Tecnologia

Física nas escolas: a didática da tecnologia

Você já se perguntou para que servem as aulas de Física?

Texto: Victória Severo e Kerolaine Rinaldi

O currículo brasileiro de Física geralmente é dividido em temas como Mecânica, Física Térmica, Ondas, Óptica e Eletromagnetismo. Muito semelhante a manuais de ensino estrangeiros do século passado. Essa divisão é muito pobre, de acordo com a pesquisa do dr. Eduardo Adolfo Terrazzan, publicada em 1992. Vinte e cinco anos se passaram desde a sua publicação e nada mudou.

Os temas mencionados se referem à física clássica, desenvolvida aproximadamente entre 1600 e 1850, e pouco ajudam a elucidar a revolução tecnológica que vivemos. Para a professora do curso de Engenharia da Produção da Univali, Kátia Franklin da Silva, isso se deve ao foco das instituições de ensino nas provas de vestibulares e Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). “A conexão de assuntos tecnológicos depende do professor ter esse interesse de ligar com os conteúdos”, afirma.

Para o professor de Física do Colégio de Aplicação da Univali, André Ricardo da Silva, os conteúdos abordados no ensino médio são os básicos e ajudam esclarecer as tecnologias recentes. Kátia discorda e diz que não vê a intencionalidade de focar nos assuntos que auxiliem a compreender a evolução das teorias e técnicas.

Danrlei Adair, estudante do Ensino Médio, afirma que não usaria o que aprende nas aulas de física para nada, a não ser que tivesse interesse em cursar alguma faculdade de engenharia. Esse pensamento coincide com o que sustenta Kátia: “é como se isso fosse deixado para mais tarde, na graduação, por exemplo”. Já Kelvin Gabriel Pereira Valles, também aluno do ensino médio, encontra utilidade nas lições. Para ele, apesar de básico, o que é estudado, como correntes elétricas e dilatação de metais, pode lhe ajudar a construir sua casa um dia, ou em outra tarefa que venha a realizar.

Kátia declara que seria mais apropriado abordar os assuntos relacionados à tecnologia. “Mas o professor mal dá conta da avalanche de conteúdos que precisa cumprir”, admite. Para ela, é o momento das políticas educacionais darem mais atenção ao ensino básico, mas que isso também parte da formação dos professores e da reformulação dos processos seletivos. Em seu artigo, Eduardo Terrazzan questionava se esperaríamos o século XX acabar para ensinarmos a Física do século XX. Já estamos no século XXI, e a Física do século passado ainda não é abordada nas escolas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s