Tecnologia

Tesla, Elon Musk e o futuro sustentável dos veículos

Conheça a empresa americana que, com um propósito especial, superou gigantes como a Ford

por Lucas Filus

Montadora de carros líder nos Estados Unidos, reverenciada por superar a Ford em valor de mercado (R$153 bilhões x R$143 bilhões, em abril de 2017) e dominar o setor em 13 anos de existência: é hora de falar sobre a Tesla Motors. Comandada  e fundada pelo ambicioso americano Elon Musk em 2003, ela é em sua pura concepção uma fabricante de veículos. O propósito por trás da marca, porém, é muito maior do que o comum, podendo até impactar na sua vida.

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Musk é um dos empreendedores mais admirados nos Estados Unidos e está alinhado com todos os propósitos da Tesla (Foto: Reprodução/Wootrader)

Basicamente, a Tesla fez seu nome por criar veículos elétricos de altíssimo nível. A princípio, eram três etapas para chegar num patamar de estabilidade; na primeira, desenvolver poucos carros que necessariamente seriam caros. Por que? A fim de gerar capital e viabilizar investimentos posteriores, já que o ROI (Return on Investment) de tal negócio não era dos maiores no início, segundo a prospecção geral da mídia e analistas.

A expansão de oferta e a entrada no mercado ‘comum’

Com a receita angariada nesse passo inicial, a segunda etapa entrou em cena; era a intermediária, com uma oferta razoável em quantidade e mais acessível em seu valor de mercado. Na terceira, então, foi o momento de marcar presença e garantir a expansão por (praticamente) todas as classes sociais e lifestyles; alta produção e preço baixo, com o Model 3. Este está nas ruas desde o início de 2017.

Para Gabriel Vanzuita, acadêmico de Engenharia Mecânica, a tendência é que os carros fiquem mais acessíveis. “Como a Tesla trouxe essa novidade, ela ainda trabalha quase que unicamente no mercado. Quando a maior parte do público descobrir que os modelos elétricos são realmente melhores, além de outras montadoras também investirem internacionalmente nessa produção, o carro elétrico vai pegar de vez nas ruas”, falou o estudante do quinto período do curso na Univali de Itajaí.

Mas e aí? É só mais uma fabricante? Muito pelo contrário. Após essa exponencial escalada, o objetivo traçado por Musk é atingir o ápice da energia sustentável. Como, se seus próprios veículos são recarregados com as baterias que conhecemos? Simples, mas longe de ser fácil: ao mesclar a Tesla com a SolarCity (em novembro de 2016, empresa de energia solar fundada pelos primos do mesmo), os planos ficaram palpáveis.

A ideia é criar telhados que captam a luz do sol e a transformem em baterias livres de qualquer elemento poluente. Aos poucos, limpar o universo e automatizar completamente o funcionamento da frota Tesla Motors. Isso com a chegada dos… carros sem motoristas. Hoje, protótipos são testados todos os dias e a composição do hardware necessário ainda não está pronta.

Em cerca de 20 anos o mecanismo levará menos tempo, mas imagine o quanto o Estado vai travá-lo na na questão burocrática , você poderá se deslocar pela cidade sem nem tocar no volante. E é aí que entra a parte mais especial do negócio: o cliente terá, também, a possibilidade de se tornar uma espécie de Uber só que sem esforço e gastos adicionais.

Por meio de um aplicativo, colocar o carro a disposição de corridas extras enquanto você trabalha, dorme, faz qualquer coisa. Uma renda inexistente no momento e que, dependendo das proporções aplicadas pelo dono, poderia garantir o próprio abatimento do valor pago pelo produto. Em média, usamos o automóvel em 5%-10% do nosso dia. Por que não otimizar seu aproveitamento, então? De tal maneira, qualquer um poderia ter um Tesla. Ou perto disso.

Quer mais? Seja isso possível ou não, Elon vê o transporte público e privado como futuros alvos da revolução na indústria. Ônibus e caminhões já estão em fase de criação nas fábricas e não devem demorar tanto para ganharem pelo menos uma versão beta. A função do motorista passaria por uma transição à tarefa de gerente de frota ou algo do tipo. É longe para especificar tanto. Reduziria custo, segurança e poluição.

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Ao redor do mundo, existem milhares de estações de recarga para veículos da Tesla – como esse, em Greenwich

É algo astronômico e, para os pessimistas, utópico não é por coincidência que os primeiros passos de Musk na vida empresarial foram dados na SpaceX, que pretende colonizar Marte até 2023. Mas estamos falando de um indivíduo que já quebrou dezenas de paradigmas e, até o momento, acertou mais do que errou. Obviamente, deslizes podem acontecer, mas são eles que vão proporcionar os parâmetros para o refinamento de um projeto gigantesco.

Mac Greer, apresentador do podcast Market Foolery especializado em negócios , toca o ponto de que a empresa é muito mais do que uma simples fabricante de veículos: “O que eu não entendo é as pessoas definindo a Tesla como uma carmaker quando ela faz bem além disso. É uma produtora de baterias, companhia de tecnologia, companhia de energia. Não se compara a Ford. É como comparar a Apple com a Motorola e não com a Microsoft ou Google. Fazem mais do que apenas um produto”, opina.

Ninguém consegue prever o resultado, mas a jornada promete ser cativante. Apertem os cintos que os rumos são infinitos e não contam com motoristas.

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