Comportamento

Profissão marítimo: a rotina de quem trabalha em alto mar

Conheça a história de profissionais que trabalham no setor petroleiro

Texto: Bruna Souza e Roberta Ribeiro

Três homens, três histórias de vidas e algo em comum: encontraram no Rio de Janeiro uma oportunidade de trabalho e hoje se dividem entre a vida em Santa Catarina e o trabalho em alto mar, no setor petroleiro. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em agosto deste ano a exportação de petróleo no Brasil atingiu 32 milhões de barris, registrando um crescimento de 14,4% em comparação ao mês de agosto de 2016.

José Paulo tem 36 anos e é cozinheiro em um navio petroleiro. Ele é responsável por preparar, junto com outros ajudantes, a refeição de 25  homens que trabalham embarcados. Ele passa 14 dias em alto mar e 14 dias em casa. A maior dificuldade é ficar longe da família, sua esposa e seus dois filhos de 3 e 5 anos. “Essa escala de trabalho é boa porque nos permite descansar bastante, mas por outro lado acabamos perdendo algumas coisas por não estar sempre em casa, como aniversários, festas. Sempre temos que nos programar antes”, conta.

Os navios de tanque têm capacidade de carregar aproximadamente 330 milhões de litros de petróleo. A área petrolífera requer atividade constante. Os processos e operações são feitos de forma intensa, durante todos os dias. O trabalho não para um minuto sequer, apenas ocorrem as substituições das equipes de trabalho que se revezam.

Pedro Ribeiro tem a mesma escala de José Paulo, mas trabalha em uma empresa diferente. Ele trabalhava como pescador industrial há 10 anos. Quando começaram a surgir vagas de marinheiro na plataforma ele se especializou, fez alguns cursos que faltavam, incluindo o inglês, e colocou currículo para trabalhar. Logo já estava embarcado.

Nilton Cerqueira trabalhou durante cinco anos como marinheiro em um navio, mas devido à crise que o setor vem enfrentando, foi despedido com outros colegas de trabalho. Nilton acredita que o fato de não ter inglês fluente foi um fator que contribuiu muito para a sua demissão. Ele ficou um ano desempregado e, neste período em que ficou longe do alto mar, se dedicou aos estudos, fez cursos de aprimoramento na área e intensivos de inglês. Colocou currículos em outras empresas e foi chamado. Hoje, está novamente embarcado, trabalhando há seis meses. “Muitos dos meus colegas que foram despedidos também não tinham o domínio fluente do inglês, e numa época em que as demissões têm sido frequentes, ter mais qualificações é o que garante a continuidade do emprego”, comenta.

Os profissionais da área sabem do perigo que correm ao realizar este trabalho, pois a exploração do petróleo atua em atividades de risco, como perfuração de rochas e manipulação de volumes gigantes de gás. Porém, eles contam que aprenderam a se adaptar com a situação. “Enquanto trabalhava como pescador também corria riscos. Já enfrentamos muitas situações de perigo e medo no mar, inclusive tempestades e incêndio. Sei que no meu trabalho atual corremos um risco muito maior, mas tínhamos toda uma preparação contra riscos e uma equipe bem orientada”, conta Pedro.

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Algumas das vantagens do trabalho offshore, de acordo com Nilton, é o salário atrativo, a possibilidade de dobras – o que garante um ganho a mais no salário –, o tempo de descanso em casa, que pode ser de 14 ou 28 dias, dependendo da escala de trabalho, e também o fato de trabalhar com pessoas de diversas nacionalidades e culturas. “No navio onde eu trabalho somos em 30 pessoas. Tem gente de todos os países. Eu acho que essa mistura acaba sendo boa. Aprendemos a respeitar muito a diferença uns dos outros”, opina.

José Paulo conta que uma das coisas que mais aprendeu trabalhando em alto mar foi trabalhar em equipe. “Estamos praticamente confinados dentro do navio. É necessário que haja uma boa convivência e um respeito por todos. Passamos muito tempo juntos, às vezes estressa e dá vontade de não falar com ninguém. Mas um depende do outro para realizar um bom serviço”, garante.

 

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