Meio Ambiente

Rio Camboriú se recupera após degradação ambiental

Os moradores mais antigos de Balneário Camboriú viram o rio se tornar um esgoto a céu aberto

Texto: Caroline de Borba e Paula Dagostin
Foto: Amanda Weber/Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú

Responsável pelo abastecimento hídrico nas cidades de Balneário Camboriú e Camboriú, o Rio Camboriú, que atravessa os dois municípios, sofre constantemente com o depósito de resíduos impuros em seu leito. Por não ter um programa de tratamento de esgoto, no passado Balneário Camboriú despejava todos os resíduos da cidade no rio, poluindo as águas e também destruindo a fauna e flora em seu entorno.

De acordo com o biólogo Adriano Weidner Cacciatori Marenzi, o deságue de esgoto no rio aumenta a carga de nutrientes, elevando significativamente a população de microrganismos. Estes, passam a competir pelo oxigênio com os peixes, crustáceos e todos os demais organismos do ecossistema local. Com a diminuição de oxigênio, somente os que conseguem se adaptar ou fugir, sobrevivem. Alguns animais acabam fugindo para outros ecossistemas, como o mar. No entanto, o problema se repete. O local então perde a biodiversidade, principalmente das espécies jovens, afetando o comércio pesqueiro. 

O biólogo ressalta que estes problemas são resultados apenas do despejo doméstico. Se houver a presença de esgoto industrial há ainda o agravo de metais pesados. Outro problema exposto por Adriano são as doenças provenientes de águas contaminadas. “Ainda se considerar a presença de patógenos oriundos de pessoas ou animais infectados, há riscos de doenças como cólera, esquistossomose, hepatite e viroses”.

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A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) fica localizada no bairro Nova Esperança, em Balneário Camboriú (Foto: Celso Peixoto/ Prefeitura Municipal de Balneário Camboriú)

A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Balneário Camboriú busca, desde o ano de 2013, coibir o derramamento de esgoto no rio. Com a sua fundação, as águas residuais passaram a receber tratamento e o despejo em um local apropriado. Ainda no ano de 2013, a Fundação do Meio Ambiente em Santa Catarina (FATMA) constatou uma eficiência de 90% do processo.

A Empresa Municipal de Água e Saneamento de Balneário Camboriú (EMASA), responsável pelo abastecimento, garantiu que o tratamento de esgoto do município de Balneário Camboriú tem alcançado resultados significativos. Segundo a autarquia, a nova estação de tratamento cuida atualmente de 100% do esgoto coletado, com 97% de eficiência.

Alguns moradores mais antigos concordam, e garantem que a mudança é visível. É o caso de Rejane Matheus Jasper, residente no município há 47 anos. “O cheiro que o rio exalava era insuportável, principalmente em dias de chuva. Agora, o mau cheiro diminuiu e a vida nativa está melhorando. Novas árvores e vegetação estão crescendo no entorno”, relatou a moradora.

A implantação do sistema de tratamento de esgoto sofreu, no entanto, resistências, como a recusa de alguns moradores em alterarem o esgoto de suas moradias. A empresa EMASA notificou os referidos moradores, dando prazo para realizarem o processo. Além disso, para garantir um alcance total no tratamento do esgoto, a empresa realiza fiscalizações.

Para a engenheira ambiental da EMASA, Rafaela Comparim Santos, é significativa a necessidade de esclarecimento aos moradores sobre o esgoto, já que ainda há ligações clandestinas. “É importante a conscientização da população para realizar a ligação de esgoto corretamente na rede disponível. Manter o esgoto longe do rio é trabalho que envolve todos os cidadãos, embora muitos não tenham consciência do destino do seu esgoto”, declarou.

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A diminuição do despejo de esgoto doméstico potencializou o crescimento da vegetação ao redor do rio  (Foto: Eloisa Jasper)

O biólogo Marenzi partilha da mesma visão da engenheira ambiental e ressalta que a população é parte fundamental para a preservação do Rio Camboriú. Segundo ele, a prioridade não é a recuperação do rio e, sim, a conscientização das pessoas, fazendo-as perceber que quando fazem mal ao meio ambiente, prejudicam a si mesmas. “Duvido que qualquer ação que pretende devolver a integridade ao Rio Camboriú dará certo se não houverem ações de educação ou recuperação das pessoas que vivem na região”.

O tratamento do esgoto produzido nas residências e comércios é essencial para a saúde dos moradores locais, reduzindo a proliferação de doenças e preservando os recursos naturais. Além disso, reduz a poluição, melhorando a qualidade das águas do rio, um dos bens mais importantes para a sobrevivência humana.

Expansão da rede coletora

A rede coletora de esgoto de Balneário Camboriú receberá uma complementação que inclui o tratamento do esgoto das praias de Laranjeiras e Taquaras. O documento para início imediato das obras foi assinado nesta quinta-feira (5).

Uma das melhorias com essa implementação é a balneabilidade. Segundo o relatório semanal da Fundação do Meio Ambiente (FATMA) a Lagoa de Taquaras, localizada na Praia de Taquaras, é o único ponto impróprio para banho no município.

A nova rede de esgoto será anexa à ETE do bairro Nova Esperança, já a ETE de Taquaras será desativada e se tornará apenas uma elevatória para direcionar os efluentes para a ETE do bairro Nova Esperança. No Morro da Laranjeiras será construído uma elevatória para a transposição dos resíduos.

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