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A história dos nomes das operações da Polícia Federal

Texto: Lucas Filus, Bernardo Marucco, Erickson Stocker

A quantidade de casos investigados no Brasil é tão grande que você já deve ter se perguntado: de onde surgem os nomes das operações da Polícia Federal? Operação Gafanhotos, Operação Vampiro, Operação Anaconda… e por aí vai. A quantidade de intitulações relativamente bizarras é vasta, assim como a curiosidade do povo em saber o motivo por trás das mesmas. É até estranho pensar que trabalhos tão importantes e carregados de uma seriedade enorme levem rótulos irônicos, como se fossem feitos para o humor.

Representantes do próprio site oficial da Federação Nacional dos Policiais Federais (FENAPEF) comentam a situação com um tom de brincadeira. No dia 1° de junho de 2017, foi deflagrada uma nova etapa da Operação Lava-Jato, consistindo nas tarefas após a acusação do empresário Marco Antônio de Lucca subornar agentes públicos em troca de favores em licitações de serviços de alimentação. “A operação ganhou o nome de Ratatouille, em referência ao prato francês, mas também à animação da Pixar estrelada por um simpático ratinho cozinheiro – todos são iguais aos olhos da lei, afinal”, consta.

As coisas não param por aí, longe disso. Mas para entendermos melhor o panorama desse “mundo alternativo” da justiça brasileira, precisamos voltar para o começo do século. Em 2002, a Operação Arca de Noé tratava da luta contra o jogo do bicho no estado do Mato Grosso. O ex-diretor executivo Zulmar Pimentel era o responsável pelas denominações, mesmo as que ele não tinha tanta relação. Poderia existir até algumas sugestões alheias, mas tudo tinha que passar pelo rapaz antes da oficialização. Com o tempo, porém, esse cenário mudou.

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Pimentel foi o pioneiro nos nomes estranhos – e não tão sérios – para as operações (Foto: Reprodução/Amazonas em Destaque)

No próprio Mato Grosso os outros profissionais começaram a tomar decisões nesse sentido e, alguns anos depois, o país inteiro entrou na onda dos títulos criativos – e esquisitos. Hoje em dia, cada delegado dá o nome para suas respectivas operações que comandam. Por isso a variedade em estilos, mas vale lembrar que ainda tem certa seriedade em diversas ações. De qualquer forma, as que chamam mais atenção são as engraçadas ou curiosas.

A Operação Good Vibes, segundo a PF, se refere à giria utilizada por frequentadores de casas noturnas para descrever o efeito do ecstasy. Na briga contra a propagação da supracitada droga, foram presos integrantes de uma quadrilha que traficava sintéticos em Belo Horizonte. Famosa também é a Operação Firula, que a princípio representa um drible nos envolvidos com sonegação fiscal dentro do futebol. Alexandre Martins e Reinaldo Pitta, ex-agentes de Ronaldo Fenômeno, foram detidos por terem realizados crimes financeiros constantes no esporte.

Entra a criatividade intelectual: a Operação Ctrl + Alt + Del (sim, escrito assim mesmo) foi atrás de um grupo de hackers acusados de quebrar sigilo bancário com sites réplicas dos bancos originais e e-mails usados como isca. Existem aquelas inexplicáveis, também. Uma quadrilha inseria dados falsos no Sistema de Cadastro de Criadores Amadoristas de Passeriformes (SISPASS), legalizando criminosamente o contrabando de animais retirados da natureza – especificamente, pássaros em risco de extinção. Junto com o Ibama, então, a Polícia Federal deu o nome de Operação O Senhor dos Anéis, obra literária de J.R.R. Tolkien. Até hoje ninguém entendeu o significado.

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O número de operações cresce exponencialmente no Brasil – mais oportunidades para a bizarrice dos títulos (Foto: Reprodução/Polícia Federal)

Fica claro, então, que não tem tanto sentido lógico por trás dos nomes das operações. Em alguns casos a inteligência fala mais alto, enquanto outros tratam apenas com ironia. O peso disso também é pequeno, por isso nunca foi um tema tratado com cautela ou intensidade pelo alto escalão da Justiça. Só temos certeza que a moda inventada pelo agora afastado Zulmar Pimentel (por uma Operação denominada Navalha, curiosamente) pegou com sucesso em uma nação recheada de sujeira e um espaço inabalável para o humor.

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