Meio Ambiente

Risco de insuficiência no abastecimento de água incentiva preservação

Com a indicação de que em dez anos o Vale do Itapocu pode começar a sentir os efeitos do desmatamento e poluição, Amvali atua Projeto Mananciais em seis municípios

Texto por: Dyovana Koiwaski e Danilo Vieira

Apesar de ser rodeada por nascentes, a região do Vale do Itapocu, no norte de Santa Catarina, pode sofrer com a falta de recursos hídricos a partir de 2027. É o que indica um estudo realizado pelo Comitê da Bacia do Rio Itapocu, cujo objetivo é garantir a qualidade e preservação da água utilizada pela população.

A ocupação nos municípios se deu às margens das águas, entre as montanhas características. Na avaliação do técnico do Plano de Recursos Hídricos da Amvali (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu) Felipe de Oliveira, ao longo dos anos os locais se tornaram receptores de dejetos por parte da população ou fonte de insumos para a indústria e atividades agropecuárias, impulsionando o desaparecimento das nascentes.

De acordo com os dados levantados, se o ritmo de uso da água for mantido como está atualmente, a situação da região estará em péssimas condições daqui a dez anos. “A vegetação nas margens dos rios e a proteção do ponto onde começa o curso da água é fundamental para garantir o abastecimento desses municípios”, destaca a engenheira florestal da Amvali, Karine Holler.

Morador de Corupá e conhecido pelo cultivo de vitórias-régias, o agricultor Manfred Millnitz observa que antigamente os rios eram mais profundos e limpos, com os arredores mais verdes.

Para tentar reverter esta situação, a Amvali trabalha com o Projeto Mananciais – Recuperação de Nascentes e Matas Ciliares para Produção de Água. A ação é destinada para proprietários rurais que tenham suas áreas localizadas acima da captação de água dos municípios e tamanho máximo de 48 hectares.

Mais de 500 áreas na microrregião devem ser recuperadas nesta primeira etapa do projeto. Em Jaraguá do Sul, Corupá e Schroeder serão 150 propriedades. Já em Massaranduba 68, em Guaramirim cinco e Barra Velha 33. O número é relativo e pode variar, conforme destaca a engenheira florestal da Amvali, Karine Holler.

Segundo o secretário de Desenvolvimento Rural e Abastecimento de Jaraguá do Sul, Daniel Peach, a cidade conta com 592 imóveis rurais que precisam restaurar suas nascentes e matas ciliares nas bacias prioritárias, somando 230 hectares, 115 nascentes e 39 quilômetros de rio a recompor. Pelo Mananciais, devem ser contemplados principalmente terrenos nos bairros Garibaldi, Jaraguazinho, Santa Luzia e João Pessoa.

Inscrições para proprietários encerram no mês de setembro

Os cadastros podem ser feitos através do site da Amvali ou nas secretarias de agricultura dos municípios, com apresentação do recibo do Cadastro Ambiental Rural (CAR). A equipe está realizando encontros na microrregião para apresentar a proposta e motivar os agricultores a participar. “Já temos inscritos, mas o número é baixo em comparação com a nossa meta”, aponta a engenheira. A mobilização irá acontecer até o mês de outubro. Em novembro, os técnicos iniciam as visitas nas propriedades.

Os beneficiados devem assinar um termo de compromisso. Com isso, a equipe responsável irá avaliar qual técnica será utilizada para recuperar o respectivo local, podendo ser através do plantio de mudas ou prevenção da erosão. “A vegetação consegue proteger os rios e segura as águas na bacia hidrográfica”, aponta Karine.

Os agricultores que aderirem ao projeto ainda podem receber uma quantia em dinheiro para realizar a manutenção da área, o Pagamento por Serviço Ambiental (PSA). O tempo total de duração está estimado em quatro anos. O investimento é de R$ 2,9 milhões, provenientes do Fundo Nacional do Meio Ambiente/Ministério da Agricultura (FNMA/MMA).

Neste mês, a Amvali apresentou o Projeto Mananciais no III Encontro de Gestores Municipais de Convênios e I Seminário Catarinense de Engenharia e Arquitetura no Setor Público em Florianópolis, promovidos pela Federação Catarinense de Municípios (Fecam).

Representando a associação, esteve presente o prefeito de Guaramirim e presidente da Amvali, Luiz Chiodini, a secretária executiva, Juliana Demarchi, e a engenheira Karine.

Cadastro de Usuários de Água auxilia análise da bacia hidrográfica

O Cadastro de Usuários de Água, organizado pelo Comitê da Bacia do Rio Itapocu, também contribuiu para preservação. Ele tem como objetivo identificar quem, como, onde, quanto e para que usa as águas da bacia do Rio Itapocu e inclui informações sobre a vazão utilizada, local da captação, empreendimento, atividade, entre outras informações.

Os dados levantados através do cadastro irão auxiliar no planejamento e na tomada de decisões, com o intuito de garantir água para todos os usos atuais e futuros. Com pouco mais de 500 inscritos, a equipe responsável vem realizando palestras para explicar sobre a importância de efetuar este controle, que possibilita a criação de diretrizes e ações para os diversos usos da água.

Eduardo Montecino
Neste ponto do rio Itapocu, em Jaraguá do Sul, é possível observar o derramamento de substâncias poluentes

 

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