Comportamento

Quando o professor não tem vez

Os relatos de violência em sala de aula variam de região e são comuns

Texto: Patrícia Barbosa e Samara Michele

O recente caso da professora de português que foi agredida por um aluno de 15 anos em Indaial ganhou grande repercussão nas mídias sociais e trouxe à tona um problema antigo da rede de ensino. Os relatos de violência em sala de aula variam de região e são comuns, mas poucos chegam ao nível do caso de Marcia Friggi, que, na manhã do dia 21 de agosto, postou em seu perfil no Facebook fotos da agressão recebida e com o rosto sangrando desabafou: “Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última”.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, a professora agredida afirma que não conhecia o histórico do aluno, pois era o primeiro dia de aula com aquela turma.

Confira a reportagem na íntegra.

O caso repercutiu nas mídias sociais e nos principais veículos de comunicação.

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Antes, durante e depois da agressão de Marcia Friggi

Marisa Borges, 45, formada em Letras e professora do EEB Professora Francisca Alves Gevaerd de Balneário Camboriú, trabalha há 16 anos para o estado e afirma que em todo esse tempo nunca viu um caso de agressão física explícita, mas em contraponto relata que a agressão verbal é bem comum. “Não tem como modificar essas atitudes, então é algo que não pode levar adiante”. Em casos muito anormais o adolescente é levado para acompanhamento psicológico.

A professora também ressalta que o sistema de ensino é confrontador, pois o professor não tem a liberdade de avaliar o aluno conforme seu desempenho. Existem situações de ameaça verbal, como quando os alunos ou responsáveis exigem a aprovação no ano letivo, independente do desempenho em sala. Marisa afirma que nesses casos é necessário pesar a frequência e o ritmo do aluno durante o ano e, se necessário, solicitar aos responsáveis o comparecimento na instituição para esclarecer a situação. Um comportamento comum é de pais que não conseguem dar atenção aos filhos e por isso acham que o educador tem a atribuição de civilizar o aluno. Isto é uma questão particular que muitas vezes reflete no comportamento dentro da sala de aula. Aconselha-se aos pais nesses casos procurar ajuda profissional.

A cidade de Balneário Camboriú conta em cada unidade de ensino com um psicólogo que acompanha alunos com problemas disciplinares, mas essa é uma atitude da gestão municipal. Já na rede estadual não há esse recurso. O Governo Federal criou em 2001 o APOIA, um programa que inicialmente tem o objetivo de combater a evasão escolar, mas que também disponibiliza psicólogos. A iniciativa ainda é pouco explorada. Em casos de necessidade também é possível adquirir consulta através do Sistema Único de Saúde (SUS).

A escola tem a responsabilidade de formar o ser humano em detrimento dos conhecimentos do mundo e encaixá-lo na sociedade. Os pais têm a responsabilidade de educar e ensinar o que é ética e caráter”. Marisa Borges.

Em reportagem ao Jornal de Santa Catarina desta quarta feira (23), sobre o caso da professora agredida em Indaial, a educadora Stela Maria Meneguel, professora da Furb, afirma que a escola faz parte de uma sociedade que está cada vez mais violenta e o apoio das famílias às atitudes da escola demonstra aos alunos que existem regras sociais que devem ser seguidas e, tanto a displicência quanto a superproteção, podem deslegitimar a autoridade da escola. Após a divulgação do caso da professora de Indaial que foi agredida, o SINTE, sindicato que representa os trabalhadores em educação do estado de SC, emitiu em seu portal uma nota de apoio à professora: “Vamos cobrar desse Governo uma política de segurança permanente aos seus trabalhadores e estudantes, pois até agora o que este Estado fez foi retirar os vigilantes das unidades escolares, deixando todos a mercê da violência”.

Maria Alice Fonseca, pedagoga formada pela Univali, atua na educação há 33 anos e ressalta que a violência reflete no patrimônio público. “Se uma escola é alvo de vandalismo, o ambiente já fica negativo e os professores têm dificuldade de controlar a tensão em sala de aula”. A educadora ainda relata que já sofreu agressão em duas fases, como aluna nos tempos de colegial e como professora na rede pública de ensino, e completa que casos de agressão existem em todos os âmbitos, quando uma criança ou adolescente convive num ambiente violento e recebe algum tipo de limitação, normalmente se defende de forma agressiva.

Confira o posicionamento da educadora Maria Alice sobre o princípio da violência em sala de aula.

 

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