Comportamento

O auxílio do segundo professor na educação inclusiva faz a diferença

"O lugar da criança é na escola. Mesmo com dificuldade ela tem potencial para realizar as atividades pedagógicas, como usar o parque e a quadra, desde que adaptadas"

Texto: Patrícia Barbosa e Samara Michele

Olha no relógio, é quase meio dia. A aula acabou há meia hora e a barriga acusa o horário do almoço. Toca o sinal. Todos saem correndo em direção à porta. Menos João que, por estar em uma cadeira de rodas, depende de espaço para se locomover com calma dentro da sala de aula e do auxílio de um segundo professor, que o acompanhou durante todas as atividades. O aluno pode ser fictício, mas a história se repete em diversas unidades escolares do Brasil. Segundo dados da Secretaria da Educação, a rede conta com 3878 segundos professores, 171 professores bilíngues, 230 intérpretes de libras e 658 professores do atendimento educacional especializado, apenas em Santa Catarina.

Camila Andrade é funcionária da rede municipal de ensino há um ano, e trabalha como segunda professora em sala de aula auxiliando crianças com necessidades especais, e afirma que o maior desafio não é com as crianças e sim com os professores, para sensibilizá-los em como atender as crianças da melhor forma, pois algumas delas são deixadas de lado na hora das atividades. “O lugar da criança é na escola. Mesmo com dificuldade ela tem potencial para realizar as atividades pedagógicas, como usar o parque e a quadra, desde que adaptadas”, completa Camila.

Na educação infantil o foco não é que os alunos façam a atividade diferente, mas que mude o objetivo do professor naquela atividade. Para crianças de 4 a 6 anos, que estão em idade de alfabetização, o aluno com deficiência intelectual, de aprendizagem ou que tenha um déficit usará letras móveis com o objetivo de reconhece-las, enquanto outras crianças nesse momento podem estar em outro nível.

“Para mim é um aprendizado diário, um ganho. Tenho aprendido muito a cada dia com as crianças e com a garra de cada família”. Camila Andrade.

Fonte: Prefeitura de Itajaí

Principais cuidados

No acompanhamento clínico e terapêutico é feito o Atendimento Educacional Especializado no contraturno. Neste serviço de reabilitação as famílias levam as crianças para a escola de duas a três vezes por semana. É feito terapia ocupacional, consulta com fisioterapeuta ou psicólogo dependendo da deficiência. Cada um tem a sua especificidade e a grande maioria passa por esse processo ainda cedo, nos primeiros anos escolares. Quando maiores, já no ensino fundamental, são encaminhados ao EJA.

Salas de recursos Multifuncionais

Em 2015 foi regulamentada pelo MEC o programa que disponibiliza às escolas públicas de ensino regular, um conjunto de equipamentos de informática, mobília adequada, materiais pedagógicos e de acessibilidade para a organização do espaço de atendimento educacional especializado. Cada sala possui um profissional que trabalha com o objetivo de eliminar as barreiras que impedem o acesso da criança ao currículo da série para a idade adequada.

Uma criança no primeiro ano tem que passar pela alfabetização, letramento, matemática, adição e subtração. O foco que impede a criança de se alfabetizar pode ser a falta de coordenação motora, paralisia cerebral ou apenas não ter o movimento dos braços. São feitas atividades dentro da sala de recurso para que a criança tenha um desenvolvimento motor como segurar o lápis, fazer a grafia e conseguir ser alfabetizado. Se tiver uma dificuldade de comunicação passa por um fonoaudiólogo para fazer com que a criança seja incluída no currículo daquela série.

“Todas as deficiências são aceitas, e muitas crianças até gostam. Disputam quem é que vai empurrar a cadeira de rodas. Aqueles que têm dificuldade de comunicação, perguntam qual a forma de dizer e se aproximar para se comunicar”. Camila Andrade

Fonte: Prefeitura de Itajaí

Segundo professor é regulamentado nas escolas de Santa Catarina

Segundo fontes da Acaert, nessa quinta-feira (05), o Ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deferiu uma liminar suspendendo a Lei Catarinense que obriga a presença de um segundo professor nas salas de aula das escolas da Rede Pública Estadual, quando houver alunos com diagnóstico de deficiências ou transtornos. Essa lei foi promulgada pela Assembleia Legislativa em maio, após os deputados derrubarem um veto do Governador do Estado. A Deputada Luciane Carminatti, que propôs a lei, fala em reversão da decisão do Judiciário: “Isso causa indignação, por negar um direito constitucional, que é o direito à educação de qualidade, com profissionais habilitados na área de atuação. Se for necessário vamos abrir um debate com a comunidade e fazer a mobilização necessária para que essa liminar seja derrubada pelo Supremo, e a partir daí a lei tenha que ser vigorada em Santa Catarina”.

Na ação contra a lei, o Governo do Estado argumenta que apresenta vício de origem, não podendo ser de iniciativa parlamentar. A Procuradora do Estado Keila de Araújo Val afirma que a lei tem dois problemas: “Primeiro é que realmente causa o impacto financeiro elevado e não previsto no orçamento. Segundo é que o Estado, através da Fundação Catarinense de Educação Especial e do Conselho Estadual de Educação, já tem uma política pública para atender essas crianças”. A decisão do STF não significa que os alunos deficientes em Santa Catarina perderam o direito de ter um segundo professor, e sim que não é mais obrigatório. A Secretaria do Estado da Educação esclarece que o atendimento a mais de 6 mil estudantes continua normalmente na Rede Pública Estadual.

Confira o áudio na íntegra: http://www.acaert.com.br/stf-suspende-lei-catarinense-que-obriga-segundo-professor-em-sala-para-alunos-deficientes#.WdgXY1uPKM9

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