Cidades

Estacionamento rotativo em Balneário Camboriú: um problema em discussão

Como solução temporária, a prefeitura propõe contrato emergencial de seis meses

Texto: Patrícia Barbosa e Samara Michele

O que tem preocupado comerciantes e moradores de Balneário Camboriú é a decisão sobre a nova empresa que cuidará do Estacionamento Rotativo do centro da cidade. Passados feriado e festas de outubro, é possível sentir a falta de vagas, que atrapalha o movimento, e a dificuldade em estacionar no centro da cidade devido ao alto fluxo de veículos. Apesar da proximidade da temporada, permanece indefinida a empresa responsável pelo estacionamento rotativo de Balneário Camboriú.

Representantes da Prefeitura Municipal e da comunidade reuniram-se, no início de outubro, na procuradoria da cidade para discutir sobre o retorno da Zona Azul na região central. Essa é uma das solicitações que a Câmara de Dirigentes Lojistas encaminhou ao Prefeito Fabrício Oliveira, através de documento solicitando urgência, com o argumento de que não se encontram mais vagas disponíveis no centro da cidade.

A ausência de um estacionamento rotativo impede o controle das vagas, pois os motoristas deixam o carro estacionado o dia inteiro no mesmo lugar, inviabilizando o comércio local e a circulação de veículos. Um dos problemas da falta de estacionamento é a destinação de vagas para deficientes e idosos. Cecília Lorenzo, 37 anos, denuncia que, na temporada anterior, um carro com a credencial de idoso ficou parado por mais de uma semana num mesmo ponto. “Não havendo a rotatividade, problemas como estes continuarão sendo comuns”, completa a moradora da rua 701.

A antiga empresa responsável pelo estacionamento rotativo em BC encerrou suas atividades em junho de 2016. Além de manter uma dívida interna de mais de R$ 700 mil com a prefeitura, ainda respondia por denúncias de ocupar áreas residenciais em seu projeto de implementação da Zona Azul. O contrato combinava que as ruas com mais de 50% de comércio estariam autorizadas à extensão das vagas, mas a Dom Parking desconsiderava a porcentagem das residências nos prédios.

O novo edital

No primeiro trimestre de 2017, a Prefeitura lançou um novo edital para o serviço voltar a operar. O principal objetivo é aumentar o número de vagas de 1800 para 2000, disponibilizados para moradores e turistas. O edital propõe um novo formato digital, exigindo que traga recursos diferenciados para os motoristas. A ideia é atrair empresas que possam garantir conforto ao usuário do sistema de estacionamento rotativo com parquímetros nas ruas e aplicativos disponível para os smartphones.

Devido às exigências tecnológicas propostas no edital, o estacionamento pode custar até R$ 2,50 a hora. Caso esse seja o valor definido, Balneário Camboriú será considerada a cidade com o custo mais alto na região, superando Itajaí e Blumenau que cobram R$ 1,50. Segundo a diretora do Fundo Municipal de Trânsito (FUMTRAN), Maria Cristina Andrade, esse valor não difere do preço normal de outras cidades que possuem o mesmo porte de Balneário Camboriú. A Ong Observatório Social de Balneário Camboriú questiona o valor proposto e diz que pode fechar em até R$ 1,75.

Estacionamento sem custo

O assunto também foi tema da Câmara de Vereadores. O vereador Leonardo Piruka, do PP, participou da fiscalização para a derrubada da empresa antiga. Leonardo concorda com a volta do estacionamento, só que, dessa vez, de forma gratuita. A ideia é que a cobrança seja apenas em caso de penalidade e venha em formato de notificação para o motorista que estiver irregular na vaga. Com isso, a prefeitura manteria os monitores com esses recursos. O vereador defende que esse tipo de serviço não é comum no Brasil, mas existem cidades que possuem sistemas híbridos e semigratuitos, nos quais a primeira hora é de graça, e só a segunda, cobrada.

♠Confira na íntegra o áudio do vereador Piruka, explicando os detalhes da proposta de estacionamento gratuito

O município não concorda com a ideia de Piruka e a decisão sobre o assunto ainda vai ser discutida com a prefeitura, as autoridades de trânsito e outros secretários da cidade antes de ser submetida à análise do Tribunal de Contas do Estado.

Moradores e comerciantes

Hugo de Sousa, 47 anos, é funcionário de uma mercearia no centro há três anos. Ele afirma que, com a saída do estacionamento, teve um olhar diferenciado para a cidade. “As pessoas se organizavam melhor. Percebi que os carros estacionam onde querem. Será muito bem-vindo o estacionamento rotativo”.

Arnaldo Amaral, 37 anos, atua como corretor de imóveis e mora em Balneário Camboriú há seis anos, e é a favor do retorno: “É uma alternativa para dar mais fluxo. Se você não chegar cedo, não consegue vaga e, se chegar tarde, já não tem mais”. Quando questionado sobre o valor esperado, Arnaldo diz que tem que ser definido um custo para o serviço, mas teria que analisar bem para ver se a taxa é justa, para não ficar pesado para certas pessoas.

Enquanto a empresa responsável pelo estacionamento rotativo de Balneário Camboriú não for definida, a proposta da atual gestão é um contrato emergencial com duração de seis meses para contornar o problema durante a temporada. Cerca de 2080 vagas serão disponibilizadas ao custo de até R$ 2,00 por hora.

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