Bem-Estar

Câncer de mama: de janeiro a janeiro

O mês de outubro é dedicado ao combate do câncer de mama, mas os cuidados devem ser tomados o ano inteiro

Texto: Caroline de Borba e Paula Dagostin
Foto: Pixabay

Aos 40 anos, Adriana Diogo Corrêa Lobato recebeu o diagnóstico de câncer de mama. Assim que viu o resultado, a agente comunitária não conteve as lágrimas, pois sabia que ali iniciava sua batalha. Ainda na cama do hospital, Adriana decidiu criar a página no Facebook intitulada Superar é Preciso.

Desde 2015, ano em que criou a página, Adriana conta que diariamente recebe mensagens de diversas pessoas e mantém amizade com mulheres do Brasil inteiro. Os posts contam um pouco da sua rotina, da participação em palestras, e também há o compartilhamento de fotos outras mulheres que enfrentam, cada uma de seu jeito, as diversas etapas da doença.

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Atualmente, a página possui 2.285 curtidas e, por causa dela, Adriana mantém contato com mulheres das mais diversas regiões do Brasil (Foto: Arquivo Pessoal)

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum em mulheres, ficando atrás apenas do câncer de pele, sendo responsável por, aproximadamente, 28% dos casos registrados ao ano. Em 2016, foram constatados cerca de 58 mil novos casos, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O câncer de mama pode ser desencadeado por diversos motivos , tais como idade, comportamento, fatores endócrinos e genéticos.

A coordenadora do Núcleo de Atenção a Mulher (NAM) de Balneário Camboriú, Jeruza Martini, explica que, primeiramente, as mulheres devem se dirigir até a unidade básica de saúde do município. Em seguida, serão encaminhadas para o atendimento no núcleo. “Caso a paciente seja diagnosticada com câncer de mama, nós a encaminhamos para a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), referência regional no tratamento de combate ao câncer”.

Entre os sintomas mais frequentes e possíveis de identificação, de acordo com o INCA, estão o nódulo, pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com casca de laranja, alterações nos mamilos, pequenos nódulos nas axilas ou no pescoço e saída de líquido anormal das mamas. Com rara incidência antes dos 35 anos, esta doença frequentemente acomete mulheres a partir dos 50 anos. Por este motivo, é recomendado a realização do exame de mamografia de dois em dois anos.

De acordo com matéria divulgada pelo jornal Correio Braziliense, o câncer de mama tem atingido mulheres cada vez mais jovens. Para o especialista em mastologia, Jorge Roberto Rebello, isso pode estar associado ao diagnóstico precoce, devido ao avanço da tecnologia. “Estuda-se muito a gênese do câncer de mama, atribuída principalmente ao componente genético. Em pacientes, cuja alteração cromossômica é diagnosticada antes da manifestação da doença, podemos pensar em prevenção, e, consequentemente, causando menos dano e maior sobrevida”.

De fala mansa e tranquila, Maria de Andrade, 57, conta um pouco de sua trajetória nos últimos dois anos. Ela recupera-se de um câncer de mama. Diagnosticada aos 55 anos, passou pelos mais diversos tratamentos. Iniciou com a quimioterapia, seguida pela mastectomia, onde teve o seio esquerdo retirado, a limpeza dos linfonodos, radioterapia e, atualmente, passa pela quimioterapia preventiva, que tem o intuito de prolongar a vida de quem passou pela doença.

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Maria termina o tratamento em janeiro de 2018 (Foto: Arquivo pessoal)

A professora de artes descobriu a doença por meio de um nódulo que cresceu repentinamente. Era dezembro, e por estar ocupada com o fim do ano escolar, optou por não procurar um médico de imediato, atitude que atrasou o tratamento em aproximadamente 90 dias. O principal motivo apontado pelos médicos para a sua doença foi o alto nível de estresse.

Vídeo explicativo sobre o autoexame

Maria aconselha as mulheres a realizarem o autoexame constante e a procurarem por um médico especialista, mas ressalta que a prevenção é o principal. “A maior prevenção depois do autoexame é ter uma vida saudável, retirando do cardápio aquilo que é cancerígeno, além de produtos agressivos como desodorante aerossol, refrigerantes, óleo de cozinha e, acima de tudo, equilibrar o estresse, procurar válvulas de escape”.

Entretanto, o especialista Jorge Roberto Rebello observa que o autoexame pode retardar o diagnóstico. Em sua opinião, ao realizar o autoexame e não encontrar nódulos aparentes, a paciente pode ignorar a necessidade de exames clínicos eficientes e atrasar o diagnóstico da doença. Visto que a não apresentação de nódulos não significa, necessariamente, a ausência do câncer. O aparecimento dos nódulos está relacionado com o estágio da doença, por isso a importância de procedimentos como a mamografia, ultrassom e caso necessário, a ressonância magnética.

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Rosiete descobriu o câncer de mama aos 58 anos (Foto: Caroline de Borba)

O tratamento para o câncer de mama depende do estágio em que a doença se encontra. Entre os procedimentos está a quimioterapia, radioterapia e as cirurgias reparadoras. Para Rosiete Delamar Fernandes, de 60 anos, a quimioterapia é o momento mais difícil, daí a importância do apoio familiar, pois ajuda no processo. “Após as sessões, eu sentia muito enjoo, dores de cabeça, e não tinha fome. Mas eu consegui superar. O pensamento positivo é muito importante durante todo o processo. Sempre tive muita fé e o apoio da família e dos amigos”.

Dependendo do medicamento utilizado nas sessões de quimioterapia, a queda de cabelo torna-se inevitável. Adriana, Rosiete e Maria, entrevistadas nessa reportagem, passaram por esta fase do tratamento. Adriana não tem problema em divulgar suas fotos, ostentando a careca, e Rosiete abnegou o uso de perucas. “Era muito calor, eu saía careca, não estava me importando. Eu usava chapéu, lenço. Eu não tive vergonha”, orgulha-se.

Após passarem pela doença, elas mencionam as mudanças de comportamento e o quanto valorizam os pequenos detalhes da vida. Para Rosiete, esse desafio a ensinou muitas coisas, como ser mais maleável, humana, a respeitar as pessoas e dar mais valor à vida. Assim como Adriana e Rosiete, Maria de Andrade venceu o câncer, mas a doença deixou marcas e ensinamentos em sua vida. 

Maria conta sobre as sessões de quimioterapia e os reflexos do tratamento em seu organismo

 

Rede Feminina de Combate ao Câncer de Balneário Camboriú

O principal foco da entidade é a prevenção, principalmente contra o câncer de mama e do colo uterino, pois o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura. A conscientização da sociedade é fundamental no processo. A Rede Feminina atua há 16 anos em Balneário Camboriú, sendo que, por dia, atende 12 pacientes, contabilizando 240 mulheres por mês.

A entidade se mantém com a verba vinda da administração municipal e também dos trabalhos desenvolvidos na rede, como artesanato e o brechó. No artesanato, há a oficina de trabalhos manuais, em torno da qual se reúnem, semanalmente, voluntárias e pacientes para o desenvolvimento de atividades de lazer e aprendizado. As voluntárias também confeccionam almofadas anatômicas para doar às pacientes mastectomizadas e próteses mamárias para aquelas que ainda não realizaram a definitiva.

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Sede da Rede Feminina de Combate ao Câncer em Balneário Camboriú (Foto: Caroline de Borba)

O brechó funciona mediante a doação de roupas, sapatos e acessórios, os quais são vendidos a preços mínimos, beneficiando tanto as pacientes quanto a entidade. A venda das peças é um forte instrumento de apoio, cuja receita ajuda na manutenção dos serviços prestados. Há também um banco de lenços para doação e perucas para empréstimo às pacientes de quimioterapia e radioterapia. A Rede Feminina de Combate ao Câncer de Balneário Camboriú tem sua sede localizada na Rua 2300, número 1590, e o telefone para contato é (47) 3360-8940.

Combate ao câncer de mama

O Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama é 19 de outubro, marca das comemorações do Outubro Rosa. O movimento nasceu nos Estados Unidos, em 1990, para conscientizar a população sobre a doença. Em alusão ao mês, vários pontos turísticos espalhados pelo mundo se colorem com a cor rosa, e esse ato reforça a discussão e relembra as mulheres sobre a importância dos cuidados com a saúde.

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