Economia Tecnologia

Em ascensão, moeda virtual Bitcoin ainda é mistério para a maioria das pessoas

Moeda, investimento, ponto chave de uma revolução no mercado digital. Conheça o Bitcoin, o dinheiro virtual que ganha milhares de usuários todos os dias 

Texto: Lucas Filus, Bernardo Marucco e Erickson Stocker

Imagine uma moeda totalmente distinta das outras, descentralizada de qualquer poder estatal e responsável por desencadear uma série de novos “dispositivos financeiros”. Falamos do Bitcoin, uma criptomoeda lançada em 2008 pelo desenvolvedor anônimo/independente Satoshi Nakamoto. O japonês trabalhou com uma equipe de código aberto (o open source, termo que define aqueles que possibilitam a distribuição de uma tecnologia para todo o mundo) durante algum tempo para ver sua rede, em 2009, se tornar ponto chave do mercado digital.

Por mais que tenha sido a primeira a fazer sucesso, não foi pioneira nesse setor. Desde os passos iniciais da World Wide Web (WWW), nos anos 1980 e 90, ativistas de privacidade online – denominados cyberpunks – se esforçaram para popularizar uma moeda virtual. Digicash, Hashcash, Bitgold, E-gold são algumas das tentativas falhas de expandir esse meio obscuro para algo sustentável e de grande escala. O Bitcoin, portanto, se diferenciou e causou o impacto desejado por estar dentro da tecnologia Blockchain. É o sistema que operacionaliza toda as transações realizadas pela moeda.

Ironicamente, é justamente essa “área processadora” que causa as maiores incertezas e trabalhos em cima do Bitcoin atualmente. “A rede Bitcoin consegue processar em torno de 7 transações por segundo. A da VISA tem capacidade centenas de vezes maior. Recentemente, a grande adesão de usuários tem causado um congestionamento. Apareceram soluções para escalar a rede de modo que tenha igual ou maior processamento que a VISA e essas propostas estão em fase de aprovação”, explica Lucas Zanella, estudante de Matemática e Ciências da Computação na Universidade Estadual Paulista.

Mas o que tudo isso significa? Que o valor da criptomoeda passa por uma ascensão jamais vista, colocando o montante atual (13/06 – 19h) em R$9,721 mil. Para termos uma noção mais clara, esse mesmo ativo valia R$2 mil há cerca de dois meses. “Ativo”? Chegamos ao próximo passo para entender o Bitcoin: apesar de ser considerada uma moeda, o relativo desconhecimento do mesmo faz com que o poder de compra ainda seja limitado. Não são tantas as lojas e serviços que aceitam essa forma de pagamento – o que faz com que se torne, prioritariamente, em um ativo de investimento.

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Sites especializados como o Investing permitem o acompanhamento de todas as mudanças na cotação da criptomoeda (Foto: Reprodução)

O motivo é visível; não existe, em todo o mundo, alguma ação com a capacidade de render tanto lucro em escala em curto e médio prazo como o Bitcoin. Mas nem sempre foi assim. Foram anos de operacionalização às margens do mainstream, causando muita desconfiança para um meio tão tradicional e que às vezes é bem averso ao risco. O que catapultou a massificação, então, foi o aumento nas possibilidades de transação. Sem surpresas, as empresas que iniciaram a aceitação representam o setor da informática: Dell, Microsoft, Twitch, entre outras.

Nos últimos meses, porém, lojas dos mais diversos tipos entraram para a cena. Seja gigantes como a Peach Aviaton, um braço da companhia aérea japonesa All Nippon Arways, ou pequenos negócios como as brasileiras Piratas, Ultrafitness e Clínica Ineuro. Além de outro player muito conhecido no panorama virtual, como cita Zanella: “Recentemente a Steam, plataforma de games online, começou a aceitar a moeda e vários serviços de cartão de crédito com saldo em Bitcoins (estão sendo lançados), mas que funcionam em qualquer lugar que aceite as bandeiras VISA ou Mastercard”.

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A loja de camisetas Piratas foi uma das primeiras no Brasil a aceitar Bitcoin como forma de pagamento (Foto: Reprodução)

André Willian é estudante de direito e começou a aplicar dinheiro no Bitcoin no início de 2017. Hoje, ele está desfrutando de todo esse crescimento em valor e escala. Porém, a intenção principal por trás das ações segue sendo a da maneira de fazer compras. “Dá pra considerar como forma de investimento, é claro, mas não podemos esquecer que se trata de uma moeda digital. E o conhecimento mundial que está ganhando só deve melhorar esse cenário inteiro”. A situação com certeza anima em diversos modos – para diferentes propósitos e “tipos” de pessoa, como podemos ver.

“O fato de você poder ir de um país ao outro de mãos abanando, apenas com uma frase memorizada levando toda a sua riqueza, será sempre um motivo para a alta. Uma pequena parcela da população o usa, então é natural que tenhamos altas a cada vez que esses booms (crescimentos abruptos) aconteçam”, finaliza Lucas.

Embora uma ascensão considerável seja visível, ainda estamos em uma fase inicial do amadurecimento da tecnologia. Pela inexistência de entraves legais, laços bancários ou estatais, a criptomoeda se torna um dos cases mais intrigantes de toda a economia. É tecnologia, investimento, poder de compra e um rol de efeitos consequentes prontos para serem testados no mundo sem fronteiras da internet. Não sabemos no que vai acabar, mas o Bitcoin carrega razões infinitas para acompanharmos sua evolução com curiosidade.

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