Bem-Estar

Dispositivos móveis: qual a influência no desenvolvimento social das crianças?

O uso precoce de celulares e tablets já é bastante comum nos dias de hoje. Esse hábito tem ligação direta com a formação e com desenvolvimento linguístico e social. O excesso pode afetar negativamente essa fase da criança. Mas como aproveitar-se dessas ferramentas?

Texto: Dieize Coimbra, Marília Cordeiro e Victória Severo

“Minha filha está usando muito o celular e não fala como deveria”. Foi assim que Sheila Coelho viu que sua filha de 5 anos precisava de ajuda, tanto a da família como a de um profissional. A menina, que já deveria falar todas as palavras, tinha dificuldade em algumas. O uso do celular para assistir a vídeos e para utilizar aplicativos era frequente. Então a mãe procurou ajuda de profissionais.

O uso excessivo de celulares faz com que vivências cotidianas sejam anuladas. E essa pode ser uma influência negativa.

A fonoaudióloga Mariane Raduenz explica que o uso excessivo dos meios tecnológicos é prejudicial no desenvolvimento da linguagem. Pois uma das principais formas de adquirir essa desenvoltura é o brincar, o manipular um brinquedo. “Quando a criança fica muito tempo assistindo a um desenho ou com outros aplicativos de jogos, ela não vivencia o brincar com objetos e não desenvolve a linguagem”, esclarece a fonoaudióloga.

A utilização dos meios digitais pode influenciar tanto negativa quanto positivamente. Segundo a psicóloga Sunamita dos Santos, o uso excessivo de celulares ou tablets leva a uma falta de conexão com o mundo real. A criança vive em um ambiente virtual, onde não é necessário utilizar partes da linguagem e acaba perdendo certas maneiras de desenvolvimento linguístico. “Algumas etapas serão desenvolvidas com o contato de uma criança com outra. Porém, se utilizada de maneira correta, a internet aumentará a amplitude das linguagens”, observa Sunamita.

Mariane Raduenz utiliza a tecnologia a seu favor durante as terapias. “Uso a parte de música e de aplicativos para a criança reconhecer e nomear os animais, por exemplo. Pois além da informação visual, tem também o áudio”, detalha a fonoaudióloga.

A literatura afirma que até os 5 anos a criança deve adquirir todos os sons da Língua Portuguesa, como “pra, bra, tra e os sons da letra r”. No entanto, Mariane alerta que 5 anos é a idade limite. Se passar dessa fase a mãe deve ficar atenta, pois poderá afetar a alfabetização e também a escrita.

Crianças com 2 anos já devem formar frases e não somente apontar, como a filha de Sheila faz no celular. Se houver demora no aprendizado da linguagem, quem não convive diretamente com a ela acaba por não compreendê-la. A criança se torna mais irritada, não quer falar e nem conversar. A compreensão deve ser mútua. Caso contrário, haverá complicações.

Isso é visto com frequência nas escolas. Patrícia Coelho é professora de séries iniciais e observa que muitas crianças estão mais preocupadas com os jogos e aplicativos do que em conversar com os amigos ou aprender ler e escrever. “No recreio não tem mais aquilo de brincar de pega-pega. Agora ou estão falando no celular ou do celular”, lamenta Patrícia.

Mariane explica quais são as principais terapias realizadas para trabalhar o desenvolvimento da fala e da linguagem. Ela aconselha a música infantil. Mas avisa: tudo em excesso prejudica.

Sheila seguiu por esse caminho e hoje diz que a mudança no comportamento e na fala da filha melhorou muito. A mãe permite o uso do celular somente por alguns minutos e, durante esse tempo, apenas jogos que utilizam a imaginação, a memória e o desenvolvimento da criança.

Henrique Klein Costa faz terapias fonoaudiológicas e aprendeu que pode utilizar o tablet a seu favor. Ele e a fonoaudióloga Mariane trabalham juntos durante as terapias.

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