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O uso das plantas medicinais e da fitoterapia no tratamento de doenças

Utilizadas desde os primórdios, plantas medicinais são opções naturais e acessíveis para tratar enfermidades

Texto por: Dienifer Manica, Karine Amorim, Thais Lamin e Thayná Barretto

Em busca de curar enfermidades, muitas pessoas evitam o uso de remédios e optam por utilizar plantas medicinais. Essa prática é antiga e foi passada de geração em geração. A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) realiza pesquisas com plantas medicinais em diversas áreas. Há mais de 20 anos, o Núcleo de Investigações Químicas e Farmacológicas promove testes de identificação química, propriedades biológicas e toxicológicas.

O programa de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas é responsável por pesquisas na área da fitoquímica e de desenvolvimento de métodos analíticos e tecnológicos. As pesquisas surgem de relatos de uso popular e são realizadas para comprovar sua segurança e eficácia na fitoterapia, que é o estudo das plantas medicinais e seu uso para curar doenças.

Porém, é importante distinguir as diferenças entre plantas medicinais e fitoterápicos: as plantas medicinais são as que aliviam ou curam enfermidades e são utilizados pela população como remédio. Fitoterápicos são plantas medicinais industrializadas, de modo a se obter um medicamento, que precisa ser regularizado pelo órgão competente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser colocado à venda.

De acordo com a professora do curso de Farmácia e coordenadora da especialização em fitoterapia da Univali, Angélica Garcia Couto, as plantas oferecem muitas possibilidades de cuidados à saúde: no bem estar físico e mental, na manutenção das funções do organismo como digestão e hidratação da pele além do tratamento de alguns sintomas.

No caso de queimaduras, por exemplo, a mucilagem (gel incolor) extraída da babosa é tradicionalmente usada pela população para regenerar o tecido cutâneo. E não é que dá certo?! Porém, vale lembrar: o uso da babosa deve ser somente externo, pois o uso oral é tóxico na presença de compostos antracênicos (líquido amarelo), que é extraído juntamente com a mucilagem, mesmo em quantidades pequenas.

Muitas mulheres que procuram melhorar o aspecto das varizes recorrem aos produtos naturais, por ser uma opção bem mais em conta de tratamento. Angélica explica que para tratar varizes existem fitoterápicos registrados em cápsulas e comprimidos à base de extrato de castanha da Índia, que podem ser adquiridos em farmácias sob a orientação de um profissional da área. No entanto, outra opção mais acessível é o uso de centella asiática, uma planta que pode ser consumida na forma in natura e chás, pois auxilia no retorno venoso, contribuindo para a melhora deste inimigo das mulheres. “Há também diversas opções de extratos que podem ser usados em cremes ou loções para uso externo”, ressalta.

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Centella asiática promete auxiliar no tratamento contra as varizes. | Foto: Divulgação

Embora apresentem muitos benefícios, sendo utilizadas muitas vezes como o primeiro recurso da população, antes de procurar a ajuda de um profissional, as plantas devem ser utilizadas com cautela. Isso porque elas podem ser tóxicas ou interagir com outros medicamentos que a pessoa já faz uso, prejudicando seu efeito. “O uso deve ser sempre consciente, orientado e acompanhado por profissionais da saúde como médicos, farmacêuticos, enfermeiros e nutricionistas capacitados nesta área”, alerta a professora.

Evelino Gonçalves, 69 anos, planta e cultiva graviola, romã, gengibre, amora, guaco, boldo do Chile, cana do brejo, cavalinha e babosa. Ele revela que a folha da graviola com a casca do ipê roxo é uma arma infalível contra o câncer. Sua irmã é a prova viva de que essa mistura é realmente eficaz: foi curada do câncer de mama. Hoje, ele está ajudando uma mulher que possui câncer na boca. Com o auxílio da receita, a mesma que usou com sua irmã, seu Evelino afirma que ela já apresenta significativa melhora.

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A graviola, além de curar dor de estômago, tem propriedades que podem erradicar o câncer. | Foto: Divulgação

Açúcar mascavo, uma fatia de gengibre, uma folha de guaco socada e uma rodela de abacaxi picado. Essa é a receita da garrafada, um suposto remédio tem por função abrir os brônquios e deixá-los limpos, curando a asma e a bronquite. Quando Mayara Ferrari tinha cinco anos, ela tomou a mistura e, logo após ingeri-la, tomava um xarope à noite. Esse combo faria com que ela respirasse melhor, porém Mayara teve muitos efeitos colaterais como aumento da dificuldade respiratória e problemas no estômago, pois a mistura era muito forte. Ela tomou por duas semanas, até o momento em que foi parar no hospital. “Sentia muita dor de estômago”, declara. Após consultar um médico, foi diagnosticado que Mayara estava com problemas no estômago, o que a fez ficar três semanas internadas. “Pode ser que meu organismo estava fragilizado, pois já havia feito o uso de alguns remédios antes da garrafada, mas para mim a receita não funcionou”, enfatiza.

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