Arte e Cultura

A arte de esculpir emoções

O artista gaúcho Jorge Schröder tem suas obras expostas pelo país e o mundo.

Texto: Caroline de Borba e Paula Dagostin

O som do martelo ecoa cada vez mais forte. A poeira se espalha no ar. Os pedregulhos que caem não indicam destruição e, sim, criação. Enquanto a matéria-prima vai sendo talhada e polida, uma nova obra de arte ganha forma. O semblante sério indica concentração. Uma máscara protege as vias respiratórias do criador, um senhor de 54 anos. No seu cabelo, entradas indicam o início da calvície. Suas mãos fortes continuam a modelar sua arte.

Jorge Schröder é escultor, designer industrial e técnico em desenho de móveis. Natural do Rio Grande do Sul, o artista escolheu a cidade litorânea de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, como seu refúgio há 20 anos. Não só como refúgio, mas também como palco de exposição para suas obras.

Não é preciso andar muito para ver por onde Jorge passou. Esculturas como a Cascata das Sereias na Avenida do Estado, o ex-presidente João Goulart na calçada da Praia Central, Os Pescadores na Praia de Laranjeiras, entre outras obras, estão à disposição para apreciação de turistas e moradores. Quem passeia distraído por Balneário Camboriú, nem sempre as percebe, mas Jorge e suas criações embelezam e produzem emoções na cidade catarinense.

No ateliê, Jorge se sente realmente em casa. Em meio a obras antigas e, também, a algumas ainda não finalizadas, ele concebe suas ideias. O espaço foi projetado para que ele tenha contato com a natureza, de onde busca inspirações. Seu ateliê fica em anexo a sua residência e possui uma vista estonteante. Da janela do ateliê, Jorge tem visão privilegiada para o mar e está cercado pela natureza ainda intocada.

Quando perguntado sobre o que é ser escultor, sua profissão há 35 anos, Jorge diz que é uma forma peculiar de produzir emoções através da matéria. Suas obras têm formas, curvas e promovem a reflexão sobre a natureza e o corpo, principalmente o feminino. Seu ideal como artista é de que suas obras sejam vistas de maneira sensitiva, que proporcione sentimentos. Jorge acredita que cada espectador é responsável pela interpretação da obra e que o artista não pode desejar que seu público admire sua arte como ele a viu quando a concebeu.

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Foto: Acervo pessoal

As obras do escultor estão expostas em museus nacionais e internacionais. Seu amplo currículo traz, desde o ano de 1987, inúmeras participações em eventos dentro e fora do Brasil. As mostras, em solo nacional, iniciaram-se em 1982, em Cruz Alta, sua cidade natal. Agora, o talento de Jorge não possui limite geográfico. Suas obras têm passaporte estrangeiro, após nascerem em suas viagens fora do Brasil.

O artista, de barba já grisalha, tem seu trabalho caracterizado como construtivista. Seus cortes e recortes carregam paixão. Feitas de materiais como bronze, madeira, metal, alumínio e resinas acrílicas, as obras instigam o contemplador.

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