Cidades

Avenida Brasil, em Balneário Camboriú, tem quase 80 imobiliárias em sua extensão

Com um dos mercados imobiliários mais agitados do país, Balneário Camboriú conta com duas imobiliárias a cada 100 metros em uma de suas avenidas principais, mesmo com o surgimento de novas formas de negócio na área.

Texto: Anna Paola, Daiane de Souza e Maria Eduarda Cagneti Silveira.

Não é novidade que Balneário Camboriú tem um dos mercados imobiliários mais aquecidos do Brasil. Porém isso implica em um número relativamente grande de imobiliárias na cidade. Só na extensão da Avenida Brasil são quase 80 locais que vendem ou alugam imóveis na cidade. Isso significa que ao andar pela avenida é possível encontrar duas imobiliárias a cada 100 metros. Mas, segundo a corretora Lisiane Reggiore, a quantidade de imobiliárias como a dela não é um problema. “O mercado é ótimo, é fora de padrão do resto do Brasil. É outro mercado imobiliário, aqui não tem crise. O mercado está aí para todos, quem fizer um bom trabalho, for profissional e responsável vai sempre se destacar”, explica.

Mesmo com a imensa quantidade de pessoas qualificadas a instruir uma compra ou aluguel de um imóvel, isso parece não ser o suficiente. Um exemplo disso é o grupo no Facebook chamado “Aluguel Balneário Camboriú/SC – Anual/Estudante” que reúne quase 20 mil membros e é atualizado diariamente com ofertas variadas. Esse novo espaço de troca de informações surge da necessidade de agilizar o processo, principalmente de aluguel, sem as burocracias enfrentadas ao contratar uma imobiliária. A fuga da burocracia é um dos motivos da busca por formatos variados de negociação. Essa é a opinião de Mariana Zucco, que deixou de colocar seu imóvel na imobiliária para alugar no site Airbnb. “Acho que o meio imobiliária já está um pouco quadrado. Além de valores absurdos, tem toda a burocracia dos pagamentos adiantados, a negociação terceirizada. Fora que estamos em 2017 e você procura no Google e não acha mais nada decente, sites horríveis. O Airbnb começa a ser mais confiável, preço melhor e a facilidade de comunicação com o proprietário deixa o inquilino confiante”, explica.

O público, porém, nem sempre confia em acordos feitos pela internet. Eduardo de Sousa, estudante de publicidade da Univali, mora em um apartamento com contrato anual atualmente e, apesar de não aprovar o serviço das imobiliárias, prefere confiar no trabalho profissional deles. “O serviço acho ruim. Eles não dão muita assistência, e quando dão, são bastante grosseiros, desleixados e antipáticos, principalmente com a primeira imobiliária em que aluguei apartamento em 2015. Procurei apartamento sim em grupos do Facebook, porém não achei uma ferramenta muito segura e eficaz”, explica o universitário. Eduardo levantou também um problema na qualidade dos imóveis e diz ter procurado muito para conseguir um apartamento anual, para que pudesse aproveitar também durante as férias, que fosse de boa aparência e preço. “Os apartamentos bons são muito caros. Os de preço médio sempre trazem problemas juntos. Ou localização ruim, ou móveis ruins, ou algum tipo de precariedade. As imobiliárias e os locadores se aproveitam por BC ser uma cidade turística para tirar dinheiro do bolso dos estudantes”.

Ao ser questionada sobre o assunto, Lisiane explica que a preferência de quem disponibiliza imóveis para alugar durante o ano é sempre para estudantes, de março à dezembro, pois dessa forma podem alugar na temporada, em que conseguem o melhor valor pago. “Essa temporada, como foi bem fraca, muitos que alugavam estudante decidiram alugar anual por medo de a próxima temporada não dar frutos e, então, já ter um valor garantido”, explica. O depoimento de Mariana confere com o cenário imobiliário descrito pela corretora. No último ano, após ter investido em uma reforma no local, Mariana e sua família anunciaram o imóvel através de imobiliárias de novembro de 2016 até janeiro deste ano, e ele não foi alugado nenhuma vez. No desespero de ter perdido o lucro da melhor época do ano, Mariana procurou no Aribnb uma solução para a falta de procura pelo seu imóvel, que logo foi solucionada. “O Airbnb foi maravilhoso! Você pode conversar com os inquilinos, tirar dúvidas, o preço foi justo, não tivemos nenhum problema. Alugamos janeiro, fevereiro e março”, conta.

Apesar dessa queda de procura na última temporada, a corretora não acredita que isso seja fruto da concorrência de outros formatos de aluguel, pois não sente uma concorrência por parte das tecnologias. “Também usamos o Facebook para falar sobre os nossos imóveis, em fanpage e em grupos, mas eu particularmente não vi muito resultado”, conta. Eduardo, que já aluga imóvel em Balneário Camboriú pelo segundo ano também acredita que há espaço para isso e que, de certa forma, outras plataformas de procura por aluguel e venda de imóveis não tiram o espaço das imobiliárias. “Balneário Camboriú tem muitos prédios e apartamentos disponíveis para locação, e muitas imobiliárias que dão assistência aos locadores. Acho que por conta própria, divulgar o próprio apartamento, fica complicado e arriscado. Acho que a demanda é bastante e muitas imobiliárias já tem uma relação com seus clientes já ‘efetivos’”, conclui o estudante.

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