Esportes

“Tênis é minha vida e não me imagino fazendo outra coisa”

Com 21 anos, Rafael Matos coleciona prêmios nacionais e internacionais em sua breve carreira profissiona

Texto: Gustavo Vasconcelos, Any Costa e Carolina Santana

Enérgico, em plena sete horas da noite de uma terça-feira, depois uma longa viagem internacional e minutos após uma entrevista de rádio. Foi esse o estado que Rafael Matos, tenista, chegou para contar um pouco de sua trajetória como atleta profissional para a Agência Prefixo, nos corredores da Univali. No auge dos seus 21 anos, o loiro de cabelos lisos e compridos, com pinta de atleta internacional, nasceu em Porto Alegre e carrega consigo até hoje o sotaque característico do local.

Dona Rosane Matos lembra emocionada do período entre seus 10 e 15 anos quando praticava tênis. Teve que parar com os treinos, pois as condições financeiras não foram suficientes para mantê-la no esporte, já que sua economia tornou-se totalmente direcionada para outras prioridades: “Nunca consegui cheguei ao patamar profissional como o Rafa alcançou hoje”. Rafael trilhou esse caminho mais cedo que a mãe. A família Matos mudou-se para Xangrilá, litoral do Paraná, quando ele tinha seis anos. O condomínio que abrigou a família nesse período foi o ambiente que propiciou os primeiros contatos do atleta com o esporte.

“Rafa era magrinho, tive que voltar a bater uma bolinha quando ele começou a praticar. No condomínio os meninos eram mais velhos e não tinham paciência para jogar com ele, mas quando ele já tinha 10 anos, ele já ganhava de todos os garotos com até 14 anos que disputavam com ele. A partir daí, sua habilidade só aumentou”.  Habilidade é algo que caracteriza o atleta. Seu parceiro de quadra vida e infância, , Eduardo Ribeiro, brilha os olhos de orgulho e gratidão em fazer parte dessa história.

Mattos e Zormann - Luiz Peniza (2)

Eduardo tinha nove e Rafael 11 anos quando se conheceram em Porto Alegre. Desde essa época, eles já começaram a ser parceiros dentro e fora de quadra. Nunca mais se separaram. Inclusive disputaram diversos jogos como dupla: “Ele é um cara muito calmo dentro da quadra e consegue lidar muito bem com as adversidades dentro de um jogo. Mas seu ponto mais forte é a habilidade. Ele esbanja. É o parceiro ideal para duplas, pois ele domina a rede, onde em uma disputa de duplas é o que mais conta”.

Aos 17 anos foi quando o atleta fez seu primeiro ponto no ranking da ATP, tornando-se um profissional ranqueado. Hoje, coleciona 13 torneios mundiais de duplas e orgulhosamente ostenta seu primeiro torneio individual que venceu no fim de maio na Espanha. Para ele, a vinda à Itajaí, com seu fiel amigo Eduardo, há um ano e meio, foi a melhor opção para sua última conquista, pois a DK Tênis do Itamirim, local onde ele treina, é referência do esporte no país. “Com certeza a estrutura de treino pré-competição é fundamental. Tive a melhor semana de competição da minha vida em Portugal e Espanha, onde venci competidores ranqueados bem acima de mim”, explica Rafael. O orgulho na entonação de sua voz ao contar suas vitórias, deixa até passar despercebido a saudade de casa, local para onde vai todo fim de semana quando não está competindo.

São 535 quilômetros que separam suas paixões: o tênis e a família. Todo fim de semana ele percorre esse trajeto até Porto Alegre para encontrar a família e a namorada, voltando toda segunda para sua rotina de treinos. O que deixa Dona Rosane um pouco dividida: “A distância complica, pois somos uma família muito afetiva. Mesmo com orgulho dele ter escolhido o tênis para sua vida, algo que também fez parte da minha, hoje acho o esporte muito solitário e que exige muito sacrifício e quando ele está em torneio nos falamos só pela internet. Porém, essa decisão de manter essas escolhas em sua vida só cabe a ele”. Rafael não denuncia nada em conversa, que poderia fazer desistir de seus sonhos quando o assunto é tênis. Cada jogo comentado por ele é um sorriso a mais e uma lembrança que aparentemente o faz suspirar mais fundo: “Tênis é minha vida e eu não me imagino fazendo outra coisa na vida”.

Rafael Matos e Luiz Peniza em uma de suas vitórias por duplas.

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