Comportamento

Tecnologia e Geração Alpha: o que as crianças fazem na internet?

Pais devem orientar sobre a utilização das ferramentas e acompanhar o histórico de acesso dos filhos

Texto: Caroline de Borba e Paula Dagostin
Foto: Caroline de Borba

A recepcionista Micheli de Oliveira não deixa a filha acessar a internet sozinha, procura sempre ficar por perto. Alice, a pequena de cabelos ondulados e com três anos, gosta de acessar o Youtube para assistir desenhos. Em vista dos perigos, Micheli tenta evitar esta plataforma. “O Youtube estou evitando, por não conseguir controlar muito. Estou optando mais pela Netflix, onde criei um canal específico para ela. Eu oriento muito, converso bastante, digo que não pode, coloco limites”.

De acordo com pesquisa divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI/BR), no ano de 2016, 22 milhões de crianças e adolescentes utilizaram o celular para jogar, navegar e pesquisar na internet. Esses entrevistados admitiram o contato com assuntos discriminatórios, automutilação e métodos de emagrecimento.

Com a intenção de auxiliar pais e responsáveis sobre a supervisão dos conteúdos acessados pelos filhos, o CGI/BR e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto Brasil (NIC/BR) lançaram o portal Internet Segura. Entre os conteúdos disponíveis, os internautas encontram guias, brincadeiras e materiais que conscientizam sobre o uso seguro da internet no Brasil.

A doutora em Educação Sandra Vanzuíta afirma não haver uma idade ideal para o acesso das crianças à internet, visto que, desde muito novas, são expostas a esta plataforma, por meio de desenhos e vídeos. O correto, de acordo com a doutora, é que estas crianças recebam o acompanhamento e supervisão necessários para fazer bom uso do meio, não tendo um acesso excessivo ou a conteúdos inadequados.

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Ítalo mexe diariamente no celular de sua mãe e deixa de lado os brinquedos (Foto: Caroline de Borba)

A zeladora Simone Polva, mãe do pequeno Ítalo Matheus, de 7 anos, revela que o filho tem acesso a tudo em seu celular, então, precisa cuidar com certos conteúdos a que o filho pode ser exposto. “Eu acredito que ele é muito novo para ter seu próprio aparelho. Por isso, deixo ele usar o meu e ter acesso a alguns conteúdos infantis e jogos. Porém, sempre estou de olho”.

Psicóloga e pedagoga, Josiane da Silva Delvan da Silva partilha da mesma opinião de Sandra e alega que, mais importante do que a idade, é o tempo que a criança passa na internet e a quais conteúdos tem acesso.  “Quanto mais tempo passa na internet, menos se movimenta e o corpo não utiliza toda a energia que tem. Não movimenta músculos e não queima calorias. Além disso, perde a oportunidade de interagir diretamente com as pessoas, de aprender, de se comunicar e conviver com os outros”.

Sandra e Josiane apontam que crianças com acesso à internet não se desenvolvem melhor do que as que não tem. Apenas passam a aprender coisas diferentes, a terem outras habilidades. Se, por um lado, aprendem coisas novas, por outro, podem ter mais problemas no desenvolvimento físico e motor, por não brincarem na rua, exercitando o seu corpo. O mais importante é a internet não ser o único instrumento de desenvolvimento para a criança, mas um instrumento a mais.

Sandra Vanzuíta pondera sobre as diferenças das gerações e o acesso às tecnologias

Apesar de ser uma cultura do tempo atual e, quase inevitável, se utilizada sem limites e supervisão, pode acarretar em problemas comportamentais. “Crianças pequenas não sabem a diferença entre realidade e fantasia e acreditam ser real o que estão vendo. Cenas de violência, por exemplo, podem deixá-las assustadas e com medo do que estão vendo. As crianças podem ter pesadelos com essas cenas e ficarem estressadas”, explica a psicóloga.

A doutora em Educação expõe que tudo em excesso pode acarretar em prejuízo para o desenvolvimento infantil. Com a internet não é diferente, e a melhor forma de limitar este acesso é o exemplo dos próprios pais. “Se os próprios pais não se controlam, se as mães dão mamá olhando para a internet, almoçam sem conversar, somente olhando os celulares, não adianta proibir as crianças. É preciso ação. Elas vão imitar os pais”.

Pais e professores precisam estar atentos aos conteúdos acessados pelas crianças. É necessário explicar que, apesar de ser uma ferramenta valiosa, a internet pode ser muito perigosa. Devem estabelecer um tempo determinado para o acesso, ensinando a diferença entre realidade e fantasia. Além disso, os pais têm que investigar e estar atentos ao histórico. Já a escola deve usar a internet como estratégia, voltada para o que está sendo ensinado, usando como fonte de pesquisa, instrumento de estudo.

Tanto a doutora em Educação quanto a psicóloga apontam algumas formas de inibir o acesso ao conteúdo inadequado como a conscientização e a conversa com as crianças. Outra proposta é apresentar diferentes brincadeiras, as quais usem a imaginação e dispendem energia. Sandra afirma que, na maioria dos casos, os pais são os principais responsáveis. “O Facebook, por exemplo, só é permitido para pessoas maiores de 18 anos. Mas notamos muitas crianças na rede social, e quem autorizou? Os pais. São eles que ensinam a mentir, achando que não fazem mal. É aí que começa o perigo”.

Geração Alpha

Ainda uma geração em fase de pesquisa, os Alphas são os nascidos após 2010. Como nasceram em contato direto com a tecnologia, essas crianças, antes mesmo de saberem andar, já manuseiam smartphones. Esse conhecimento é algo natural, instintivo, não há necessidade de ensiná-los a mexer em determinados aparelhos.

Vídeo explica sobre a evolução das gerações e as características da atual

Já presente nas gerações anteriores, como a Y (1985-1999) e a Z (2000-2010), mas de forma distribuída ao longo da vida, esse contato com a tecnologia é algo natural para a Geração Alpha. Por conta das mudanças da sociedade, as crianças dessa geração terão contato com as diversas opções de ser e uma ligação menor com a estética e maior com a atitude.

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