Esportes

Sucesso absoluto no norte, basquete caminha devagar no sul da América

O esporte é um verdadeiro fenômeno nos Estados Unidos, mas no Brasil ainda dá passos curtos na organização, prática e desenvolvimento

O esporte é um verdadeiro fenômeno nos Estados Unidos, mas no Brasil ainda dá passos curtos na organização, prática e desenvolvimento

Texto: Lucas Filus, Bernardo Marucco e Erickson Stocker

Reconhecido, praticado e admirado por multidões. Emblemas de equipes se tornam verdadeiros produtos de grife e esbanjados ao redor do mundo, gerando retorno dentro e fora das quadras para os envolvidos. Falamos do tradicional basquete, mas o cenário em questão representa apenas a realidade nos Estados Unidos. Os norte-americanos, especialistas em maximizar recursos e criar ambientes competitivos e rentáveis, têm um real talismã na National Basketball League, a famosa NBA. Mais de um bilhão de seguidores combinados nas redes sociais, 37 milhões de horas assistidas na última temporada regular (2016/17) e narrativas garantidas para os Playoffs, que é disputado agora e chegará ao fim em junho.

No hemisfério sul da América, o panorama não poderia ser mais diferente. O Brasil já teve sua época de ouro, com a seleção conquistando títulos mundiais em 1979 e 1990, revelando jogadores de alto nível e cativando bastante a população geral. Hoje em dia, porém, o que se vê são diversas tentativas falhas de promover o desenvolvimento em terras tupiniquins. O Campeonato Nacional de Basquete vinha caindo em todos os sentidos possíveis e em 2008 foi concretizada a criação do Novo Basquete Brasil, a NBB. Uma clara referência ao supracitado exemplo dos EUA. Só que o sucesso na execução ainda fica muito longe do que se espera.

Para Gera Lobo, editor de esportes americanos no portal Vavel e administrador do site Esportes USA, a responsabilidade vem de todas as partes envolvidas no esporte. “São vários fatores para a falta de evolução do NBB. Destaco a falta de planejamento, uma administração bem fraca e a falta de investimento não só na liga, como também no basquete brasileiro. É um esporte gigante, mas com nenhum apoio da federação, o que acaba acarretando na falta de sucesso do NBB, que tem, por exemplo, contrato de televisão, mas sem ajuda da própria federação, não vai pra frente” analisa.

A base para qualquer ação que dependa de audiência nos Estados Unidos é o potencial publicitário e financeiro que aquilo carrega. O ponto-chave, entretanto, é a consistência do produto em si. A dificuldade entra quando se observa uma tentativa de forçar algo para um público que não teve a oportunidade de se acostumar com a qualidade do próprio antes. Aqui, a tentativa é a de se equiparar com o que vem de fora. O meio usado para tal vem apresentando falhas, entretanto. O foco acaba ficando muito no resultado e na embalagem, esquecendo que, sobretudo, é necessário misturar os ingredientes de forma qualificada.

Por essas e outras, o basquete não é mais o sucesso – relativo – de outros tempos. A disparidade que se criou é tão grande que, apesar de se basear em pressupostos virtuais e tecnológicos (assistir aos jogos pela televisão, acompanhar o cotidiano das equipes e compartilhar opiniões nas redes sociais e etc.), a raiz do esporte passou a mudar. A falta de referências tem sua parcela enorme entre os motivos para tal queda. Outrora, uma criança começaria a treinar com o sonho de ser o novo Oscar Schmidt ou a nova Hortência. Agora, milhares já estão planejando uma carreira como o próximo Lebron James, astro do Cleveland Cavaliers.

A trajetória de quem está dentro das quadras

É o caso de Matheus Sedrez, jovem atleta de Balneário Camboriú. Atualmente é o armador da Abavi, time da cidade litorânea que recebe apoio da Fundação Municipal de Esportes (FME). A promessa de 19 anos começou a jogar cedo – com 11 – e frequentemente participa de torneios por outras equipes, atuando em campeonatos no Paraná e em São Paulo pelo PEB, de Rio do Sul. Ele vê o rendimento dos brasileiros na NBA como possível alavanca para as coisas aqui. “O esporte passou a ser mais visto no Brasil depois que Tiago Splitter (atualmente, pivô do Philadelphia 76ers) foi campeão da Liga em 2014 pelo San Antonio Spurs. A Liga Desenvolvimento de Basquete (LDB), competição nacional na categoria sub 22, já revelou Cristiano Felício (Chicago Bulls), Bruno Caboclo e Lucas Nogueira (Toronto Raptors)”, afirma.

Em Santa Catarina, de acordo com Matheus, “existem dois grandes eventos, que são o Campeonato Catarinense e os Jogos Abertos, que estão crescendo gradualmente e são transmitidos na Record News – pela RIC TV – e contam com parceria da Trimania”. Joinville, Blumenau e Brusque já possuem vaga na NBB, mas ele vê potencial para esse grupo se expandir em um futuro não tão distante: “Com a continuidade do apoio, certamente mais times estarão jogando no Novo Basquete Brasil daqui alguns anos”, finaliza. A volta do prestígio nacional de um esporte tão atrativo é o que todos esperam ver.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s