Comportamento

De malas prontas para encarar o desconhecido

Estima-se que mais de três milhões de brasileiros vivem no exterior

Texto: Caroline de Borba e Paula Dagostin  

Foto: Ashim D’Silva

Maria Caroline dos Santos, de 21 anos, recentemente deixou o Brasil e realizou o sonho de morar na Itália. Sem muitos planos, levou somente uma quantia em dinheiro para se manter. A realidade de Maria Caroline é semelhante a de muitos brasileiros, que deixam a pátria em busca de uma vida melhor. Segundo levantamento feito pelo Ministério de Relações Exteriores, mais de três milhões de brasileiros vivem em outros países.

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Maria Caroline está vivendo a cerca de um mês em Veneza, na Itália (Foto: arquivo pessoal)

Em 2016, aproximadamente 18 mil brasileiros se mudaram para o exterior, segundo a Receita Federal. Esse dado corresponde a mais do que o dobro do ano de 2011. Essa escolha está ligada a busca por melhores condições de vida e oportunidades profissionais. “Ao sair do país onde você não vê mais perspectiva e ir para onde ofereça uma condição de vida melhor, mesmo que do zero, ainda se torna mais vantajoso”, explica a psicóloga Giovana Stuhler.

Na hora de decidir o destino, um dos principais critérios levado em conta é a oportunidade de melhorar de vida, seja pessoal ou profissional. Além disso, requisitos como segurança e educação também influenciam na escolha. “Como agente de viagens, é possível perceber que os maiores desejos são migrar para os países que proporcionem a melhora de vida e também a estabilidade financeira”, observa Athos Henrique Teixeira.

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A fotógrafa se divide entre os flashes e o seu trabalho como organizadora de eventos nos Estados Unidos (Foto: Arquivo Pessoal)

Com a intenção de enriquecer o currículo, jovens brasileiros buscam por cursos, seja de idiomas ou profissionalizantes, fora do Brasil. Aos fluentes na língua de destino, é uma forma de se manter em contato com um segundo idioma e aprender coisas novas. “Em 2012 eu decidi vir para os Estados Unidos para fazer um curso de fotografia. Para bancar os estudos pude trabalhar e ainda consegui melhorar o meu inglês”, afirma a fotógrafa Eloisa Jasper.

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, os Estados Unidos são o país de maior fluxo migratório de brasileiros, com mais de um milhão de imigrantes. Em segundo lugar está o Paraguai, seguido do Reino Unido. Pela facilidade de comunicação, Portugal figura em quinto lugar na lista, com mais de 160 mil brasileiros.

A maioria dos jovens imigrantes viaja em busca de novas experiências e sem planos concretos. Para Maria Caroline, a experiência tem superado suas expectativas, mas como não tinha nenhum emprego encaminhado, não tem previsões quanto ao futuro. “Sempre foi um sonho e há alguns anos surgiu a possibilidade. Um pouco foi também porque sempre ouvimos falar que a qualidade de vida é melhor fora. E claro, bastante curiosidade, vontade de viver coisas novas. Vim com a cara e a coragem”.

 Barreiras

Um dos primeiros passos para uma migração legal é a documentação, o que pode acabar se tornando um empecilho. A grande quantidade de documentos a serem providenciados e a incerteza da aprovação são, por vezes, motivadores da desistência. “A Irlanda e a Nova Zelândia se tornam opções por não exigirem visto de entrada, o que favorece a imigração ilegal”, ressalta Athos.

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De acordo com o Ministérios das Relações Exteriores, brasileiros tem acesso a 103 países do mundo sem a exigência de visto (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Além dos documentos, a adaptação a cultura local bem como a diferença de idioma são outras dificuldades encontradas pelos brasileiros. Para os fluentes da língua local, o impacto é menor, mas a integração com os costumes torna-se espontânea ao longo do tempo. “Morar aqui é muito diferente do Brasil, desde coisas corriqueiras à leis e coisas sérias”, salienta Eloisa, que mora nos Estados Unidos.

A distância da família e de pessoas próximas pode vir a tornar-se outra barreira na vida dos que estão longe de casa. Principalmente para aqueles que dependiam de pais ou responsáveis. As obrigações e a nova rotina podem ser uma mudança abrupta e nem sempre superada, fazendo com que retornem para seus lares.

Para algumas pessoas, o apego e a dependência são suficientes para que desistam da mudança. “Há muitas pessoas que, mesmo em situação de risco, decidem ficar em seus países e com a família”, pondera a psicóloga. Cada indivíduo reage de forma distinta à mudança, sendo as experiências únicas e intransferíveis. Ao decidir encarar a vida em outro país, deve-se ter em mente todos os percalços que poderão acontecer e estar preparado para essa nova jornada.

 

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