Meio Ambiente

Superlotação na Viva Bicho resulta da irresponsabilidade humana

A ONG está com o dobro da lotação máxima e não está mais recebendo animais

Texto: Caroline de Borba e Paula Dagostin

Lar de 1.500 animais atualmente, a ONG Viva Bicho abriga um número maior do que o dobro de sua capacidade.  Enquanto alguns animais transitam livremente, a maioria concentra-se em canis espalhados ao longo do terreno. A ONG recebe cerca de 100 a 150 animais ao mês, dos quais 80% costumam ser adotados.

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Foto: Paula Dagostin

Em virtude da superlotação, a Viva Bicho não aceita mais animais. Ao som de latidos, Pamela Israelson, presidente da ONG, explica suas limitações, enquanto alguns cães passam pelo escritório.  “As pessoas têm que entender que existe um limite, principalmente em relação ao espaço físico, visto que os animais precisam ter qualidade de vida.”

Mesmo lotados e com falta de recursos para a manutenção da estrutura, a ONG recebe animais em situação precária, trazidos pelas autoridades policiais. Apenas casos de urgência e emergência, em que os bichos são vítimas de atropelamentos, filhotes, animais doentes ou fêmeas prenhas. “Muitas pessoas se mudam, ou simplesmente, não querem mais os animais e trazem para nós. Nestes casos, não os acolhemos, pois são responsabilidade de seus donos”, explica Pamela.

De acordo com dados da pesquisa realizada, em 2014, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), publicada no portal Vale Alternativo, no Brasil há cerca de 30 milhões de animais abandonados. Este montante corresponde a aproximadamente 20 milhões de cachorros e dez milhões de gatos. Estes números, contabilizados há três anos, correspondem à quantidade excessiva de animais que transitam pelas ruas e superlotam abrigos.

Segundo a agente da Guarda Ambiental Tassia Carvalho, os abandonos ocorrem em lugares retirados de Balneário Camboriú. “A maioria das ocorrências acontece em locais mais afastados, como na Estrada Geral do Barranco, onde não há muitos vizinhos. Os animais domésticos, quando necessitam de cuidados, são encaminhados para a ONG que os reabilita e os coloca para adoção”. Aves e serpentes são encaminhadas ao Complexo Ambiental Cyro Gevaerd (Santur), e, no caso de animais marinhos, à Universidade do Vale do Itajaí, no campus localizado na cidade de Penha.

A estudante de Medicina Veterinária Bruna Ishiguro já perdeu as contas de quantos animais adotou. Calcula, que, desconsiderando os animais para os quais deu lar temporário, os adotados sejam cerca de 18, entre cachorros e gatos. “Infelizmente, minha motivação para adotar ou resgatar qualquer animal, vem da irresponsabilidade de tutores que não castram os animais e os deixam soltos, propensos à procriação. Poucas pessoas realmente se importam quando encontram um animal abandonado. Até sentem pena, mas, por medo ou nojo, acabam não ajudando. ”

A ONG Viva Bicho, uma das responsáveis pelo acolhimento de animais abandonados no Estado de Santa Catarina, foi fundada em 2003, no município de Balneário Camboriú. Quando iniciou, acolhia 40 animais, quantidade bem distinta da atual.  A ONG tem como lema a conscientização sobre a posse responsável dos animais, a castração, o resgate de animais e o tratamento para deixá-los em situação de adoção.

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Foto: Caroline de Borba

A Viva Bicho recebe verba por meio de dois convênios com o município. Os recursos são destinados à compra de ração dos animais e à castração. Os gastos com material de limpeza, veterinários conveniados, estrutura e funcionários são de responsabilidade da ONG. Além disso, conta com a ajuda de voluntários, bazares e vendas de produtos. Os gastos mensais são entre 50 e 60 mil reais.

Devido à crise econômica, atuam com nove funcionários. “A estrutura é muito precária, antiga, tem mais de dez anos. Fomos expandindo conforme a demanda. Nós temos carência de tudo, então não sobra dinheiro para investirmos na manutenção do abrigo. Temos prioridades maiores, como remédios para cães idosos, vermífugos, vacinas, antibióticos e castrações.”

Com a intenção de controlar a lotação no abrigo e encontrar um lar para os animais, mensalmente acontecem as feiras de adoção. Mesmo que o maior número de adoções aconteça diretamente no canil, são adotados, em média, 25 a 30 animais. 

O processo da adoção não é tão simples, exige responsabilidade dos acolhedores e para que seja legítima, a organização tem critérios rigorosos. “Muitas pessoas acabam adotando por impulso na feira, por acharem bonitinhos. Mas não é bem assim, pois é uma responsabilidade para o resto da vida. Então, temos certos requisitos para quem quer adotar, como por exemplo, documentação pessoal, permissão do dono do imóvel e também realizamos uma entrevista”, reforça Pamela.

A rigorosidade no processo ocorre devido ao registro de casos de irresponsabilidade dos acolhedores. Pamela conta que já houve situações em que as pessoas adotaram e depois abandonaram os animais, os quais a ONG teve que recolher novamente. “Caso seja constatada que aquela pessoa não é apta para adotar, nós não doamos, prefiro que eles fiquem aqui conosco.”

Bruna Ishiguro, adepta da adoção de animais, aconselha esta atitude a todos, e garante que a gratidão dos animais adotados é reconfortante. “Todo tempo, amor e cuidados depositados num animal voltam em dobro. Você nem sempre sabe pelo que o animal passou na rua, por isso, é muito bonito a confiança que se estabelece ao longo do tempo.”

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Bruna Ishiguro e familiares com os animais resgatados e que agora fazem parte da família. (Foto: Acervo pessoal)

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