Esportes

Tecido acrobático: junção de arte com atividade física

Participei de uma aula para provar dos benefícios e dos riscos que o tecido acrobático podem trazer para a vida de quem pratica. Em minha primeira aula, já quis fazer muito mais, aprender e aperfeiçoar as acrobacias.

Texto: Carolina Santana

“Precisa de força? Não, não precisa”. É uma das primeiras frases que o professor Rafael Cecanho fala ao apresentar o tecido acrobático. Mas quem vê a prática imagina o contrário. Pelo menos, era o que eu pensava antes de fazer uma aula. Antes disso, eu estava ciente de que não iria conseguir realizar nenhuma das acrobacias. Estava enganada.

O tecido acrobático é um esporte de acrobacia aérea e, principalmente, de circo. A prática é realizada em um longo tecido suspenso com duas pontas penduradas. Quem o pratica realiza acrobacias no ar e enrolado no tecido. O esporte cresceu muito e se popularizou nos últimos anos, assim como outras atividades físicas alternativas. “Crossfit, funcional ao ar livre, pilates, tecido e todas as atividades que não sejam uma musculação ganharam o mercado”, explica Rafael.

Outro motivo para a procura do tecido é o lúdico. De acordo com o professor – e algumas pessoas concordam com ele -, é chato ficar na academia puxando peso, já o tecido trabalha com plástica e flexibilidade. Também é bonito e não é comum, todo mundo que vê fica maravilhado. “Não tem nenhuma pessoa no mundo que não veja uma coisa artística e não sinta no fundo a vontade de fazer. Não se propõe, acha que não tem perfil, acha que está velha demais, mas todo mundo tem uma vontade de ser artista”.

Foi assim com a acrobata Larissa Neumann. Ela começou a praticar o tecido acrobático em 2014, quando procurava uma atividade física para relaxar e aliviar o estresse do trabalho. Hoje, o tecido é mais do que isso, é um trabalho. Larissa faz apresentações e dá oficinas de tecido acrobático. “Foi nessa modalidade, e nas acrobacias aéreas em geral, que uni o exercício físico com a expressão artística, algo que sentia muita falta de expressar desde a adolescência”. Ela completa dizendo que vai muito da personalidade das pessoas, mas o tecido é uma forma de expressar esse lado criativo que fica preso nas rotinas de trabalho e na correria da vida moderna.

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Larissa Neumann pratica tecido acrobático desde 2014 e hoje trabalha fazendo apresentações e ministrando oficinas. (FOTO: Arquivo pessoal)

Foi esse lado artístico do tecido acrobático que me levou até o galpão do Grupo Kaiorra, localizado em Camboriú, numa tarde fria de terça-feira. Esse galpão é um dos locais onde Rafael dá aulas duas vezes por semana. Minha primeira aula foi mais explicativa. Rafael me explicou os princípios do tecido e como funciona o esporte. Ele me apresentou algumas acrobacias simples, mas que me provaram que eu podia muito mais do que pensei. Uma delas foi a vela, que nada mais é que ficar de ponta cabeça. Outra foi a posição da sereia, uma variação da vela. Também aprendi a como escalar no tecido. Apesar da novidade, em momento algum deixei de fazer algum dos exercícios. “A maior dificuldade do tecido é achar que não é capaz. Eu tenho alunos que eu passo um exercício novo, nem tocou no tecido para praticar e já fala que não consegue”, conta Rafael.

As acrobacias usam bastante os membros superiores e o abdômen. O tecido também traz condicionamento físico e resistência. “Vejo muito a definição dos músculos. Além disso, é algo que me desperta a superação. Também temos os movimentos em dupla, que trabalham muito com a concentração e confiança no parceiro”, explica Larissa. A educadora física Rafaela Macarena cita mais alguns benefícios da modalidade, como um corpo mais alongado, agilidade e controle de equilíbrio. Mas Rafaela também fala de alguns cuidados que é preciso ter antes de começar a praticar. “A única coisa que pode influenciar é o estado de saúde física do praticante, cada um deve saber e conhecer suas limitações”.

O tecido também traz alguns riscos. Rafael conta que já sofreu queimaduras de segundo grau porque esfolou no tecido e que isso pode acontecer. Outra coisa é faltar força no meio de uma acrobacia dificultando a finalização. Eu não tive nenhum problema. Senti alguns incômodos nos braços e no pulso, mas Rafael me garantiu que isso pode acontecer nas primeiras aulas. Ele também me avisou que poderia ter dores musculares em um ou até dois dias após a aula.

Larissa também comenta sobre algumas dificuldades quanto à prática. Segunda ela, não é fácil encontrar locais que ofereçam um espaço adequado, estrutura física com altura suficiente e professores capacitados na área. “Fora isso, tem a questão dos valores, que são um pouco mais altos do que algumas outras atividades mais convencionais, mas que, ao meu ver, totalmente se justificam devido aos investimentos que precisam ser feitos tanto em segurança, como em aperfeiçoamento e cursos por parte dos professores”.

Para mim, a aula de tecido foi uma experiência maravilhosa. Algo que eu nunca tinha pensado em fazer e que me fez ficar surpreendida comigo mesmo. Tanto a Larissa, quanto o Rafael falaram comigo sobre superação e o tecido tem muito a ver com isso. Por mais que tenha sido minha primeira aula, já fiquei querendo fazer muito mais, aprender e aperfeiçoar as acrobacias. Além de todos os benefícios físicos, também me diverti muito praticando e espero poder fazer outras aulas de tecido acrobático.

Colaboraram: Gustavo Vasconcelos e Any Costa

um comentário

  1. Muito bacana a matéria!
    Deu pra ver que arrasou na sua primeira aula 🙂
    Espero que continue praticando.
    Abraços.

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