Bem-Estar

Redes sociais X depressão: amigo ou vilão?

O uso continuo das redes sociais contribuem para a depressão, isolamento e automutilação?

Texto: Amanda Macuglia e Joana Fonseca

O uso diário das redes sociais facilitou a comunicação entre as pessoas e a troca de informações e dados, mas acabou sendo um motivo para diminuição da interação física. Hoje é comum vermos um grupo de pessoas sentado à mesa de um restaurante, cada um com celular na mão sem conversarem entre si ou pessoas andado na rua completamente vidradas no celular, sem prestar a mínima atenção no que está acontecendo ao seu redor.

Vários psiquiatras e psicólogos diriam que um dos principais sintomas da depressão é o isolamento. Não seria, então as redes sociais uma das causas da doença? A psicóloga Aline Costa, que atende vários pacientes com depressão em Balneário Camboriú, afirma que as redes sociais não são a causa da depressão, mas um fator agravante da doença.  “As redes sociais não causam a depressão, mas quem tem propensão a ter ou já está em estado depressivo, as redes sociais, na maioria das vezes, não são benéficas. Uma das razões é que as redes sociais não incentivam o contato social presencial entre as pessoas, então o depressivo que já tem tendência a se isolar, se esconde ainda mais atrás das redes”.

O jornalista e designer gráfico Rodrigo Oliveira, que tem depressão crônica, diz que prefere se expressar pelas redes sociais do que pessoalmente. “Quando se está nas redes sociais, você acaba estando suscetível a ver coisas que não te agradam e podem te deixar para baixo, pois as redes sociais nos trazem, muitas vezes, a opinião das pessoas ou informações repassadas por aqueles que não possuem instrução. Eu mesmo, que sofro de depressão crônica, às vezes, me sinto mais a vontade de falar pelo whats do que pessoalmente”.

Outro ponto negativo sobre as redes sociais é a “felicidade eterna” que as pessoas transmitem nas redes sociais. Nós só compartilhamos momentos bons e agradáveis das nossas vidas, dando a impressão de que não temos problemas ou momentos ruins. Um estudo feito pela pesquisadora alemã Hanna Krasnova, da Humboldt University de Berlim, em 2013, aponta que dentre todas as redes sociais a que tem tendência mais recorrente de forjar uma vida perfeita é o Instagram. Segundo a pesquisadora uma foto transmite de uma forma mais explícita como é ser uma pessoa feliz, rica e bem-sucedida do que teria a partir de uma atualização de status, provocando uma comparação social imediata.

Lola Dias, de 22 anos, que faz tratamento contra a depressão conta como o Instagram influenciou negativamente na sua vida. “As redes sociais têm um poder enorme sobre as pessoas que não se sentem bem com elas mesmas. Hoje em dia, o que define se você é bonita ou não, não é o que você vê no espelho, não é o que as pessoas que você ama te dizem, é quantos likes você recebe numa foto, são os comentários. Se você posta uma foto e ninguém curte, você vai lá e apaga a foto porque isso significa que ela está feia. Que você está feia. Eu costumava ter aqueles aplicativos que conseguiam curtidas nas minhas fotos só para conseguir me sentir melhor comigo mesma. Para saber que as meninas que não gostam de mim, assim como os meninos que eu gosto, vão entrar no meu perfil e dizer “nossa, como ela é linda”, sem nem olhar as fotos, olhando só as curtidas. Porque o que te define como bonita hoje em dia não é mais a qualidade, não é mais o que se vê, são números”.

A psicóloga Aline Costa confirma que as redes sociais podem causar ao depressivo a sensação de que só a vida dele está ruim e que só ele tem problemas e até se sentir culpado por isso. “Nas redes sociais geralmente as pessoas se mostram muito superficialmente e aparentam estar sempre felizes e ter uma vida perfeita, então a pessoa com depressão se sente mal e parece a única a ter problemas”.

Um outro problema que afeta principalmente os adolescentes com depressão são os grupos privados de incentivo ao suicídio e a automutilação. A divulgação na mídia do jogo de suicídio “Blue Wale”, no início desse ano, alertou aos pais sobre a existência de grupos nas redes sociais que incentivam as pessoas a tentarem suicídio e se cortarem para “aliviar” a dor e os problemas.

O jogo consistia numa lista de 50 desafios, os 49 primeiros eram para o jovem criar coragem para completar o último que era cometer suicídio. Aline afirma que, nesses grupos, as pessoas até postam fotos dos cortes como forma de incentivo aos demais do grupo. “Existem muitos grupos incentivando a pessoa a se cortar e até incentivando o suicídio, dentre outros”.

Também as redes sociais facilitaram a comunicação entre grupos de apoio a pessoas com depressão e as pessoas que sofrem da doença, como o Centro de Valorização à Vida, CVV, que possui uma página no facebook que direciona as pessoas a um chat, e-mail, Skype e telefone à disposição 24 horas por dia.  “Existe o fator positivo, mas muito menos divulgado e procurado que são os grupos de apoio à depressão que incentivam a pessoa a buscar tratamento e mostram que existem saídas para a doença”, ressalta Aline.

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