para os professores, que não precisam corrigir as provas aplicadas. A plataforma oferece outros benefícios, como gerar gráficos de resultados, tanto por turma quanto individualmente, e economia no gasto de papel”, explica a secretária de educação de Itajaí, Elizete Furtado.

O sistema também mostra o percentual de acertos e erros por questões, mostrando em quais assuntos os alunos possuem mais ou menos facilidade. Os professores que participam da novidade garantem que existe maior aproveitamento, já que os alunos se interessam mais pela atividade e até prestam mais atenção na prova. “O rendimento subiu bastante, porque os alunos leem as perguntas com mais atenção e racionam, procurando a resposta. Eles querem acertar mais, ao invés de fazer a prova de qualquer jeito para terminar logo”, reflete Rute Costa, professora do 6º ano do ensino fundamental.

“Entendemos que esta forma de avaliar os alunos, além de gerar economia de material aos cofres públicos, contribui para promoção da sustentabilidade, sobretudo a inclusão digital”, analisa Eliane Bittencourt, Diretora do Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação. Ao todo, 34 mil contas do Google Sala de Aula serão criados para os alunos e professores das escolas públicas.

Treinamento

Para que o Google for Education seja bem aproveitado em Itajaí, os professores receberam cursos do próprio Google. Foram 8h de aula presencial, mais 36 horas de instrução online. O coordenador do Centro Tecnológico de Informação e Modernização Administrativa, o CTIMA, acredita na mudança partindo do interesse dos alunos e na facilidade de uso do sistema: “esse projeto da Google, disponibilizado gratuitamente, vai possibilitar para cada aluno e professor novas estratégias pedagógicas de colaboração, participação e interação”, afirma Murillo Sodré de Souza.

A ferramenta

Em todo mundo, o Google for Education já conta com 20 milhões de alunos e, de acordo com informações da própria multinacional, sete das oito melhores universidades dos Estados Unidos utilizam a ferramenta. Os professores interagem com alunos pelo e-mail, Drive, Agenda, YouTube Educação e Sala de Aula, de forma interativa.

Alterações em leis

Em Balneário Camboriú, professores e servidores da Secretaria de Educação solicitaram adequação à lei que proíbe o uso de telefone celular e outros aparelhos eletrônicos dentro das salas de aula pública e privada da cidade. “É necessário que a lei seja atualizada, e professores possam utilizar os dispositivos na prática docente. Não estamos querendo que seja liberado para os alunos usarem de qualquer forma, mas sim para usarmos no aprendizado”, explica o coordenador dos professores de matemática e informática, Juliano Júnior Machado.

 Segundo a professora de Matemática do Centro Educacional Ivo Silveira, Vera Magnani, a “tecnologia faz parte da vida dos alunos e o professor tem que se atualizar. O aluno já nasce com a tecnologia, cabe a nós nos adequarmos”.

 Santa Catarina em desenvolvimento tecnológico educacional

Em Blumenau foi criado um espaço de formação e experimentação em tecnologia educacional. O Efex é o chamado espaço físico para criação e compartilhamento de ações pedagógicas inovadoras. O ambiente é voltado aos professores da rede pública, onde é permitido experimentar tecnologias educacionais, ao mesmo tempo em que aprimoram estratégias no uso de instrumentos e recursos digitais. “Queremos oferecer aos professores um local convidativo para conhecer e testar dispositivos, recursos digitais e metodologias, desenvolvendo e compartilhando planos de aula que possam melhorar práticas pedagógicas”, explica Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do Efex em Blumenau.

O espaço conta com recursos como cortadora a laser, cortadora de vinil, kits de eletrônica e protoboard, kits de invenção e de robótica, além de notebooks e tablets. Também estão disponíveis ferramentas para criação de mídias, estrutura para filmagens de vídeo-aulas, câmera fotográfica e kits de iluminação.

O secretário de estado da educação, Eduardo Deschamps, acredita que o local é “um presente aos professores no momento em que vemos o impacto da tecnologia em sala de aula”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s