Política

Movimento separatista ganha cada vez mais força

Votação em outubro pretende saber o que pensa a população sobre o movimento O Sul é o meu País

Texto: Gabriel Silva e Sérgio Augustin

Há mais de 20 anos um grupo de pessoas se movimenta para separar o Sul do restante do Brasil. No próximo mês, novo plebiscito será realizado, com a expectativa de arrecadar 2 milhões de assinaturas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Ano passado, 80% das cidades destes três estados tiveram urnas eleitorais para que a população se manifestasse a favor ou contra separar o Sul do país. Um milhão de pessoas participaram da ação.

O Sul é o meu País tem como carro chefe o alto valor dos impostos pagos à Brasília e o baixo retorno aos três estados sulistas. No Portal da Transparência da Receita Federal constam os valores pagos pelos estados e o que é enviado em contrapartida: em 2016 os três estados enviaram à Brasília mais de R$ 170 milhões. Receberam R$ 42 milhões de volta.

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Bandeira do Movimento O Sul é o meu país (Foto: Divulgação)

Miguel Ruchiski faz parte da comissão organizadora do movimento em Itajaí. Ele diz que a iniciativa de buscar a liberdade de um ou mais estados é constitucional. “O movimento separatista é totalmente apartidário, legalizado e pacífico. Não vamos nos armar para destruir Brasília”, explica. Apesar disso, especialistas na área dizem que um movimento que visa separar os estados brasileiros é inconstitucional.

            Por email, o professor de direito constitucional do Centro Universitário Unibrasil, Paulo Schier, diz que a Constituição Federal institui que a República Federativa do Brasil é formada pela união dos estados e municípios, e Distrito Federal. “Para separar uma região seria preciso alterar a Constituição Brasileira”, entende. Ao mesmo tempo, a própria Constituição defende que os cidadãos têm o direito de manifestar o pensamento.

            Nas ruas o assunto não é muito discutido. Em enquete feita com moradores de Itajaí e Balneário Camboriú, a opinião é bem dividida. Para o lojista Carlos Adriano, de 19 anos, não há motivo para separar o país: “Tem é que tirar o Temer e colocar a Dilma de novo”, diz o jovem. A empregada doméstica Silvana Cardoso não tinha conhecimento disso: “Todo mundo dizia que tirar a Dilma ia resolver os problemas, mas não deu em nada. Acho que devemos entregar nas mãos de Deus”, comenta. Natália Guimarães trabalhou como professora, mas desistiu da profissão. “Temos é que investir em educação. Se isso acontecer não precisa separar nada e os países que já existem podem viver em harmonia”, desabafa.

Votação marcada

            Em 2016, no dia 2 de outubro, um milhão de pessoas participaram do plebiscito que aconteceu nos três estados do Sul. Um ano depois, no dia 7 de outubro deste ano, acontece outra votação, dessa vez mais organizada e com mais força. “Cada cidade tem seu grupo organizador, todos voluntários. Esperamos conseguir dois milhões de votos”, explica Miguel. “Entregaremos esses documentos para a ONU”.

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Foto: Telesur
Tensão na Catalunha

A Catalunha é uma nação que quer se separar da Espanha. No dia 1º de outubro, um plebiscito será realizado sob organização do próprio governo catalão, para que o país seja independente. O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, não quer que a votação aconteça. A Guarda Civil bloqueou cerca de 150 sites de apoio ao movimento na tentativa de paralisar a votação. José Manuel Maza, procurador-geral espanhol, declarou que o presidente do Governo Catalão pode ser preso, acusado de rebelião.

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