Economia

Agricultura: produção que mantém a economia brasileira

Apesar do atual momento da economia nacional, o país mantém sua potência na produção agropecuária

Texto e edição: Dieize Coimbra, Helena Moreira e Marília Cordeiro

Oferta e procura. A economia agrícola se baseia basicamente nessa lógica de mercado. Sabemos que o Brasil é mais do que uma parte importante da economia, ele ocupa o segundo lugar no ranking dos países que mais exportam produtos agrícolas commodities no mundo.

O que são commodities

É o setor mais rentável do país e representa 22% do Produto Interno Bruto (PIB), que teve a primeira alta após oito trimestres consecutivos de queda. Na comparação com os últimos três meses de 2016, o crescimento observado de janeiro a março de 2017 foi de 1%. A agropecuária (que teve um aumento de 13,4%) foi o grande destaque, respondendo por 80% desse aumento. Ou seja, se não fosse o campo, a alta no PIB nesse período teria sido de apenas 0,2%. O cálculo é do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Mas, como de praxe, tudo tem um porém. Esse setor é bastante vulnerável, uma vez que seu rendimento depende do clima. Atualmente sofre com muitas alterações por conta dos períodos de seca ou chuva extrema e de severas anomalias climáticas que prejudicam a produção e todas as atividades socioeconômicas dela dependentes.

Quem sente isso no bolso são os consumidores. Apesar de ser uma potência nesse segmento de mercado, o Brasil exporta muito do que produz, então mesmo que a produção de determinado produto esteja alta não quer dizer que seu preço irá diminuir, pois ele fica exposto a determinação internacional dos preços. Aqui vai uma explicação para ajudar a entender:

Com funciona o aumento no preço dos alimentos

Funcionário de restaurante, Vinicius Buzzi comenta que a maior dificuldade é com relação ao valor da batata fora da época de sua produção. “Como a batata vem do Paraná, quando chove muito, eles não mandam e os mercados e hortifruti aumentam muito, às vezes, até dobram o valor”.

Com um público de 200 clientes por dia, entre restaurante e marmitex, Vinicius explica que optaram por comprar verduras todos os dias. A diferença entre comprar direto do produtor ou dos mercados e verdureiros é mínima, e na maioria das vezes preferem ir todos os dias buscar verduras e frutas fresquinhas.

Quando não é época de determinada hortaliça, o valor aumenta consideravelmente. Para não deixar faltar essas saladas e temperos para os clientes sem gastar muito, Vinicius explica que a saída encontrada é reduzir o número de vezes na semana em que fazem determinada salada. As mais pedidas são cenoura e beterraba e procuram prepará-las todos os dias. Mas, se não for época de produção, apresentam aos clientes duas ou no máximo três vezes por semana apenas.

Por isso, há quem prefira cultivar em casa mesmo, tanto hortaliças quanto temperos. Para não se preocupar mais em comprar, dona Maria Coelho mantém sua horta há mais de dois anos. Nela tem pelo menos dez espécies entre hortaliças e legumes. Ela conta que começou só com hortaliças e, por motivos de saúde, precisava comer muita salada e acabava gastando muito.

Após um tempo, aproveitou para plantar vários outros tipos de legumes e, principalmente, o pimentão que o seu marido tanto gosta e que nem sempre estava com um preço acessível. Agora, gastam muito menos com mercado e consomem alimentos orgânicos.


Nos últimos meses, cerca de 75% das hortas e plantações foram prejudicadas. “Muitas lavouras de feijão e hortaliças foram perdidas por causa das chuvas, então, o preço delas vai aumentar significativamente nos mercados”. Raul Erbs é agricultor e explica que nesse mercado há muitos aspectos que influenciam na produção. “No inverno, por exemplo, a pastagem não se desenvolve como no verão, aí é preciso fazer um complemento na alimentação dos gados. E isso tem custo”. O valor gasto nesse processo é repassado para os consumidores. Sendo assim, o valor da carne sempre terá aumento no inverno.

Apesar disso, o preço da carne bovina baixou cerca de 10% nesse inverno. Isso por conta da baixa nas exportações devido à Operação Carne Fraca, que causou um aumento nos estoques internos e obrigou o mercado a diminuir o valor para movimentar e não perder a mercadoria.

Um fato importante é frisado pelo engenheiro agrônomo da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) Haroldo Tavares Elias. “Os mercados de certa forma estão interligados no Brasil, quando falta produto em uma região, vem de outras”. Ele usa como exemplo o maracujá, que é colhido no verão em Santa Catarina, entre os meses de janeiro a março e são suficientes para abastecer até o Ceagesp, em São Paulo. Ele conta que no inverno esse fruto vem de outras regiões para abastecer o mercado do estado. Ressalta que isso acontece também com as demais frutas e hortaliças.

Referente a planejamento para imprevisto e logística para compensar produtos de difícil cultivo, Haroldo comenta que “o cultivo protegido está crescendo, assim o produtor está prolongando período de produção e hidroponia”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s