Arte e Cultura

Universidades da região estimulam o canto como uma prática educativa e social

O coro de uma universidade é sempre novo e busca trazer aos coralistas uma forma divertida de transmitir a música

Texto: Patrícia Barbosa e Samara Michele

O canto coral está presente dentro de muitas universidades de forma didática, para introduzir os alunos e a comunidade numa das modalidades artísticas mais antigas do mundo: a música. O coral tem por objetivo propiciar o canto polifônico, para aqueles que não têm isso como atividade, com intenção de introduzir o acadêmico no canto. Os regentes Emerson Rosa (Coral Univali) e Eusébio Kohler (Coral Furb) esclarecem detalhes sobre o canto coral de duas significativas universidades aqui da região.

O coro de uma universidade é sempre um coro novo, pois a rotatividade do grupo é muito grande. Quando alguém fica muito tempo, é por uns quatro ou cinco anos. Eusébio Kohler rege o coro da Universidade Regional de Blumenau (Furb) há 25 anos e conta que os integrantes variam todos os semestres. Por conta disso, a quantidade de pessoas que participam giram sempre em torno de 30 a 35 pessoas. “Não existe um número limitado, pois varia de acordo com a procura”, completa o regente.

Já na Universidade do Vale do Itajaí (Univali) o coro surgiu na transição da FEPEVI para a Univali. Segundo Emerson Rosa, regente do Coral Univali, o coro surgiu como um paradigma e anseio de mudança, pois os anos 80 foram os anos de movimento coral. Na época, o canto coral predominava nas igrejas como um canto sacro e clássico. Esse paradigma confrontou com a realidade da universidade, que tem um público jovem.

Eusébio Kohler afirma que no início o coro da Furb era formado 100% por acadêmicos, mas o perfil foi mudando com o passar dos anos. Por ser um projeto de extensão, assim como o coral da Univali, não é restrito apenas aos acadêmicos, mas também a funcionários, aos egressos e à comunidade. Ambos disponibilizam bolsas de estudos parciais aos alunos, embora boa parte dos integrantes não as recebam. A composição varia por época. No Coral Univali pode-se contar com um grupo fixo de 33 integrantes, apesar de sempre oscilar entre 50, 60. Emerson ressalta que “a proposta é não estagnar”. Todo coral funciona como uma seleção natural. Muitos vão pensando que ganha bolsa de imediato. Todo início de semestre é feita uma classificação.

São raras as pessoas que têm uma excelente habilidade para cantar, por isso em ambos os corais esse não é um pré-requisito. Ter disponibilidade de tempo e um bom ouvido é o essencial. Emerson afirma que a pessoa que tem dificuldade de percepção é mais difícil de trabalhar do que a voz, a voz é possível lapidar, já a percepção é mais trabalhosa. Como o trabalho é coletivo, não se tem muita possibilidade de atender o individual de quem realmente tem dificuldade. As apresentações normalmente são dentro da universidade, formaturas ou eventos privados. Muitas pessoas acabam tendo uma primeira experiência vocal nesse tipo de atividade. Além de ser um espaço de aprendizado, também é um espaço que tem como foco principal a produção artística.

O repertório normalmente varia. No coro da Furb, há pouco começaram a explorar artistas locais. Músicas como Ares de Verão, do músico Carlos Niehues, integram ambos os corais na procura de valorizar o artista regional. Já o coral Univali procura diferenciar com enredos mais contemporâneos, desde o pop, rock e MPB.

Apesar de serem corais institucionais, a composição não se limita apenas aos alunos. Muitos egressos e voluntários da comunidade integram o coro universitário, deixando-o com uma diversidade muito maior de vozes.

O egresso Evandro Carlo Ritzel começou sua história no coral Univali antes mesmo de iniciar a faculdade. Depois, permaneceu durante todo o curso e ainda integra o coro. Foi pela indicação de um amigo e pela visita a um ensaio que se apaixonou por essa modalidade. Natural de Uruguaiana (RS), na época não tinha muitos amigos e o coral se tornou seu segundo lar. Evandro passou parte de sua vida acadêmica como bolsista e afirma que, além do benefício financeiro, o coral se tornou sua família. “Lá fiz amizades verdadeiras que duram até hoje e vão continuar pra sempre. São essas coisas boas que eu trago e vou levar comigo pra onde for.”

Pedro Homrich conheceu o coral em 2013, mas foi só em agosto de 2014 que oficializou sua participação. Depois de assistir um dos ensaios, começou a gostar. Ele afirma que o que mais lhe chamou a atenção foram as pessoas. “Eu digo que não fui eu que não deixei o coral, foi o coral que não me deixou”.

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