Notícias

Sinônimo de paixão, alegria e solidariedade

O artesanato como forma de sustento e de superação para uma mulher que é apaixonada pelo que faz

Texto: Bruna Souza e Roberta Ribeiro

Tecendo os fios, ela busca forças para encontrar uma forma de ganhar dinheiro e, ainda,  deixar as mulheres mais bonitas. “Me realizo vendo uma mulher bem vestida”. Regina Aparecida da Silva, uma paranaense de 55 anos, aprendeu a fazer peças artesanais aos sete anos com a própria mãe, professora de artesanato. Criando vestimentas com material reciclável e crochê, sua paixão por peças tecidas com fios vai além: casou-se com um vestido feito de crochê.

Regina possui um box na Vila do Artesanato, no centro de Balneário Camboriú, onde expõe seus trabalhos e ainda faz diárias em apartamentos e imobiliárias da cidade. Apesar de obter uma renda significativa, admite que não dá para contar apenas com o lucro do artesanato. Mas a artesã repassou seus ensinamentos aos seis filhos, dos quais quatro adotivos e dois biológicos, porque, desta forma, obteve um aporte financeiro para conseguir criá-los.

bolsas

Para a também artesã e xará de Regina, a Regina Castro, carioca, que costura bolsas com tecidos reutilizados, aprendeu a fazer trabalhos artesanais há nove anos e há seis possui box na Vila do artesanato. A confecção de bolsas é uma renda significativa, além de ser sustentável , pois o tecido destinado ao lixo acaba tendo outro destino. São muitas as pessoas trabalhando naquele mesmo espaço, mas a Regina de Castro considera a outra Regina uma pessoa muito legal. Admite, porém, que tem dias bons e dias ruins. Além do nome, as duas trabalham na Vila há muitos anos e dividem a mesma paixão: o artesanato.

A Vila do Artesanato possui 38 espaços e 37 estão ocupados pelos artesãos. Aos sábados acontece uma feira cultural com mostra de alimentos e produtos artesanais com uma média de 200 participantes. Segundo Rodrigo Rocha da Silva, esta iniciativa foi da própria população e a Fundação Cultural de Balneário Camboriú idealizou o projeto. O conceito da feira é explorar a produção alimentar artesanal para atrair o público.

Vila do Artesanato

Para o presidente da Fundação Cultural, George Varela, a gastronomia é uma forma de tornar o espaço atrativo, uma maneira de integração entre as pessoas, já que no momento ouve diminuição no consumo de bens e consequentemente redução das vendas. Desta forma, a Vila do Artesanato e a feira cultural acabam sendo ponto de encontro, espaço de convivência, podendo se considerar uma espécie de movimento cultural  tão importante quanto o comércio, pois as pessoas não vão apenas com o intuito de comprar.

Além disso, a evolução destas formas de mostrar os trabalhos artesanais distribui a arrecadação impedindo que seja concentrada apenas para um grupo. As projeções para 2018 é que a Vila do Artesanato e a Feira Cultural cheguem a arrecadar uma média de sete milhões de reais, ou seja, um conjunto de microempreendedores que movimentam a economia do município, mas não tem a devida atenção do poder público.

Uma forma de valorizar o trabalho dos artesãos é emitir a Carteira Nacional do Artesão que antes só era possível solicitar em Florianópolis. Para que esta emissão seja possível em Balneário Camboriú, a Fundação Cultural solicitou que uma equipe da Federação Nacional de Artesãos viesse até Balneário para realizar cadastros de toda a região para reconhecer a profissão, explica Rodrigo.

Regina

Além de ser uma forma de sustento, Regina da Silva explica que no artesanato encontrou forças para superar a dor da perda de um filho. “O artesanato me tirou do buraco, ressurgi das cinzas como uma fênix, criei forças para sobreviver e aprender a viver sem o meu filho, que era minha paixão”. Sua religião permite acreditar que o filho só foi fazer uma viagem e vai reencontrá-lo. A artesã conta que ele sempre opinava nas suas criações e  demorou seis anos para conseguir terminar a peça, que tecia no dia do seu falecimento.

Para Daiane Rott, nora de Regina, ela é uma pessoa admirável. “Muito guerreira, uma mãe e sogra maravilhosas, também é uma ótima amiga”. Reverencia a artesã por mostrar seu talento e sua paixão pelos trabalhos artesanais, atividade que exerce desde criança. Mulher bem resolvida, Daiane enfatiza que a sogra  está sempre disposta a ajudar os outros.

Solange Cristina Costomski Mamedes, que trabalha Vila do Artesanato, também considera a artesã uma pessoa determinada, extrovertida, e que não mede esforços para ensinar sua arte aos que se interessam. Segundo ela, crochê e reciclagem são o orgulho de Regina e brinca: “A vida dela são os fios”. Solange define Regina como sinônimo de alegria, riso e artesanato.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s