Comportamento

Quando o medo de dirigir vira doença: amaxofobia

O medo de dirigir abrange uma lista de sintomas tanto psicológicos quanto comportamentais e é considerado um transtorno de ansiedade, pois produz um sofrimento significativo em algumas áreas.

Texto por: Bruna Souza e Roberta Ribeiro

Mãos trêmulas, coração acelerado, preocupações, pensamentos catastróficos, subestimação da capacidade de enfrentamento. A ideia de dirigir um veículo pode causar esses sintomas em algumas pessoas. De acordo com o Departamento Nacional de Trânsito – DETRAN, existem mais de 60 milhões de motoristas no país, número que poderia ser maior, porém, para algumas pessoas, o ato de guiar pode virar um pesadelo. Chamada de amaxofobia, o medo mórbido de se encontrar ou viajar em qualquer veículo atinge quase 8 milhões de brasileiros  e, dentre eles, 75% são mulheres.

Adriane de Freitas, de 25 anos, sentiu na pele o medo e a dificuldade em aprender a dirigir, mas conseguiu vencê-lo há um ano. “Quando completei 18 anos, me matriculei em uma auto escola para conseguir a habilitação.  Não tinha ideia de como era dirigir, mas meus amigos dirigiam e eu achava super fácil”, conta Adriane. Ela concluiu as aulas, passou no teste de direção, mas, na primeira tentativa de dirigir sem um instrutor, bateu o carro.

“Precisei ir até o centro da cidade resolver algumas coisas, como ia bem nas aulas, achei que poderia ir sozinha, mas estava um movimento grande na avenida, e fiquei nervosa e acabei batendo o carro”, relembra. A tentativa frustrada se tornou uma fobia para Adriane, que, desde então, guardou a habilitação e desistiu de dirigir. Alguns anos depois, devido à necessidade de dirigir, pediu ajuda e voltou a fazer aulas de direção para se sentir mais segura.

  O instrutor Alan Figueiredo aconselha que, nos primeiros dias de habilitação, o motorista não dirija sozinho, mas conte com a ajuda de alguém que lhe passa tranquilidade. O motorista de primeira viagem deve levar sempre alguma pessoa de confiança para auxiliá-lo e mantê-lo calmo. Alguém nervoso do lado pode atrapalhar muito mais.

A professora de Psicologia Giovana Delvan explica que o fato de alguém ter vivido algum tipo de acidente de trânsito pode contribuir para o desencadeamento deste quadro. Mas não necessariamente. “Pessoas perfeccionistas, que já mostram uma tendência à ansiedade, podem se tornar mais vulneráveis. Importante é que seja feito uma boa avaliação, para que se identifique quais destas influências estão agindo de forma mais frequente no quadro”, conclui.

É o caso de Marcelo Linhares, empresário de 31 anos, que ainda não superou o medo para encarar a direção de um veículo. “Nunca sofri nenhum acidente ou algo parecido, mas não consigo. Já tentei fazer algumas aulas, mas a ideia de estar no controle de um carro me causa pânico. Isso é péssimo, pois dependo de outras pessoas para ir aonde preciso”, afirma.

Para se livrar do medo de dirigir, Giovana explica a necessidade de uma avaliação para identificar o padrão cognitivo do paciente, o resgate da história de vida e sua história clínica. Em seguida, terapeuta e paciente estabelecem objetivos terapêuticos. Por exemplo: aliviar os sintomas de ansiedade quando utiliza veículos; ensinar o treino de relaxamento progressivo; identificar crenças disfuncionais e pensamentos distorcidos que influenciam seu comportamento.

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