Bem-Estar

Tratamento gratuito para dependentes em álcool e drogas

Praia, happy hour, churrasquinho com amigos, festa no final de semana. Não faltam incentivos para tomar uma com os amigos

Texto: Sérgio Augustin e Gabriel Silva

Entre uma garrafa de cerveja e outra, você começa a ficar mais falante, mais comunicativo, alegre. Não entende mais o que seus amigos dizem. Mas, isso não importa, afinal você está se sentindo ótimo, mesmo que, para ir ao banheiro, tropece em algumas pessoas. No dia seguinte, com aquela dor terrível de cabeça, os amigos contam suas aventuras, pois certamente não lembra. E, ao ouvir tudo o que fez, só resta culpar alguém: “A culpa foi da bebida. Jamais faria isso, subir na mesa. Olha para mim! Vê se faria isso?”.

O excesso de álcool no corpo causa aumento da dopamina – substância responsável por diversas reações cerebrais, dentre elas a do prazer, ocasionando mudanças emocionais e comportamentais. Porém, o consumo em grande quantidade pode provocar delírios e até inconsciência. Depressões e agressões ficam mais acentuados.

CEG saúde
Foto: CEG Saúde

Uma consequência do aumento no consumo de álcool pelo mundo é que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS)  – a cada ano, 3,3 milhões de pessoas morrem por causa da ingestão de bebida alcoólica.

Outros casos são de pessoas que foram a falências financeira e moral por causa do vício, como é o caso do funcionário público Paulo Roberto Souza. Filho de alcoólatras, começou a beber aos nove anos de idade por influência de um tio. “Daí não parei mais, bebi até os 40 anos. Perdi tudo para o álcool e virei mendigo”, relata.

Segundo a psicóloga Luciane Gobbo Brandão, no estado de sobriedade temos um controle sobre a nossa racionalidade, sóbrio você pensa muito antes de agir. Quando bebe, você fica mais solto. O ser humano nasce dotado de impulsividade, e na medida que vai se introduzindo na sociedade, absorvendo princípios, valores, padrões comportamentais e costumes, ele vai se moldando. “Por isso muitos dos seus desejos são repreendidos. Com o uso do álcool, essa impulsividade toma conta, a irracionalidade e a imoralidade também”, explica a especialista.

Devido ao uso abusivo de álcool e drogas, Paulo perdeu o emprego, familiares e amigos e foi morar nas ruas de Balneário Camboriú. “Quando faltava álcool, ia aos postos de gasolina e pedia um pouco de álcool para colocar nos carros e tomava”, relata. Foram oito meses morando na rua, até que um dia um policial militar abordou o viciado e sugeriu que frequentasse o Alcoólatras Anônimos (AA).

Foi numa dessas reuniões do AA que Paulo ouviu um depoimento que mudaria sua vida. “O alcoolismo é uma doença progressiva e fatal que leva seu portador à morte, loucura, prisão ou sarjeta”, lembra. Paulo entrou no AA em 2004 e até hoje participa das reuniões.

Oficinas para o tratamento de dependentes

O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) – Álcool e outras Drogas (AD), de Balneário Camboriú oferece atendimento de saúde mental especializado para pessoas que necessitam de tratamento devido ao uso abusivo de substâncias lícitas e ilícitas, em âmbito municipal. O Caps-AD conta com uma equipe composta por médico psiquiatra, clínico geral, técnico de enfermagem e psicólogos.

CAPS AD 5ª Av 02 07 14 Foto Celso Peixoto (18)
A sede da unidade está localizada na Quinta Avenida, esquina com a Rua Curitibanos, no bairro dos Municípios. Mais informações pelo telefone (47) 3363-4465. (Foto: Celso Peixoto)

De acordo com a coordenadora do Caps-AD, Monalisa Lunardelli, o usuário que chega à unidade passa primeiramente pelo acolhimento, que é a fase onde o profissional de saúde realiza a escuta e identifica as necessidades para determinar o encaminhamento mais adequado. “A partir disso, é construído o projeto terapêutico singular, um conjunto de propostas e condutas terapêuticas, que serão discutidas entre a equipe de saúde, usuário e familiares de modo a atender as necessidades individuais de cada pessoa”, esclarece.

Oficinas Terapêuticas

Cine Caps, Jardinagem, Grupo de Estudo sobre Drogas, Grupo de Convivência, Grupo de Apoio as Famílias, Grupo de Mulheres, Grupos terapêuticos, Grupo de Prevenção Recaída, Oficina de Jogos, Oficina de Artesanato, Oficina de Música.

Ao todo 1589 pessoas participam das atividades, com atendimento em torno de 25 pacientes por dia.

As atividades têm o intuito de resgatar individualidades, descobrir potencialidades, desenvolver habilidades específicas e prover suporte de tratamento como atividade grupal. Ao proporcionar a socialização do paciente, busca facilitar o vínculo afetivo com profissionais e outros participantes da oficina. Monalisa salienta a importância dessas atividades por proporcionem a exteriorização de sentimentos (angustias, medos e inseguranças), incentivarem a criatividade, o contato e a integração com o grupo, além de desenvolverem o autocontrole e a autopercepção. “Isso tudo melhora a autoestima”, enfatiza

Benefícios
  • Maior conhecimento e aceitação da doença;
  • Incentivar usuários desmotivados, despreparadas e desencorajadas para mudar de comportamento;
  • Maior percepção e conhecimento dos sintomas de recaída;
  • Reorganização da rotina de atividades de vida diária e produtiva;
  • Descoberta de novas habilidades e interesses;
  • Desenvolvimento e organização de planos e estabelecimentos de metas.

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