Comportamento

Velho ditado: o jovem é o futuro da nação

Jovens se organizam cada vez mais na busca por soluções de problemas sociais

Texto: Bruna Gonçalves e Tatiane Decker

Quem serão nossos próximos líderes? Temos a capacidade de formar outro tipo de representante? Se depender do número de movimentos existentes com este propósito, a resposta é SIM. Nacional, estadual ou regionalmente. Em qualquer um destes âmbitos, podemos notar uma atual crise de liderança. Aqueles que deveriam e que têm como função nos representar são as pessoas que parecem menos demonstrar integridade para tal tarefa. Este é um momento que nos faz refletir sobre o futuro. 

Movimentos jovens ganham cada vez mais força e capacidade de organização com a facilidade de comunicação entre pessoas, proporcionada pelas redes sociais.  Mas não é de hoje que grupos se unem com o propósito de melhorar o mundo. Por exemplo, a AIESEC: uma organização de liderança jovem que surgiu em um contexto pós segunda-guerra mundial, quando estudantes de seis países entenderam que precisavam criar relações entre os países e os jovens cidadãos para que pudesse existir comoção e respeito entre as nações. Tem como missão alcançar a paz mundial e o preenchimento das potencialidades humanas e faz isso através de experiências de liderança para jovens que tenham de 18 a 30 anos de idade. O intercâmbio é uma destas experiências, através do qual os jovens irão desenvolver várias capacidades em um ambiente desafiador.

No final de 2016, Amanda Beatriz Bail vivenciou essa experiência durante 42 dias em uma comunidade de Lima, no Peru. O projeto Dreamer acontece em um orfanato para crianças com algum tipo de deficiência e tem o intuito de promover atividades alternativas e buscar formas de melhorar a qualidade de vida delas. Nesta situação, a estudante de publicidade e propaganda de 19 anos assumiu a responsabilidade por um projeto, que dela dependia, podendo inclusive não acontecer, prejudicando as crianças envolvidas. “Essa organização me mostrou que dá sim para desenvolver liderança durante o intercâmbio, se nós tivermos a atitude de mudar o que está errado e fazer acontecer.” Beatriz também viveu outra experiência como membro da organização. “Essa foi minha maior transformação. Pude observar os acontecimentos e perceber que muitos problemas atuais estão ligados com a crise de liderança de modo geral. A AIESEC me deixou mais crítica em relação a isso e com vontade de agir e não esperar pelos outros em todo momento.”

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Amanda Beatriz Bail durante viagem do seu intercâmbio. (Acervo pessoal)

A liderança pode ser vista de diversas formas, por diferentes pessoas e pode também ser entendida de diferentes formas em outras culturas, mas uma característica parece ser comum de um bom líder: servir de exemplo. O recém-formado jornalista, Thomas Falconi, entende a liderança como algo complexo, que envolve trato humano, equilíbrio de opiniões divergentes e distribuição coordenada de ações. Para o jovem, a crise de liderança se divide em dois aspectos: os líderes que não lideram e os liderados que vivem na inércia. “O jovem é alguém capaz de quebrar esse ciclo de poder pelo poder e ignorância generalizada. Sem amarras financeiras ou familiares, o jovem tem tempo e energia para ser o líder ou o liderado ideal. Falta-lhe somente o conhecimento, limitado pela falta de vivência”. Foi em uma vivência de dois anos na AIESEC, em Balneário Camboriú, que o jovem pode estar em contato com experiências de liderança diariamente.

Outra organização que busca desenvolver jovens para serem nossos futuros líderes é o Rotaract, “filha” do Rotary. Por meio de projetos sustentáveis em diversas áreas, como alfabetização, paz, saúde e recursos hídricos, procura maneiras de criar um mundo melhor há 110 anos. Seu lema: dar de si antes de pensar em si. O Rotary, porém, é composto por membros já em fase adulta que possam, através de suas vivências, engrandecer os projetos. O Rotaract surgiu da vontade de jovens de 18 a 30 anos quererem fazer mais.

Gabrielle Lenzi conhece o Rotary desde seus quatro anos de idade, já que seu pai é um rotariano. Quando mais nova, participou do grupo Interact, voltado para adolescentes. Ao completar 18 anos, decidiu trazer o Rotaract para sua cidade, Timbó. Com a ideia vieram responsabilidades e hoje, sete anos após, a jovem contabiliza diversas experiências que marcam sua trajetória e fazem tudo ter valido a pena. “Ser rotaractiano é trabalharmos todos juntos em prol da mesma causa, promover uma qualidade de vida melhor a quem necessidade e assim criar uma sociedade melhor para todos”.

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Ação do Rotaract Club Timbó Pérola do Vale. (Acervo pessoal)

Existem, também, aqueles que buscam ser exemplos de liderança ou estão dispostos a abrir a mente da sociedade acerca da problemática através de outras formas. A cultura é uma poderosa aliada em momentos de crise. Na música, por exemplo, podemos encontrar uma forma de protesto. Em muitos casos, ela foi o “grito” que as sociedades precisavam em meio a crises de lideranças políticas. Em julho desse ano, a banda Alter Ego, composta pelos músicos Kim Augusto Zanoni e Jaime Telles Filho, lançou Hipocrisia, uma crítica ao momento que vivemos. Para Jaime, o músico é um porta-voz com o poder do microfone e da comunicação na mão e isso deve ser encarado de forma responsável. “O artista atual está muito preocupado em ser famoso, sem se preocupar com a qualidade da sua arte e a qualidade do que ele fala. E menos ainda, como isso tudo pode afetar positiva ou negativamente a longo prazo seus ouvintes e a sociedade. Nós queremos fazer diferente”.

A escolha profissional também pode estar baseada em princípios e ideias de liderança. Alex Dolzan está no segundo período do curso de Administração Pública na UDESC. Para ele, a escolha do curso aconteceu por sentir a necessidade de  profissionais qualificados para interlocuções entre sociedade civil e governo na busca de resultados que favoreçam a nossa sociedade.  “A sociedade vem se mobilizando e formando movimentos sociais para mudanças de políticas públicas, porém para essa mudança ser contínua e consistente, é preciso termos pessoas qualificadas na linha de frente destas ações, pois muitas ideias sociais boa carecem de gestão para sua implementação”, afirma Alex.

A principal diferença de fazer parte de um grupo é a sinergia existente entre os participantes. Através do Rotaract, Gabrielle, por exemplo, encontrou finalmente pessoas com os mesmos propósitos e ideais que os seus e juntos conseguem causar muito mais impacto no mundo, através de projetos e ações que impactam diretamente comunidades. “Eu acredito que nós, jovens, temos o poder de transformar o mundo em nossas mãos, seja para o bem, ou não. Ao tomarmos a frente desse poder e colocá-lo em prática, é benéfico não só para a nossa geração, mas também para as que estão por vir”.

Em Balneário Camboriú,  a AIESEC é composta quase 100% por jovens que não são naturais do município. Para a atual presidente, Barbara Alessi, este é um importante ponto a se observar. “Nós temos uma região com muitos recursos, com muitas belezas, porém com muita pobreza e eu não vejo os jovens daqui fazendo algo pra mudar isso. A partir do momento que formos reconhecidos e as pessoas entenderem nosso trabalho, impacto e  sua importância, talvez queiram fazer parte disso”.

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Projeto realizado por intercambistas na AIESEC Balneário Camboriú. (Acervo pessoal)

Não podemos prever quem serão nossos próximos líderes, mas a capacidade de formar um novo tipo de representante é uma constante. Jovens com vontade de gerar mudanças estão em todos os lugares, em Universidades, em movimentos religiosos, em organizações, nas redes sociais. Para os que sentem esse desejo, mas ainda não se encontraram, basta não desistir da busca.

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