Bem-Estar

Os mitos da dieta vegetariana: aonde estão as vitaminas?

Apesar dos rumores , a dieta vegetariana é uma prática benéfica ao corpo humano

Texto: Bruna Gonçalves e Hélia Tatiane Decker

A decisão de optar por uma dieta sem carnes pode surgir por diversas razões: preocupação com a saúde, religião, causas ambientais, em defesa dos animais ou apenas (e simplesmente) por uma escolha pessoal. Apesar dessa decisão afetar única e exclusivamente a pessoa que a toma, é um assunto que gera polêmica e talvez isso aconteça pela falta de conhecimento das pessoas acerca do assunto, que ainda é pouco abordado. Uma das principais preocupações das pessoas com esse estilo de vida está ligada a causas nutricionais. Porém, estudos comprovam: a afirmação que vegetarianos sofrem com a falta de nutrientes é, na verdade, um mito.

Uma alimentação saudável leva em consideração as necessidades individuais de cada pessoa, devendo ser suficiente, equilibrada, diversificada e adaptada a cada situação e circunstância. Segundo a nutricionista Sabrina Osmarini, a dieta vegetariana tem sido largamente estudada nos últimos anos e associada à prevenção de doenças predominantes na nossa sociedade. “Estudos epidemiológicos têm documentado benefícios importantes e mensuráveis das dietas vegetarianas e outras à base de produtos vegetais, tais como a redução da prevalência de doença oncológica, obesidade, doença cardiovascular, hiperlipidemias, hipertensão, diabetes, assim como no aumento da longevidade”.

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A qualidade proteica dentro de uma dieta é determinada por dois fatores: o conteúdo em aminoácidos e a digestibilidade, não esquecendo a sua biodisponibilidade. Os alimentos com teores elevados de aminoácidos essenciais são considerados de alto valor biológico. As proteínas de vários alimentos de origem vegetal são constituídas por todos esses aminoácidos essenciais, no entanto, a quantidade de um ou dois destes aminoácidos poderá ser baixa/limitante. Numa dieta vegetariana, uma diversidade de alimentos de origem vegetal permite, através da complementaridade dos seus aminoácidos, atingir facilmente as recomendações quer proteicas, quer em aminoácidos.

Fontes alimentares vegetais: leguminosos, produtos à base de soja, cereais integrais, pseudocereais (quinoa, amaranto e trigo sarraceno), frutos gordos, sementes, laticínios e ovos.

Para quem já é adepto, os benefícios se mostram presentes e constantes. É o caso da estudante de naturologia Graziela Venturin, que há 4 anos não como carne vermelha, há 3 anos e meio não come frango, há dois anos não come peixe e há alguns meses também não consume derivados animais, prática esta denominada vegana. A filosofia de um vegano é respeitar a vida em primeiro lugar, respeitar o planeta em que se vive, procurando manter-se íntegro no ambiente que for.

– Primeiramente fiquei 40 dias sem comer carne vermelha e nesse período notei muitas mudanças no meu corpo e na minha vida de maneira geral, mudei em exatamente tudo. Meus pensamentos eram outros. Comecei a pesquisar e querer entender melhor o que estava acontecendo. Comprei diversos livros, comecei a pesquisar na internet, assistir documentários e comecei a me informar mais a cada dia. Deixei meu corpo agir naturalmente e com o tempo, não fui mais aceitando vários alimentos de origem animal. Não foi algo forçado por mim e nem por ninguém, simplesmente aconteceu e eu respeitei. Por isso respeito qualquer opção alimentar de qualquer pessoa. Não se deve impor e obrigar nada a ninguém, e sim aceitar. Cada um teu seu tempo para as coisas. A partir do momento em que vi os benefícios no meu corpo físico, mental, comportamental, não tive dúvidas do quanto eu precisava ler e aprender sobre isso. Achei muito conteúdo, muita informação e me encantei, pois o alimento é só um detalhe da nossa saúde, o que rodeia ele é uma cadeia gigante, que gira bilhões de reais, dólares, euros, enquanto ainda existe fome no mundo – conta Graziela.

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Para Graziela, o mais importante é estar em sintonia com a natureza

A melhora na digestão, na qualidade de vida, menor suscetibilidade para momentos conflituosos, equilíbrio no corpo físico, mental e comportamental foram alguns do benefícios que a estudante encontrou nesta alimentação. “Tudo que ingerimos, seja como alimento, bebida, oxigênio, vai ter uma reação química dentro do nosso corpo, junto com nossos hormônios e isso vai nos afetar de forma física e mental, sempre, e como esse alimento foi cultivado ou tratado vai fazer toda diferença dentro do nosso organismo”.

Os motivos para a mudança de hábito da programadora Karol Braga já foram diferentes. Apesar de ter sentido inúmeros benefícios em sua saúde, mental e física, o início ocorreu por outros motivos.

– Muita gente se torna vegetariano pensando na saúde ou no meio ambiente. No meu caso foi mais por compaixão aos animais. Sei que o fato de eu ter virado vegetariana não vai acabar com a indústria da carne, mas pelo menos tenho consciência que não faço parte disso. Me sinto muito mais saudável desde que virei vegetariana, principalmente porque ao eliminar a carne do cardápio passei a consumir mais legumes e verduras.

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A ONG Mercy For Animals trabalha para a construção de um mundo sem violência, onde animais são tratados com respeito

Para a dieta vegetariana ser nutricionalmente adequada às várias fases do ciclo de vida, grau de atividade física e a situação de saúde, deverá levar em conta diversos aspectos, como o valor energético dos alimentos, os macronutrientes e os micronutrientes – vitaminas, minerais e oligoelementos. Além disso, a alimentação não é a única necessidade para uma vida saudável e é, sim, preciso ir ao encontro de diversos outros hábitos. Os benefícios encontrados na literatura científica relativa à dieta vegetariana não devem ser vistos à luz de alguns alimentos ou nutrientes isoladamente, mas como o resultado de uma presença constante, diversificada e sinérgica de vários produtos de origem vegetal, bem como de uma provável associação a um estilo de vida saudável, afirma a nutricionista.

Não se pode afirmar com precisão quando o vegetarianismo surgiu, mas diversos filósofos já falavam sobre uma dieta vegetariana, como Gandhi, Pitágoras, Einstein, Platão e Voltaire. O consumo de carne surgiu bastante tarde na evolução humana e, apesar de não existirem termos como “vegetarianos” há cerca de 5 milhões de anos, nosso antepassado mais antigo, o Australopithecus Anamensis, alimentava-se de frutas, folhas e sementes, vivendo em perfeita harmonia com os animais.   Com o domínio do fogo e a invenção de armas,  nosso antepassado Homo Neanderthalensis, que viveu há 127.000 – 30.000 anos, tornou a prática da caça mais comum.

Para a nutricionista Sabrina Osmarini, qualquer pessoa, indiferente de sua escolha alimentar, deve seguir algumas orientações básicas, essenciais para qualidade de vida.

– Aconselho a realizar refeições de 3 em 3 horas, não tendo um período de jejum muito prolongado, alimentando-se de 4 a 6 refeições por dia, comendo mais vezes por dia em menores quantidades. Manter sempre os horários das refeições, assim como nós temos horários para chegar e sair do trabalho, por exemplo, nosso organismo também precisa de regras. Ingerir de 2 a 3 litros de água por dia, além de realizar exercícios físicos (sob orientação de um educador físico).

Uma dieta vegetariana, quando mal planejada dentro dos padrões nutricionais, poderá sim trazer deficiência de algumas vitaminas. Da mesma forma, um indivíduo não vegetariano, que não possui uma alimentação saudável, poderá também apresentar estas deficiências nutricionais. Cada pessoa é única e singular, assim como suas escolhas, e o importante é se informar e respeitar.

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– Não gosto de títulos, apenas não consumo alimentos de origem animal porque sou mais feliz, sou mais leve. Sinto que tenho um compromisso com meu planeta e com a melhor saúde que posso oferecer ao meu corpo físico, porque se não fosse ele eu não estaria aqui. Cada ser humano vive em um ambiente, em uma realidade familiar, financeira, cultural, enfim, não tem como generalizar ou julgar os hábitos de cada um, e sim mostrar o quanto podemos melhorar para a evolução da nossa espécie e nos ajudarmos para construirmos um mundo mais justo, de mais paz e menos sofrimento”, afirma Graziela Venturin.

 

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