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Naturismo em Santa Catarina

A prática do naturismo ainda promove dúvidas e má interpretações, mas seus valores são permeados pelo respeito e amor a natureza e ao próximo

Prática ainda promove dúvidas e más interpretações, mas seus valores são permeados pelo respeito e amor a natureza e ao próximo.

Texto e Edição: Anna Paola Paraná, Daiane de Souza e Maria Eduarda Cagneti.

O Brasil conta com oito praias oficiais de naturismo. Quase metade (três) estão situadas em Santa Catarina, sendo elas: Praia de Pedras Altas (Palhoça), Praia da Galheta (Florianópolis) e Praia do Pinho (Balneário Camboriú). A última foi a pioneira em naturismo de todo o país – a primeira associação foi fundada ali, em 1986.

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Em vermelho cidades catarinenses com praia de naturismo

As outras cinco se espalham pelo litoral brasileiro: Paraíba, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro, que conta com duas. Cada uma tem suas peculiaridades, paisagens e normas, entretanto, o naturismo possui certas regras gerais, que seus adeptos seguem e propagam.

A prática tem aspectos que vão muito além do simples ato de despir-se. O naturismo é definido pela Federação Internacional de Naturismo (INF) como um estilo de vida, que prioriza estar em harmonia e contato direto com a natureza, o respeito pelo outro e o zelo com o meio ambiente. Essas praias buscam proporcionar momentos de intenso contato com a terra e o mar e harmonia entre todos os presentes.

De acordo com alguns naturistas, a nudez propicia conhecer o outro de maneira mais clara e profunda, sem máscaras sociais, facilitando a compreensão de si mesmo e do próximo. Catharina Costa, 21, foi pela primeira vez à Praia da Galheta em 2015, e conta ter sentido uma sensação muito libertadora. “O corpo é livre por natureza, essa libertação das roupas é uma sensação única. É como realmente sentir na pele a natureza e ter um contato integral”, relata.

Zair Marina, 25, também frequenta praias de naturismo no Estado. Sempre acompanhada por amigas ou pelo namorado, busca por essa sensação de liberdade ao ir às praias e poder mergulhar sem nenhum tabu ou preocupação. Uma de suas amigas, Ana Tonolli, 24, também já foi a praias catarinenses, mas a primeira vez que teve essa experiência foi na Europa. Durante o tempo que morou em Portugal – onde o topless é bastante comum – passou a ser adepta da prática e também foi a alguns lugares específicos para a nudez completa.

Entretanto, todas já passaram por alguma situação constrangedora em um desses ambientes. Infelizmente, conotações sexuais, gestos obscenos e pessoas com intenções não tão boas existem, e principalmente nas trilhas de acesso é muito importante ter cuidado e atenção. Todos esses atos são contrários ao que o naturismo e seus adeptos pregam. O fato de estar nu tem muito mais a ver com liberdade e conexão – e não com a prática sexual.

Justamente por isso algumas praias têm um controle maior, como a do Pinho. Durante o verão, existem seguranças na faixa de areia e metade da praia é destinada para os solteiros e a outra para os casais. Uma das orientações é de o homem ir diretamente para o mar caso fique excitado. Maycon José Fanderuff, 26, trabalha na guarita do espaço há mais de cinco anos, e conta ser frequente a visita de pessoas de todo o Brasil e exterior, muitas vezes em família.

Praia do Pinho, em Balneário Camboriú (SC). Fotos: Anna Paola Paraná

Placas espalhadas pela praia indicam a proibição de gestos obscenos, fotografia, filmagens ou o uso de binóculos. Caso haja desacato a alguma das regras, a pessoa é convidada a se retirar. O Pinho fica localizado dentro de uma propriedade privada, que tem toda uma estrutura: pousada, camping, restaurantes e bar. Há outro acesso para a praia, gratuito e apenas para pedestres. Entretanto, Maycon conta que ocorrências de furtos e atos sexuais infelizmente são comuns.

Ainda existe tabu em volta do assunto e, muitas vezes, preconceito, por não se conhecer a fundo o naturismo e seus reais valores. Lúcia Lira, 55, afirma não ter curiosidade nenhuma sobre a prática e não pretende ir a alguma das praias. Já escutou histórias que relacionam as praias a um lugar de promiscuidade, e isso transmite uma verdade distorcida das reais intenções do naturismo e de seus praticantes. O respeito é essencial – seja o naturismo a sua praia ou não.

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