Cidades

O resgate entre os menos favorecidos

A grande dificuldade é ter o controle dessas pessoas que, por muitas vezes, são esquecidas pelos familiares

Texto: Patrícia Barbosa e Samara Michele

“A única coisa que passa pela cabeça é assumir que era o lixo da sociedade”.  Assim era como Daniel Rick se sentia diante dos dilemas que enfrentava na vida, os problemas causados por um desafio constante de se livrar do vício. Aos 11 anos, Daniel se envolveu com drogas e hoje, com 25, conta que já foi acolhido por várias casas de passagem de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Após passar por diversos centros de recuperação sempre desistia e reincidia às drogas, depois de desgastar a confiança da família o único lugar que lhe restava era as ruas. Daniel recebeu um bilhete de passagem de ônibus para voltar ao Rio Grande do Sul e reencontrar a família.

‘Pode não parecer, mas a vida nas ruas é muito cômoda”, afirma o secretário de Desenvolvimento e Inclusão Social de Balneário Camboriú, ao  observar que o andarilho ganha comida, dinheiro e roupas com facilidade. O desafio para a gestão municipal de toda a cidade é ter o controle dessas pessoas que, por muitas vezes, são esquecidas pelos familiares. Luís Maraschin reforça que, ao se deparar com algum morador de rua, o correto é não dar comida, nem roupa e tampouco dinheiro, pois isso faz com que aumente a reincidência e dificulte a reintegração do mesmo na sociedade. O indicado é ligar para o Resgate Social e solicitar a presença de algum agente no local.

“Esta é a melhor forma de agir, pois há profissionais qualificados para esse tipo de situação. Eles farão o encaminhamento e o acolhimento do andarilho”, afirma Maraschin.

O resgate social, e seus anjos a bordo, faz rondas em uma Van 24 horas por dia, para acolher pessoas vulneráveis em Balneário Camboriú. Moradores de ruas, andarilhos, mendigos recebem uma oferta de cama quentinha, comida e bom banho, mas ninguém é obrigado a companhá-los. Os agentes explicam que, na casa de passagem, eles têm conforto e estão longe do perigo. Contam com hospedagem por dois dias e depois, caso queiram, são encaminhados para uma comunidade terapêutica, onde recebem tratamento que dura em torno de cinco a seis meses. Maraschin deixa claro que todo esse processo só pode dar seguimento se a família também estiver envolvida: “No período do tratamento, se a pessoa não fizer a reconstrução familiar, quando sair, não terá acolhimento. E, não tendo para onde ir, volta para rua”.

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Nos primeiros meses de 2017, o resgate social atendeu 790 pessoas, a maioria homens. Junto à Secretaria, fica o Sistema Municipal de Emprego (SIME), onde são ofertadas oportunidades de trabalho. Após conseguir uma vaga, o acolhido pode ficar na casa de passagem por um mês até receber seu primeiro salário. Além do acolhimento, o Resgate Social também oferece a passagem para voltar para sua cidade de origem. Mas existem aqueles que se recusam e voltam para rua por consequência da droga e do álcool.

Paulo Roberto de Sousa, que já foi morador de rua e agora é diretor do Departamento Social, acredita que, mesmo resgatando diversas vezes a mesma pessoa, uma hora pode dar certo.

“Não podemos desistir. Devemos tentar sempre”.

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O Regaste Social atua em parceria com a Assistência Social, ambos da Secretaria de Desenvolvimento e Inclusão Social, e ajudam aqueles que estão em situação de rua. Quando é detectado que a pessoa sofre de algum retardo mental, é feito o acolhimento e , em seguida, encaminhado para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Luiz Maraschin esclarece que, no caso de criança e adolescente, o resgate social não pode atuar. Deve ser acionado o Conselho Tutelar, que encaminha os jovens de 16 e 17 anos à Casa de Passagem do Adolescente, que fica na Vila Real.

 


Mais informações:

  • Resgate Social de Balneário Camboriú

Telefone: 47 9 8839-7075 (plantão 24 horas)

  • Secretaria de Desenvolvimento Social de Balneário Camboriú

Endereço: R. Dois Mil, 1380 – Centro

Telefone: (47) 3363-2745

  • Casa do Migrante de Balneário Camboriú

Endereço: Rua Edgard Linhares, no Bairro Nova Esperança.

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