Notícias

Tales Coirolo: o nome por trás de “Sophia Panthera”

A criatividade do artista que possui diversas influências, artísticas e cotidianas, para criar sua identidade

As pessoas encontram formas diferentes de se expressarem. Isso vai de acordo com a sua realidade, seus gostos e limitações. Algumas escrevem, outras recorrem à música ou às artes plásticas, por exemplo. Tales Dutra Coirolo, natural de Porto Alegre, sempre foi fascinado pela possibilidade de comunicação que as imagens possuem. E encontra nelas, desde a infância, sua forma de se expressar. “Sempre desenhei mal comparado aos colegas virtuosos. Minha carreira artística inicia, não parecendo um início, mas sim uma continuação de uma teimosia em desenhar.”

Com um estilo marcante, Tales criou uma forte identidade para suas produções artísticas, assim como uma nova identidade para assiná-las. O codinome Sophia Panthera surgiu com a necessidade de criar um nome para um encontro de grafite que o artista participou em 2013. “Aí escolhi um nome de mulher, meio travesti trans, para dar uma causada no rolê”.

Brincadeiras à parte, Tales explica que a construção do nome “Sophia Panthera”, usado para assinar seus grafites e pinturas, surgiu da ideia de representar a sabedoria dos felinos. “Sophia” em Grego significa “sabedoria” e “Panthera” representa esses animais. “Este nome também faz uma homenagem à Sophia Lorem, uma atriz admirada pelo meu pai. Eu adoro as italianas e suas descendentes”. Por último, mas não menos importante, este nome também faz referência ao Partido Pantera Negra para Auto-defesa, organização política revolucionária norte-americana.

Com um estilo que cruza as artes visuais e design, Tales tem como influência o graffiti e o punk DIY (sigla para “do it yourself”, ou “faça você mesmo”) e o pós-acadêmico da cena artística dos anos 90. “Sou de rua, criado, ou mal-criado na boemia underground porto-alegrense. Sou e fui fã de Deffala, Replicantes, Cascaveletes, Black Sabbath e Beastie Boys. Nas artes, gosto de pintores técnicos e realistas de todas as épocas. Eles contrastam com o meu estilo sujo.” O artista, fã de arte primitiva e oriental, aponta o dadaísmo e surrealismo psíquico como pilares da cultura artística e estilos que também fazem parte do conjunto de suas influências.

22045654_1778753225500303_5371351356447006593_n
Trabalhos assinados por Sophia Panthera

“A cultura e a arte fora do eixo eurocêntrico norte americano é a única saída para um mundo melhor. Meu estilo é uma consequência da minha personalidade e aceitação dos meus defeitos, transformados em efeitos. Hoje, uso cores infantis, técnica de pintura impressionista, temas suavemente agressivos, ícones de design gráfico, letreiros tradicionais e retratos realistas.”

O primeiro contato do artista com as técnicas de desenho foi aos 16 anos, em um curso de desenho publicitário. Nos anos 90, Tales cursou artes plásticas no Instituto de Artes da UFRGS, mas não concluiu. Formou-se em Design de produto na ULBRA. Mudou-se para o Vale do Itajaí em 2011 e atualmente, é professor Mestre nos cursos de design de moda e design da Univali e Furb. “Devo parte disso às minhas psicopedagogas e psicólogas que, na minha infância, diagnosticaram minha dislexia e me mostraram que um desvio de padrões de aprendizado não corresponde a um defeito ou desmérito, mas sim a uma qualidade diferenciada.” Tales trata a dislexia, assim como a sua arte, como um modo de ver o mundo de forma particular. “Não foi fácil, principalmente na adolescência. Mas agora sou Panthera”.

Todos os fatores que tornaram Tales “Sophia Panthera” também fizeram com que ambos os nomes fossem admirados. Seja por apreciadores de sua arte, amigos e alunos do artista. “O Tales foi um dos melhores professores que eu tive. Não só por ensinar muito sobre design, técnicas de desenho e pintura, mas também por sempre ter conversas ótimas sobre o mundo, a cena cultural atual e antiga do mundo e do Brasil e ideias de vida. Além de ser um grande artista, com um traço característico e ótimos grafites”, conta Vitor André Zen, acadêmico do curso de Design da Univali.

Tales que afirma sofrer de uma ansiedade melancólica, é também apaixonado por surf. E não apenas as artes de “Sophia Panthera” são admiradas, mas também a pessoa singular por trás desse codinome artístico. “O Tales possui bastante referências, indica bons livros, é autêntico e criativo. Tem um estilo bem marcante na arte. É fácil reconhecer um desenho dele. É meio doidinho e levemente filosófico”, afirma sua ex-aluna, Letícia Roberta Oliveira, formada em Design pela Univali.

22780251_848537298657092_5457845058520409670_n
Tales é amante do surf, da arte e cultura punk

O artista tem procurado expor oficialmente uma vez ao ano, desde 2010, para registrar sua sequência de trabalhos. Sua última exposição aconteceu no fim de setembro, no Lote84, na Praia Brava, e reuniu seus trabalhos dos últimos quatro anos. Foram exibidos pinturas e lambes. As pinturas misturando técnicas impressionistas, estudos de perspectiva atmosférica, pintura de letreiros, iconografia bidimensional, arte realista e figurativa, em uma paleta de cores vivas marcadas por contornos negros. Já seus lambes, têm como base revistas de moda japonesas e papeis reaproveitados. Com pintura em tinta acrílica, spray, cola e recortes, foram criados originalmente para as ruas.

“No mundo das artes, a fantasia se mistura com o real e a realidade é só um dos suportes para o que chamamos de vida.”

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s