Economia

Período de defeso do camarão: lucro para alguns e perda para outros

Durante os meses de março, abril e maio é proibida pelo IBAMA a pesca de camarão. Nesse período, os pescadores precisam recorrer a outras formas de garantir o sustento

Texto: Dieize Coimbra, Helena Moreira e Marília Cordeiro

Uma das principais atividades econômicas da região é a pesca do camarão, seja artesanal (utilizando pequenas embarcações) ou industrial (que faz uso de grandes barcos e equipamentos). A variedade de espécies do camarão movimenta grande parte da economia pesqueira. Porém, do dia 1º de março até 31 de maio é proibida a pesca do crustáceo. Esse período é chamado momento de defeso, quando a espécie está se reproduzindo.

Para mais informações, clique na imagem

Tabela CTF - datas determinadas pelo Ibama

Mateus Cordeiro é dono de um barco pesqueiro que captura, principalmente, camarão rosa. Ele explica que durante os três meses os pescadores precisam ir em busca de trabalhos extras, como servente de pedreiro, ou em barcos que possuem licença para outro tipo de pesca. Ele acrescenta que quando chega o período do defeso e a atividade é interrompida, os donos fazem um acordo com os tripulantes. Eles recebem uma quantia em dinheiro e, com o valor, passam os três meses de pausa.

Enquanto isso, o pescador recebe um seguro defesa, ou seja, o artesanal ganha um salário mínimo e o industrial cerca de um salário e meio. Claussio Lourenço é pescador artesanal de camarão do tipo sete barbas e comenta que é difícil sobreviver durante a parada da pesca com apenas R$ 937, visto que quando está pescando o lucro chega ao triplo desse valor. Dono de um pequeno bote, ele explica que em alguns anos pesca camarão suficiente para vender durante o defeso. “Teve ano que guardei 250kg, mas acabou em pouco tempo”, relata.

No entanto, nem todos obedecem as leis e cessam as pesca do camarão, como ordena o IBAMA. Marcos Oliveira* é um dos tantos que saem e roubam o camarão durante os três meses. “Nesse ano eu sai no mês de maio, só. Mas tem ano que vou em abril e maio”. Mesmo sabendo da proibição, ele se arrisca na ilegalidade e vai para o mar, pois essa é sua única fonte de renda.

Marcos afirma que durante o defeso aumentam as vendas do camarão, pois só vende quem rouba para comercializar. Para ele, enquanto as pessoas continuarem a comprar, seu lucro está garantido, mesmo infringindo as leis.

No entanto, quem aguarda e volta a pescar somente em junho acaba sendo prejudicado por quem rouba. “Infelizmente, o preço do quilo do camarão cai porque alguns não obedecem às leis do defeso e acabam roubando, com isso o preço baixa antes mesmo de voltarmos à pesca”, lamenta o dono da embarcação.

Tanto Claussio quanto Mateus, mesmo com tipos de pescas diferentes, afirmam que a produção aumenta abundantemente após o período de pausa, pois os camarões têm, nesse momento, tempo para se reproduzirem. Com isso, a demanda é grande, as vendas diminuem e, consequentemente, o valor também.

Sheila Coelho possui uma peixaria na sua casa e vende todos os tipos de camarão. O valor do quilo varia entre R$ 40 e R$ 60, dependendo do tipo. Para ela, a parada dificulta muito o seu lucro, pois acaba logo no primeiro mês e nos dois meses seguidos fica sem ter o que vender. Independentemente do tipo de pesca ou de quem vende, as pessoas tentam se manter como podem para garantir sua renda durante o defeso.

*Nome fictício

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