Comportamento

Adote um amor para toda a vida

Segundo a OMS, Brasil tem 30 milhões de animais vivendo nas ruas

Texto: Bruna Gonçalves e Tatiane Decker

O abandono de animais, apesar de ser crime, é um problema que cresce cada vez mais, principalmente nas grandes cidades. Em contraponto a essa crueldade, existem pessoas que resgatam, cuidam e adotam animais de rua em condições precárias e fornecem a esses bichinhos um recomeço merecido.

Adotar é muito mais que um gesto solidário. É um gesto de amor. E é isso que a ONG brusquense, ACAPRA, fundada há 16 anos, tenta mostrar para as pessoas. “É um trabalho voluntário. Então as pessoas que ajudam a ACAPRA, seja da diretoria, ou voluntários em si, não recebem nada e cada um banca os seus gastos”, conta Lilan Dressel, que faz parte da ONG há quatro anos, estando há três anos na presidência.

Lilan conta também que, apesar da instituição ter um convênio com a prefeitura e receber ajuda financeira, esta ajuda pouco cobre os gastos com cuidados necessários, como nas clínicas veterinárias. O resto das doações são realizadas por pessoas físicas ou empresários. Existe também o convênio com a SAMAE, porém, boa parte das doações são de pessoas que realmente gostam de animais, vêm os casos e se solidarizam, fazendo doações por depósito, ou com as próprias voluntárias e clínicas veterinárias. “A dívida atual da ACAPRA é em torno de 40 mil reais. O gasto anual do ano passado, com clínicas veterinárias foi de 204 mil reais. Os 29 mil que recebemos anualmente da prefeitura, acabam sendo muito pouco. Então o resto conseguimos por meio de doações e o que não conseguimos pagar, penduramos até conseguir, pagando um pouco por mês.”

Para levantar fundos, a ACAPRA realiza eventos, como o pirão com linguiça que é feito uma vez por ano e é onde se consegue maior arrecadação. Também são feitas duas rifas por ano em datas especiais, pedágios, entre outros.

Ao contrário de algumas ONGs, a ACAPRA não possui abrigo. O objetivo é envolver a população com o trabalho voluntário. A ajuda com custos veterinários e necessidades dos animais é prestada. Porém, o objetivo é que pessoas ajudem com lares temporários para que estes animais possam receber a atenção que merecem. Não apenas sendo tratados com um problema resolvido.

“Para muitas pessoas, é simples. Basta existirem abrigos e o problema está resolvido. Apenas querem que tirem de frente das suas casas, ou da rua. O abandono os incomoda, mas não querem fazer nada para realmente ajudar, apenas responsabilizam a ACAPRA. A ideia é encontrar a melhor forma de ajudar o animal. Com saúde e cuidados. Às vezes, na rua, o animal está mais saudável que em algumas casas, como já vimos vários casos. Muitas pessoas que julgam o trabalho da ACAPRA, julgam porque não estão envolvidas com o assunto e não sabem como realmente funciona”, afirma Lilan.

O objetivo desta matéria é mostrar o lado bom das pessoas para com os animais. Mostrar para a população que existem muitas maneiras de ajudar animais de rua, ou as ONGs que se responsabilizam por eles. A série fotográfica abaixo apresenta histórias de pessoas que adotaram seus companheiros e possibilitaram um recomeço, com muito amor e carinho, para animais que estavam apenas esperando por uma nova família que os tratassem como merecem.

 

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ANA E ALÍCIA

A Ana encontrou a Alícia atropelada, praticamente morta. Correu para a clínica veterinária e conseguiram salvar a gatinha de aproximadamente sete meses. Acabou se apaixonando e a adotou. “Fomos visitá-la na clínica e a levamos para casa, não conseguimos mais doar, porque ela é uma boneca”, conta Ana Ghislandi, voluntária da ACAPRA.

JESSICA E LUNA

A Jéssica Ricardo adotou a Luna antes mesmo de se tornar voluntária na ACAPRA. Alguns de seus outros animaizinhos têm histórias trágicas. Já a história da Luna, antes da adoção, é desconhecida. “Ela tem mais ou menos um ano e meio”.

NICOLE E NINA

A Nicolie Fischer adotou a Nina para fazer companhia para a Coca, sua Bulldog, que era muito dependente e apegada à dona. Assim, levou a cachorrinha para uma das feirinhas da ACAPRA para que ela escolhesse a nova companheira. Na hora, a cachorra da raça Bulldog já se apaixonou pela Nina, que veio a ser sua nova companheira. “A Nina já estava a duas semanas com uma voluntária da ONG. Foi encontrada na rua da escola Santa Terezinha, bem assustada. Dia 12, vai fazer um ano que eu a adotei. Ela acabou fazendo muito bem para a Coca, que melhorou muito. As duas são grudadas, apaixonadas uma pela outra.”

LILIAN E BONNYE

Lilan Dressel resgatou o Bonny e sua irmã, quando filhotes. “Fomos a um local chamado Britador, no Bairro Poço Fundo e eles estavam lá. Os dois vieram correndo assim que chegamos e os levei para casa. A irmãzinha do Bonnye foi doada e ele estava conosco como lar temporário, mas nos apaixonamos por ele e decidimos adotá-lo definitivamente. De lar temporário para lar definitivo.”

ELLEN E BOB

O Bob foi resgatado graças a uma denúncia de que seus antigos donos tinham ido embora e o abandonado, junto com uma cadelinha, amarrados em uma corrente minúscula, nos dias quentes do verão de dezembro. “A princípio, ele estava comigo como lar temporário, mas uma semana depois, já estava apaixonada por ele e ficamos com ele. Ele é muito calmo, não é de fazer bagunça”, conta a sua dona apaixonada, Ellen Pons.

WILL E KIARA

A mãe do Willian Pereira encontrou a Kiara na rua, toda machucada e com ferimentos graves no olho. Suas costas estavam queimadas. Assim, a levaram ao veterinário e com a ajuda da ACAPRA, com os custos da clínica, Kiara recebeu o tratamento necessário. Porém, perdeu um de seus olhinhos e ainda tinha muito medo de todos. “Eu fui uma das pessoas que mais demorou para conquista-la. Ela só gostava da minha mãe, inicialmente, mas depois, começou a gostar de mim. O olho dela fechou de vez e o seu pelo começou a crescer de novo.” Kiara agora está com uma família que dá o amor e carinho que merece.

JÚLIA, LUCY E DORA

A Júlia Bambineti perdeu uma cadelinha de 11 anos. Na semana seguinte do acontecimento, seu pai comentou que havia encontrado um cachorrinho na rua, perto da sua casa, mas deu para a sua prima, que mora em frente. No dia seguinte, no trabalho, a dinda de Júlia ofereceu a cachorrinha como outro presente de aniversário para Júlia, já que não poderiam ficar com ela. “Conversei com a minha mãe, conversamos em família no almoço e decidimos ficar com a Dora”.

Algum tempo depois, Júlia encontrou a Lucy, com uma corda no pescoço, na rua, em meio aos carros. “Pensei que, se fosse a Dora, gostaria que alguém a segurasse para mim”. Então a segurou, alimentou a cachorrinha que estava com muita fome e colocou cartazes, divulgou para tentar encontrar os donos, mas não houveram respostas. Júlia então, durante esse tempo, cuidou da cadelinha, castrou, vacinou e acabou se apegando. “Minha mãe comentava ‘mas tu vais doar, né?’ e eu dizia que sim. Até que um dia, comentei que já havia gastado tanto com os cuidados que pedi para que ela ficasse também.” Assim, Júlia deu um lar para Lucy e Dora, onde não faltam carinho e amor.

IRMINGARD E SURI

A Dona Irmingard Niebur Facchini vem passando por anos e fases bem difíceis em sua vida, principalmente no que diz respeito à sua saúde. A Suri, sua companheira, é um motivo de alegria em meio aos tempos ruins. Uma cuida da outra.

RAQUEL, EDER, RINGO E SUSHI

O Ringo foi o primeiro cachorrinho a ser adotado em uma feirinha da ACAPRA pela família. Ele aprontava muito quando novo, mas sempre foi muito amado e mimado pela filha mais nova do casal Eder e Raquel. Alguns anos depois, a Sushi foi adotada e tomou conta da casa, sempre recebendo muita atenção e carinho de todos. “A Sushi é a princesinha da casa”, conta Raquel Facchini Gonçalves.

GUILHERME E PUNKY

A Punky foi adotada pelo Guilherme e a Júlia, sua namorada, quando era um bebê. A empregada doméstica que trabalha na casa da Júlia havia recém adotado uma gatinha de rua que estava grávida e ofereceu um dos filhotes para os dois. “Tinham vários filhotes lindos, mas pegamos a Punky porque sabíamos que, por ser um gato preto, seria mais difícil de ser adotada”, conta Guilherme Adami.

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Interessados em adoção ou em ajudar a ONG, podem entrar em contato através do site da ACAPRA. É válido lembrar que esta é apenas uma de muitas organizações que abrigam um grande número de animaizinhos que estão à espera de um lar.

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