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Instagram é avaliado como a rede social mais nociva aos jovens e gera debate

Pesquisa da Royal Society for Public Health do Reino Unido diz que o Instagram é a rede social mais nociva aos jovens e acarreta em problemas relacionados ao bem-estar. A partir disso, usuários e especialistas opinam sobre o uso mais saudável do aplicativo

Texto: Anna Paola Paraná, Daiane de Souza e Maria Eduarda Cagneti Silveira

Socializar, compartilhar, empreender, vender, curtir. Essas são apenas algumas das ações promovidas pelas redes sociais atuais e a maioria delas parece ser inofensiva e até mesmo benéfica aos usuários. O problema é que os desdobramentos do uso das redes sociais têm sido preocupantes, principalmente pelas pessoas que estão mais conectadas com elas: os jovens. Recentemente, a Royal Society for Public Health (RSPH), instituição de saúde pública do Reino Unido, em parceria com o Movimento de Saúde Jovem do país, realizou uma pesquisa que apontou o Instagram como a rede social mais nociva aos jovens.

A pesquisa avaliou cada uma das redes sociais mais comuns (Instagram, Facebook, Youtube, Snapchat e Twitter) a partir de 14 problemas de saúde e bem estar, dentre eles a ansiedade, depressão, solidão, problemas para dormir, auto-identidade, imagem do corpo, relações do mundo real, o medo de perder um grande acontecimento e a existência de um suporte emocional e psicológico para aqueles que precisam. A partir disso, 1479 pessoas, entre 14 e 24 anos, ranquearam as redes sociais a partir da influência delas nesses 14 problemas. A faixa etária estudada faz parte de 90% dos usuários de redes sociais, por isso mais vulneráveis aos seus efeitos, e ao mesmo tempo também é a parcela da população em que as taxas de ansiedade e depressão aumentaram em 70% nos últimos anos.

A psicóloga Vanessa Petry explica que as relações humanas fazem parte das necessidades emocionais de uma pessoa e que as redes sociais podem fragilizar esse contato ao serem superficiais e pouco humanas. “O surgimento de doenças psíquicas podem sim ter relação com a crescente incidência das redes sociais. O Instagram, como outras redes sociais, é uma forma de exposição e quando mal utilizado traz efeitos negativos”, explica.

Ariel Paiva tem 17 anos, é um usuário frequente da rede social e acha que a maneira como afeta a pessoa está intimamente ligada à forma como ela a usa. “Não acho que seja nocivo, se existe algum problema em relação aos likes e autoestima, isso está mais relacionado com a personalidade e filosofia de vida de cada um do que com uma rede social – que só vai expor a verdade sobre quem a usa”, comenta.

Porém, é mais complexo do que parece. Shirley Cramer, chefe executiva da RSPH, escreveu para o site da pesquisa que mídias sociais foram descritas como mais viciantes que álcool e até mesmo cigarro. “Estão tão impregnadas às vidas dos jovens que não é mais possível ignorá-las quando falamos sobre problemas psicológicos na juventude”, afirma. A jornalista especialista em redes sociais, Bianca Lincks, aponta que a relação dos problemas psicológicos dos jovens com as novas mídias é que elas se tornaram uma fuga da realidade. “O fator preocupante de os jovens estarem conectados demais às redes sociais é que eles não se aprofundam em nada, absorvem muito conteúdo superficial e inútil em vez de se dedicar a aprender conteúdos profundos, e por fim, se tornam cada vez mais ansiosos e infelizes por acharem que a vida vai andar mais rápido e trazer sempre novidades, assim como a timeline, esperando que a relação social através da internet vá preencher o vazio que eles têm”.

A maquiadora e youtuber Bianca Santiago, de 17 anos, concorda com os fatores que tornam o Instagram uma rede social nociva aos outros usuários de sua faixa etária. “Acredito que a rede levou esse título pelo fato de fazer muitos jovens acreditarem que existem padrões perfeitos de vida, de corpo, beleza e viagens a serem seguidos, e que qualquer opção diferente desta perfeita, é errada e até motivo de vergonha. Faz-se crer que é importante possuir o celular mais moderno, o corpo mais magro e os maiores lábios para atingir o sucesso na vida, o que obviamente é errôneo e pode causar graves desgastes psicológicos”, comenta. É dessa forma que a jornalista Bianca Lincks vê o público mais novo nas redes sociais. O perigo está em viver apenas as redes sociais, ao invés de usá-las para mostrar (e viver) sua vida real.

Ariel diz não se importar com os likes, mas se preocupa bastante com a organização do seu feed, e se vê imune dos efeitos colaterais do Instagram. Ele acredita que a rede social é um espaço para a pessoa se sentir bem consigo mesma e personalizá-la da forma como a agrada mais. “Com os likes não me importo tanto, tem que ficar bonito pra mim, não para os outros. Acho que é uma maneira de se apresentar bem, vejo outros ig que são ‘desorganizados’ e acho muito feio, é como se a pessoa também fosse assim”, explica. Bianca Santiago, além disso, encontrou na personalização de suas postagens uma forma de divulgação do seu trabalho. “Utilizo o Instagram por gostar bastante da plataforma. Sempre adorei tirar fotos e com as opções de edição que o aplicativo oferece consegui unir o útil ao agradável. Uso também para acompanhar meus artistas favoritos e, acima de tudo, divulgar meu trabalho como youtuber e maquiadora”, conta.

Essa relação das redes sociais com a utilização para fins importantes pode ser a saída para o uso saudável das novas mídias. “São justamente as diferentes formas de usar as redes sociais que irão definir seu impacto nos usuários. Quando a rede social substitui o contato físico e as relações reais certamente trarão danos, uma vez que poderão trazer o afastamento social e até mesmo o isolamento. Em casos de jovens que as usam como meio de socialização não há efeitos maléficos, quando utilizado com respeito e responsabilidade. O trabalho nas redes sociais também é um excelente meio para aqueles jovens que buscam sua inserção no mercado de trabalho”, explica a psicóloga Vanessa Petry.

O medo de Bianca Lincked é que aqueles já afetados pelas redes se tornem pessoas sem propósito, amedrontadas por desafios e motivadas apenas por aplausos. “É triste mas é real. A saída? É a reconexão consigo mesmo, através de uma alimentação saudável sem açúcar, práticas como meditação e yoga, contato com a natureza e atividades físicas”, conclui a especialista.

A artista Nath Araújo começou a série de desenhos chamada #quemévocênoinstagram em setembro de 2016, colocando no papel diversos comportamentos encontrados na rede social:

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